ATENÇAO:
Leia com atençao o aviso aqui feito, para que depois nao haja duvidas e nem problemas.
A fanfic está sendo rescrita. Sim, é isso mesmo que voce está lendo! Por isso está demorando a postagem de capitulo novos. Nao é por preguiça, nem falta de tempo, é pelo simples fato de estar corrigindo, adicionando partes, e editando a fanfic INTEIRA.
Porque isso Leticia? Porque estou olhando algumas coisas que podem agradar vocês (ou nao), mas essas novidades eu deixo para depois, quando tudo estiver certo.
Estou realmente rescrevendo algumas partes, arrumando os erros de ortografia, coesão e coerência, e claro, acrescentando algumas partes, PORQUE EU SEI QUE VOCES ESTAO CONFUSAS.
Antes de decidir isso tudo eu reli a fanfic toda novamente e vi que tinha algumas coisa que estavam desencaixadas, sem nexo e totalmente surgidas do NADA, por isso decidi mesmo rescrever e bem adaptar a fanfic para seu real genero que nao seria mais 13 anos e sim de 16 para cima (na verdade, quase uma NC18).
Quero deixar a fanfic cada vez mais do meu jeito, e mais com a minha cara, isso quer dizer que ela conterá sim alguns palavrões e referencias (cenas) sexuais. Entao, nao se desesperem.
Eu nao estou fazendo isso, porque certas leitoras reclamaram pela demora ou o caralho a quatro, estou fazendo isso para MIM, e para quem realmente gosta da fanfic e quer ter alguns problemas sobre ela solucionados.
E em breve eu trarei novidades que sao elas a motivação maior para a edição de I Want You To Know.
Obrigada, e qualquer duvida, me procurem ou no face, ou no tt.
Beijos, e amo voces.

I Want You To Know
by: Leticia Assis
beta-reader: Helena Silveira



Chapter I

Seu grito ecoou em todo o quarteirão fazendo com seu tom aumentasse três casas do seu nível normal. Olhei para o lado ainda rindo vendo , e tampando os ouvido, enquanto eu me divertia com o grito histérico de .
- Não acredito, eu simplesmente não acredito nisso. - disse olhando para o papel em suas mãos com um misto de surpresa e felicidade.
Gargalhei animada olhando em volta, vendo os alunos se dispersarem e olharem com cara feia para nós cinco no meio da calçada. Era dia de entrega de boletim e a ultima vez que nós veríamos a cara feia daquele povo.
Nada contra gente feia, mas eles eram tão irritantes que até os bonitos eram feios. E para meu alivio e de todas as meninas, estávamos formando, e entrando para uma nova fase na nossa vida. Faculdade, caras bonitos e maduros, estudos avançados, tempo apertado... Parece o pesadelo da maioria das pessoas, mas nós... nós só estávamos dando graças a Deus. Adeus escola, adeus pessoas infantis e... adeus Amber
Amber era simplesmente a menina que eu mais odiava em toda a minha vida... Ok, é um pouco de exagero. Mas eu a odiava, não tem intensamente, mas eu a odiava. Ela era o exemplo daquelas garotas puxa-sacos que não velem nem uma moeda de um centavo, eu sempre fui aquele tipo de pessoa que não tolera falsidade ou qualquer tipo de modo de aproveitamento.
E foi quando eu a vi se aproximar que eu senti que poderia fazer qualquer coisa, desde que feri-la estivesse entre elas. Virei-me em um ato impensado tentando focalizar , essa que acenou com a cabeça e se afastou até um dos garotos que costumava conversar. Observei até ela se afastar e tornei meu olhos para o ser horripilante na minha frente.
- Ouvi dizer que ganharam a viagem. – comentou se aproximando e parando perto de nós.
- Ouviu bem. – rebati rapidamente.
Ela me encarou com aqueles olhos pequenos, os estreitando.
- Londres né? – ela disse séria, mas logo sorriu. Entreguem-me um porrete por favor. – Que ótimo, é o lar do meninos de One Direction, não é mesmo?
Ouvi bufar ao meu lado. Sorri de canto.
- Para alguém que se diz fã, você está cheia das duvidas, huh? – perguntei com um pingo de sarcasmo.
- Parece que a pequena Amber está se revelando a grande idiota que sempre foi. – comentou , enquanto um sorriso sarcástico brincava em seus lábios.
- Ela nunca deixou de ser, . - cruzou os braços debaixo dos seios, uma mania que adquiriu para esconder sua raiva.
-Vim dar os parabéns. – comentou Amber, provavelmente querendo desviar do assunto. Bati palmas, tentando parecer calma, mas na realidade, explodindo de raiva por dentro.
- Que bom hein? – disse enquanto largava minhas mãos ao lado do corpo. – Sabe Amber, durante todo o ano, você tentou se aproximar da gente, mas acho que esqueceu que nunca, nunca em toda minha vida eu permitiria que alguém que magoou , ou qualquer uma de minhas amigas se aproximasse. Desculpe, mas se está precisando de amigas - dei de ombros -, acho melhor ir até algum covil de cobras ou algo assim, você vai se afeiçoar rapidamente com alguma delas.
Escutei dar uma curta risada ao meu lado.
- Sabe Amber, você tem muito o que aprender. Tentar gostar de uma banda para fazer amizade não é lá algo muito admirável. - disse de modo retórico. – Quer dizer, em todos esses anos, eu achava que você aprenderia algo, mas vejo que a solidão tem te feito uma completa idiota.
- O que passou, passou gente. – Amber gritou exaltada. – Sinto, por ter aproveitado da e em todo o dinheiro que ela não conseguia gastar...
- Dinheiro? – perguntou . – Ninguem falou em dinheiro, estamos falando do irmão da sua idiota, muito me admira que você tenha esquecido isso.
- Eu não tenho culpa se me apaixonei pelo irmão dela. - Amber resmungou e fez um gesto displicente com as mãos – Eu queria ele, e pouco me importava a amizade dela se o irmão dela gostasse de mim.
- Claro, e com certeza deixar o irmão dela viciado em drogas estava em seus planos maléficos de conquistá-lo. – comentei.
Ela se aproximou de mim ameaçadoramente, vi as meninas se afastarem. Nunca em todos nossos anos de escola, havíamos visto Amber tão alterada.
- Não repita isso. – ela murmurou apontando o dedo para meu rosto. – Se o irmão dela não está em casa há mais de meses, não me importa, desde que eu o continue vendo.
- Não tente nos enganar Amber - murmurei no mesmo tom que o dela. – Vamos diga, não vamos nos ver mais, esse foi nosso ultimo ano aturando você, não precisa ficar bancando uma de legalzinha. Diga que foi você. Diga que você que deu aquela droga pra ele, sabendo que o quanto estava frágil pela morte da mãe, você sabia disso. E também sabia que para ele era seu único ponto de apoio. O pai deles nunca deu a atenção devida para os filhos, e você sabia que precisava dele, e você foi e fez de tudo para distanciá-lo, queria ele para você.
- Não diga o que você não sabe, - disse ameaçadoramente.
- Sabe, eu tenho mais medo do Bozo do que de você. – comentei com um sorriso divertido. – O que vai fazer? Me bater com um dos sacos de maconha que carrega ai dentro? – perguntei arqueando as sobrancelhas, e maneando com a cabeça sua mochila.
Ela se aproximou rapidamente, e no mesmo instante as meninas se aproximaram. Mas naquele momento eu queria realmente bater nela, eu não me importava com o que o pessoal acharia ao me ver socando sua cara de porco até vê-la morrer. Quem magoa uma amiga minha em tal intensidade não devia viver.
- Vai embora Amber. – gritou . – Eu não hesitaria em te bater, nem ao pensar que eu posso quebrar minha unha na sua cara.
Amber afastou alguns passos.
- Vocês vão me ver muito ainda. – comentou se afastando.
- Eu costumava a te achar mais esperta. – riu
Amber fez um gesto displicente com uma das mãos e se afastou. Observamos a garota se afastar até sumir de nossas vistas. Ao a ver sumir em meio a multidão de alunos, eu suspirei cansada, tornando meus olhos para as meninas.
- Dessa vez eu quase que não consegui segurar meu punho. – comentei fechando os olhos.
- Sabe de uma coisa? – perguntou - Ela admitiu só o que a gente suspeitava, ela deu a droga pra ele.
Abri os olhos para poder encarar .
- O que importa é que não vamos mais ver essa godzilla – comentou .
Concordamos com a cabeça e olhamos de relance para que ainda conversava com um dos garotos que ela dizia-se afim. Sorri com isso, ver ela finalmente bem, era algo bom. Era algo que trazia sensações boas a mim e as meninas. Na época em que tudo aconteceu, foi duro ajudar , porque ela mesma não queria ser ajudada. Ela não queria acreditar em tudo que acontecia.
Tornei meus olhos para as meninas, elas assim como eu analisavam .
- Vocês acham... – comecei – que devemos contar a ela?
Elas voltaram os olhos para mim e ficaram em silencio.
- Quer dizer... é irmão dela, nada mais que justo ela saber que Amber ainda vê ele. – disse baixo.
Desviamos nossos olhos mais uma vez para e voltamos a nos encarar.
- Há males que vem para o bem. Talvez seja preciso contar, mas não necessário. - e seus dilemas. Vai entender, ler de mais causa isso nas pessoas, fazem elas dizerem enigmas que só uma civilização mais avançada entenderia.
- Na nossa língua isso significa que... - sempre perguntava o que vinha a mente, nunca precisávamos nos preocupar em esconder nossa curiosidade. sempre dava um jeito de mata-la.
revirou os olhos.
- Vocês querem ver triste novamente? – perguntou. Sempre quando tem algum tipo de teoria em mente ela gesticulava com as mãos, e isso era exatamente o que ela estava fazendo agora. – Quero dizer, ela voltou à pouco a ser quem ela era antes. Quando sua mãe se foi, vimos o quanto ela estava triste, mas ao perder o irmão para as drogas... imagine, só aumentou aquilo. Em quem ela se apoiaria? – perguntou olhando para cada uma de nós. - Claro ela tinha nós, mas ela precisava de um apoio familiar...
- Ok, e até agora você só disse o que a gente já sabe. – comentei cruzando os braços.
- Então – ela me encarou. -, você prefere contar aquilo que ela prefere esquecer, ou mergulhar ela novamente em seu mar de tristezas?
- Pobre - comentou enquanto seus olhos divagavam sobre os vários alunos na calçada.
Ficamos em silêncio por um tempo, pensando em tudo aquilo que veio acontecendo com a . Talvez essa viagem a fizesse esquecer aquilo tudo.
- Sabe... – começou , ela se aproximou mais de nós e sussurrou – Eu ainda quero gritar.
levou uma das mãos à testa.
- Ah, não. – murmurou cansada.
Gargalhei de seu tom de voz e peguei o boletim dentro do bolso da minha calça. Eu ainda não acreditava no que estava acontecendo. Éramos realmente muito sortudas. Logo, nós cincos. As cinco melhores amigas, ganharam do colégio um intercambio de dois meses na Inglaterra, com tudo pago. Não era muito de se esperar. Éramos quatro bolsistas, sendo só que pagava a alta mensalidade do colégio.
Agradeço sempre por ter ganhando aquela bolsa. Graças ao meu talento em teatro e musica eu havia conquistado aquilo. Claro, eu odiava estudar, mas era uma das minhas obrigações, notas altas para manter a bolsa. E o mesmo se fazia á , e .
tinha bolsa devido ao esporte que praticava, foi transferida de outra escola para a nossa, por sua inteligência excepcional e por ter todos os irmãos estudando lá.
E eu quase perdi a bolsa. Foi no meio do ano quando meu pai foi diagnosticado com câncer na traqueia, eu fiquei realmente mal. Era dureza vir para a escola todos os dias, o que me segurava eram as meninas, que me apoiavam com tamanho ardor, que só de lembrar lagrimas me vem aos olhos.
Sei lá, só de ter ganhado tal viajem já era motivo de felicidade duradoura para nós. Inglaterra. Era somente o lar da banda que mais admirávamos e amávamos. One Direction.
- Vocês acham que tem alguma possibilidade da gente encontrar os meninos lá? – uma voz surgiu atrás de nós.
Gritinhos saíram da boca de cada uma de nós. Minha respiração se tornou descompassada e barulhenta, riu da nossa cara e parou ao meu lado.
- Você já tentou alguma vez ir a Igreja ou algo assim? – comentou . – Você precisa de um exorcista, pra chegar assim tão sorrateiramente...
- Muito engraçado - brincou .
- Ei, . – chamou
- Você agora pode cortar o cabelo.
Todas nós rimos, inclusive .
No nosso primeiro ano do Ensino Medio, havíamos feito uma promessa de não cortar o cabelo até todas nós passarmos o terceiro ano. No começo vivia dizendo que não ia deixar o cabelo crescer, porque o curto era sua marca registrada. Acabou que alguns meses depois ela começou a acostumar com a idéia.
- Não vou cortar mais. – ela comentou dando de ombros. – Quem sabe os ingleses prefiram as com cabelão. – ela passou os dedos por debaixo do cabelo.
Rimos de sua cara.
- Cara, férias. – disse esperançosa.
- Férias. - murmurou animada.
- Férias. – sorriu
- Férias. - juntou as mãos debaixo do queixo, em uma posição sonhadora.
- INGLATERRA. – gritei abraçando as cinco de uma vez.
Todas elas gritaram ao fazer isso. Parecia um sonho. E se fosse eu não queria nunca acordar.
Enquanto estivéssemos juntas, o lugar realmente não importava.

’s POV

Conferi pela sexta vez a mala naquela manhã. Olhei para meu relógio de pulso. Faltava uma hora e meia para o vôo. Fechei minha mala rapidamente. Fui até a cama e peguei minha bolsa, coloquei sobre os ombros, atravessei o quarto, abrindo a porta.
- Pai, você pode me ajudar com a mala? – gritei com a cabeça para o lado do fora.
- Claro. – escutei seu grito abafado vindo do andar debaixo.
Adentrei o quarto mais uma vez. O que faltava?
Girei nos calcanhares, e avistei algo sobre a escrivaninha. Fui rapidamente até ela e peguei meus fones de ouvido, segurando o fortemente em minhas mãos. O que seria de mim sem musica? Coloquei-os dentro da bolsa, e assim que o fiz meu pai adentrou o quarto.
Ele sorriu para mim e foi até minha mala, sai do quarto descendo as escadas com rapidez.
- Quantas vezes vou ter que repetir ? – perguntou retoricamente. – Não se deve correr em escadas.
Olhei para minha mãe no pé da escada com as mãos na cintura.
- Sim, sim, mamãe. – disse com cerimônia e me aproximei dela, abracei seu pescoço. – Vou sentir sua falta.
Ela suspirou baixo, e passou as mãos nos meus cabelos.
- Eu também. – murmurou. – Promete que vai me deixar em dia, e que vai se cuidar?
- Sim, eu vou ficar bem mamãe.
Escutei meu pai se aproximando, me virei para encará-lo. Ele nos abraçou ao mesmo tempo. Sorri, era bom saber que eu sempre ia tê-los ali.
Meu pai nos soltou e sorriu para mim.
- Prometa que vai se cuidar. – pediu.
- Vai ficar tudo bem. – eu sorri para eles.
O som de uma buzina invadiu o ambiente, olhei para a janela e fiquei na ponta dos pés. Era o carro da família de . Suspirei e tornei meus olhos para meus pais, esses que sorriam ternamente.
- Quando eu chegar, prometo que ligo.
Peguei a alça da mala de rodinhas e puxei, indo em direção aos meus pais e dando os últimos beijos.

Era engraçado ver agitada, de todas nós cinco, ela sempre foi a mais calada. Mas naquela manhã, ela não conseguia se manter quieta dentro do carro, eu podia ver os olhos do motorista a vigiando pelo retrovisor.
Era engraçado vê-la naquela situação, porque quando se fala de tagarelar o primeiro nome que vinha a mente era o meu. De todas elas, eu era a que mais lia, e de alguma maneira a mais sensata. Sempre que um assunto surgia e se eu já tivesse conhecimento sobre tal, eu não pararia de falara até que me empurrasse ou me beliscasse. Às vezes eu sabia que podia ser irritante, mas era legal ter com quem falar quando ninguém mais queria ouvir sobre suas teorias de conspirações alienígenas ou algo do tipo.
sempre carregou uma aura pesada, claro, logo depois da morte da mãe, sua vida desmoronou. Seu pai, mesmo quando sua mãe ainda era viva, não dava atenção para os filhos, era trabalho, trabalho, trabalho, e ainda é. Resumindo: a família de é completamente desestruturada. O dinheiro que eles possuíam eram graças ao esforço do pai, e ela não desmerecia isso, mas as vezes ela dizia: “Prefiro ser pobre, e ter meu pai comigo, do que ter dinheiro, ter tudo que quer, menos o carinho do pai”. Era triste vê-la em situação deploráveis, como o aniversário da mãe, do irmão ou até mesmo o dela própria. E de alguma forma completamente estranha e arrasadora o passado voltava para atormentá-la. Como quando seu irmão resolvia ligar para saber como estavam as coisas. Ele nunca dizia onde estava, e nunca falava em voltar, mas ele dizia que ainda se preocupava com a irmã, e de uma maneira maluca ele achava que ligando para ela, tudo podia se amenizar.
era louca, e ponto. Adora esportes e sempre gostou de brincadeiras agressivas. Diversas vezes cheguei em casa contando sobre como estava nervosa, e que aquele roxo no braço foi feito por ela. Acredite apesar de agressiva as vezes, na maior parte do tempo ela é super amável. Acho que ela leva aquele jeito de durona e marrenta para distanciar de gente aproveitadora, mas quando só com nós, ela se tornava uma pessoa completamente distinta. Super amável e companheira.
era comilona e a maior parte do tempo está com um sorriso na cara ou rindo de alguma coisa. O único momento do dia em que ela ficava séria e sem vontade nenhuma de comer, era durante o sono, mas mesmo assim eu duvidava que ela não risse ou pensasse em comida durante esse tempo. Era engraçado quando atravessava a sala e vinha em minha direção gargalhando e dizendo que havia afundado na prova. Mas de uma maneira avassaladora ela conseguia dobrar as pessoas, e em toda prova em que tirava nota baixa, ela conseguia uma maneira de recuperar. Ainda acho que aquele sorriso serve muito mais do que mostrar felicidade, talvez ele tenha poder de convencimento.
E temos a . Ela era talentosa e tinha a voz mais encantadora que eu me lembrava de ter ouvido em toda minha vida. Ela levava a vida como num filme, cada momento um gênero distinto, sempre rápida em respostas, e era aquele tipo de pessoa que era engraçada sem saber. Era legal passar o tempo com ela, exceto quanto o assunto era garotos. Garotos, garotos, garotos. Será que aquela era a segunda língua dela? Talvez seja, até que ela se apaixone de verdade. O que me irritava nela as vezes era isso, era o quanto ela poderia ser persistente com garotos, queria ir onde estavam, queria ficar próximo de um quando o via... E ela ainda os iludia, deixava-os na esperança de que um dia ainda se encontrariam, mas era uma vez e acabou. Ela era galanteadora na maior parte do tempo, mas uma amiga genial, apesar de ser a mais nova de todas nós.
Apoiei minha cabeça na janela e fitei os grandes olhos de . Ela ainda tagarelava sem parar, e me senti mal por não estar prestando atenção em suas palavras.
- Chegamos. – ouvi o motorista dizer logo a frente, quando paramos o carro.
- Eu tenho uma surpresa para vocês. – falou animada.
Sorri amigavelmente.
- Está explicado essa felicidade toda da Srt. . – comentei rindo.
Ela sorriu abrindo a porta do carro e descendo, logo quando desci encontrei com ela sorrindo de orelha a orelha.
- Duvido que após saber, você também não fique.

’s POV

Eu estava sentada em um daqueles bancos de espera do vôo, com minha cabeça latejando, enquanto escutava e conversando animadamente sobre como seria Inglaterra, e tentaria encontrar com os meninos do 1D. Eu queria estar animada como elas, se não fosse minha dor de cabeça. Claro, eu estava sorindo, não queria deixar elas preocupadas por coisa boba antes da viajem.
Levantei meus olhos para analisar o ambiente quando vi correndo em nossa direção e logo atrás dela eu vi uma desesperada. Alarguei meu sorriso ao ver o rosto de vermelho por correr, e em como ela parecia animada.
- Meninas. – gritou , por um momento eu pensei que ela podia explodir de felicidade.
Ela parou a nossa frente, sorrindo freneticamente.
- O que... - olhou para . – aconteceu com ela?
deu de ombros.
- Ela veio tagarelando o caminho todo, mas não quis contar porque está feliz.
Se é que possível o sorriso de aumentava cada vez mais, ela abriu a bolsa e vasculhou um tempo lá dentro, deixando eu e as meninas mais curiosas. Ela olhou para nós com a mão ainda dentro da bolsa.
- Sabe, eu contei para meu pai que tínhamos ganhado a viajem para Inglaterra. – ela falou como quem fala do tempo. – Então eu disse que estava em época boa lá, sabe... propícia para realizar sonhos.
- O que quer dizer garota? – resmungou .
- Quero dizer querida, que essa viagem pode ficar melhor. – ela disse ainda sorrindo daquele jeito, que já estava se tornando algo sinistro.
Ficamos em silencio, aguardando ansiosas o veredicto final, onde ela contava por que a felicidade, e a gente pulava todas em uma roda, gritando em meio o aeroporto. Mas isso não aconteceu, e minha língua coçava para perguntar.
- Você está pior do que nossa aqui, e olha que isso diz respeito a muita coisa. – disse juntando as mãos sobre o colo.
- Diz logo. – pedi.
- Ok, ok. – ela disse rindo. – Olhe esses olhos brilhando de excitação, estou ficando com dó...
- Pode ficar com dó, desde que conte o que aconteceu sua maluca. – resmungou
Ela gargalhou e mexeu a mão dentro da bolsa.
- Vamos ver eles meninas. – ela disse alto. – Vamos conhecê-los.
revirou os olhos, e assim como eu, eu sabia que nenhuma de nós fazia idéia de mais nada.
- Eles quem? - perguntou. – Os buldogues ingleses? Imagino que sim, o pessoal lá gosta de buldogues.
Ri do sarcasmo contido na voz da .
- Se continuar com essas piadinhas, eu não conto é nada. - cruzou os braços debaixo dos seios. – Vão ter que esperar até chegarmos.
- Conta logo de uma vez, que chantagem não funciona com a gente. - se pronunciou. – Sei que está adorando esse suspense, mas esses scripts monótonos pertecem à vida de .
sorriu e puxou de dentro da bolsa cinco bilhetes dourados.
- Aaah, você ganhou os bilhetes do Wonka para visitar a fabrica. - comentou, arrancando risos de nós. – Eram cinco não é? Você ganhou todos? – perguntou indignada.
- Sua tolinha, são ingressos, mas não para a Fabrica de Chocolates.
- Droga. – resmunguei já imaginando quantos chocolates eu poderia ganhar naquela fabrica.
- Pra onde são então? – perguntou .
- SÃO INGRESSOS VIP PARA O SHOW DO ONE DIRECTION. – gritou pulando.
Ficamos em silencio, apenas olhando para que pulava euforicamente em nossa frente. Trocamos um olhar cúmplice, para deixar ela com raiva por nos ter adiado de tão importante noticia, quando na verdade por dentro gritávamos como loucas, e quebrávamos as cadeiras do aeroporto.
- Legal. – comentou cruzando as pernas.
- Preferia a fabrica. – comentei.
parou de pular e nos encarou com desconfiança. Ela sorriu daquele jeito sinistro e mexeu na bolsa novamente.
- Essa pose de estamos putas, logo vai sumir quando eu contar que... – ela tirou cinco crachás da bolsa. – temos também passe livre para conhecer pessoalmente Liam, Louis, Zayn, Harry e Niall.
Levantei-me de repente e assim como todas as outras, nos juntamos até a e abraçamos com força. Ela gargalhou entre nossos braços, enquanto pulávamos ao redor dela.
- Posso gritar agora? – perguntei para constatar.
se afastou e me olhou com aqueles olhos maníacos de quando estava prestes a bater em alguém.
- NÃO. – gritou.
Rimos daquilo, e logo depois ela mesma relaxou.
- Mas podemos cantar, que tal? – perguntou animada.
- Só você aqui tem voz de anjo colega. – comentou . – E o pessoal do Aeroporto não deve estar muito afim de ouvir quatro hienas tentando cantar.
gargalhou.
- Quando juntas todas temos vozes lindas.
Rimos juntas mais uma vez e nos abraçamos enquanto nós embalava no ritmo de Tell Me a Lie. Logo nos animamos e juntas começamos a cantar. Peguei meu celular em um dos bolsos da calça jeans e chequei as horas, constatando ser 12:12, Muitas coisas lhe alegrarão. Eu sorri enquanto pensava nisso, muitas coisas me alegravam. Só de estar indo para o lugar que eu sempre quis conhecer, e irei conhecer com uma das pessoas que eu mais amava, já me alegrava.
Éramos somente cinco brasileiras, loucas, malucas e desinibidas que começam a descobrir os prazeres pós escola. Iríamos para melhorar o nosso já tão formado inglês. Mas muito alem de melhorar o inglês iria acontecer.
O céu era o limite para cinco jovens que nunca viajaram para o exterior e que ainda tinham o mundo pela frente. O que nos aguardava era por conta do destino, ela que comandasse nosso futuro. Sei lá, eu só estava extremamente feliz. Em ir naquela viagem, e fazer o que iríamos fazer lá. Eram só cinco garotos que nos ajudaram de maneiras diferentes. Zayn, Niall, Louis, Harry e Liam. Acho só que estou filosofando de mais, esse trabalho é da e não meu. Esses pensamentos filosóficos eu roubei de um caderno da de quando ela cismou em escrever sobre liberdade e o que 1D causava em nós, isso tempo tempos. Uns sete meses talvez. Eu imagino se ela visse eu pensando em seu caderno, ela me arrebataria até a pista de pouso e deixaria o avião pousar sobre mim. Não que agressão seja seu forte, esse era um caso de , mas não duvidaria se ela descobrisse que andei fuçando seus cadernos à procura de textos.
Na verdade tudo que eu pensava no momento era que eu estava ansiosa para 12:45, quando embarcaríamos e seriamos servidas com a comida do avião. Minha dor de cabeça tinha nome e sobrenome: Falta de Comida.


Chapter II

’s POV

Me mexi mais uma vez tentando achar uma posição confortável o bastante, mas parecia impossível. Levando em conta que já estávamos á quatro dias em Londres e o show seria só daqui 1 dia, 3 horas e 45 minutos a partir desse momento. Eu estava na sala de estar da casa que nos foi concedida pelo colégio juntamente com e , sendo que e talvez estivesse no seu 23º sono.
Mesmo sendo apenas 18:05, as meninas já estavam deitadas. Eu não podia negar que estávamos cansadas, estudávamos oito horas por dia e quando chegávamos em casa tudo que realmente queríamos era uma cama macia e quente. Sim, quente. Era Dezembro e nevava. Puxa, eu nunca havia visto neve em toda a minha vida, mas ali e agora eu não queria nem pensar nela e em seu poder de me fazer congelar.
Outro fato que contribuía para nosso sono era o fuso horário. Aquilo matava a gente de uma forma tão anormal que era quase impossível manter os olhos abertos às cinco da tarde.
Já era a nona ou a décima vez que eu suspirava e tentava me ajeitar na poltrona. A TV estava alta, mas eu não duvidaria nada se conseguisse me ouvir alem dos sons da TV e os roncos de no sofá mais adiante.
E minhas duvidas estavam corretas quando vi me olhar com desanimo.
- Dormir ajuda a ansiedade passar mais rápido sabia? – ela disse com um sorriso divertido nos lábios.
Olhei para ela e a vi mudando mais uma vez os canais da TV. Era engraçado o fato de quando estarmos sozinha, nos conversamos em português, mas quando íamos para o ‘curso’ éramos obrigadas a falar somente em inglês.
- Tentar dormir só pioraria. – eu disse cansada. – Eu ficaria pensando, e me corroendo na cama ao imaginar que falta... – olhei para o relógio de parede. – 1 dia, 3 horas e 37 minutos para o show. Ouvi bufar.
- Sabe essa ansiedade não combina com você. – ela se ajeitou na poltrona sentando direito, tirando os pés e a cabeça dos braços dela. – Quer dizer, nem mesmo que curte ficar gritando por ai, está tão animada quanto você.
Apoiei minhas costas no encosto da poltrona e fechei os olhos.
- Muito me admire que você não esteja também. – comentei baixo. – Você passava parte do dia falando o quanto a bunda do Louis era grande, ou o quanto os lábios do Harry são carnudos, ou o quanto a pele do Zayn deve ser macia, ou o quanto o cabelo do Liam deve ser sedoso, ou o quanto Niall deve ser cheiroso.
Ela gargalhou baixo para não acordar .
- Sabe colega, agora que falta 1 dias 3 horas e...
Abri os olhos e olhei para o relógio.
- 33 minutos.
- 33 minutos. Sei lá... você sabe que quando estou ansiosa ou nervosa eu me mostro calma. – ela disse dando de ombros. – É uma tática que nós artistas temos que praticar. Imagina interpretar um personagem enquanto está nervosa? – perguntou horrorizada. – Séria um terror real.
Ri da cara dela, ela sorriu e voltou a encarar a TV.
- Eu quase posso sentir meu coração explodir de nervoso... – comentei animada.
- Imagine na hora, você vai morrer de taquicardia. – rebateu enquanto analisava um programa qualquer.
- Credo. – falei abismada. – Francamente, você tem um humor negro.
Ela desviou a atenção da TV e voltou os olhos para mim.
- Não, eu sou sincera. – disse séria, mas logo sorriu. – Alem do mais, não vai ser só você que vai quase morrer ao ver os cinco no palco ok? – ela disse enquanto olhava sonhadora para cima.
Gargalhei animada. Ela levantou da poltrona que estava sentada, largando o controle sobre ela, e se aproximou de mim. Agachou a minha frente e fez uma cara estranha.
- É tão bom te ver feliz . – sussurrou apoiando as mãos nos meus joelhos. – Quero dizer, te ver rindo, e ter esquecido por um momento...
- Eu estou feliz. – a interrompi. – Parece que eu deixei tudo para trás sabe? Preocupações, magoas, e... – parei sentindo minha voz vacilar.
- Sei. – ela sorriu. – Imagino o quanto é difícil para você tocar nesse assunto, mas te ver feliz, me faz feliz, de uma forma ou de outra.
- O que...? – comecei.
- É só que, eu não tive oportunidade para lhe falar isso antes.
Passei a mão em seus cabelos, como uma forma de carinho, seus olhos brilhavam intensamente. Talvez eu quisesse mostrar que eu estava bem, apesar de tudo, e ela se preocupava com isso.
- Eu realmente aprecio isso. – eu disse sorrindo fracamente. – Sabe, é bom ter vocês aqui comigo. Vivenciando esse momento mágico e especial. São dois meses, que eu quero aproveitar intensamente, e apenas esquecer o que já passou.
sorriu animada e sentou encostando as costas nas minhas pernas e voltou a encarar a TV, assistindo um programa que eu não estava familiarizada, enquanto eu mexia em seus cabelos .
Ela se esticou até a poltrona ao lado e puxou o controle mudando de canal.
- As pessoas tem que começar a se importar menos com detalhes bobos. O sentimento é o que realmente importa. – escutei o inglês com perfeição vindo da TV.
Voltei meus olhos para a TV. Me vi olhando para Caroline, a suposta namorada de Harry Styles, olhei rapidamente para que segurava o controle com força na mão. Os nós de seus dedos estavam brancos com tamanha força que ela colocava no controle.
- Ele é uma ótima pessoa. Muito maduro para a idade que tem.
Eu ainda olhava para a tela quando a vi o canal mudar.
- , eu... – eu comecei dizendo, mas ela logo me interrompeu.
- Velha filha da mãe. – comentou baixo.
Decidi me manter calada apenas mexendo no cabelo dela, ela sempre odiou tocar no assunto daquela mulher. Nós sabíamos que gostava de Harry, mas ela não tinha raiva dela por estar com Harry, e sim porque seu pai namorava uma mulher mais jovem, e ela odiava com todas as suas forças essa situação.
- Sabe de uma coisa... – ela se pronunciou depois de um tempo – Para dissipar um pouco essa ansiedade, acho que podemos ‘almoçar’ – ela levantou os braços fazendo aspas em almoçar – em um lugar legal.
- Onde? – perguntei rapidamente.
Ela se manteve em silencio por um tempo, mas logo se pronunciou.
- Jura, que não sabe? – ela falou com a voz um pouco alterada. – Francamente, estamos em Londres à 4 dias, e até hoje ninguém sugeriu o obvio.
- Obvio?
Ela bufou.
- Milk-shake City.
Sorri pela capacidade de em lembrar de pequenos detalhes.
- Era obvio de mais. – comentei.
Ela gargalhou animada, e voltamos à atenção a TV, mas minutos depois escutamos se mexer no sofá adiante. Ela se sentou rapidamente e passou as mãos nos longos cabelos . Seus olhos pararam sobre nós, ela maneou a cabeça para o lado, nos analisando.
- Alguém disse Milk-shake?
virou o rosto para trás e nós duas começamos a rir descontroladamente.
É, tudo estava bem.

’s POV

- Uau. – ouvi ao meu lado. – Olha o tamanho disso. – olhamos para ela, que mantinha as mãos sobre a barriga. - Meu estomago já sabe onde estamos.
Rimos de e avançamos Milk-Shake City adentro. O lugar era enorme e ponto. Lotado e ponto. Maravilhoso e ponto.
- Eu quero um Milk-Shake. – disse puxando a manga da minha blusa. – AGORA.
Eu olhei para ela.
- Se gritar mais uma vez, eu te jogo dentro daquela maquina de Milk-Shake. – eu respondi entre os dentes.
Ela sorriu envergonhada e soltou minha blusa. , e já estavam um pouco a frente, segui até elas que pararam perto de uma gigante placa de sabores e etc. nos empurrou com rapidez e chegou perto da placa analisando cada sabor.
- Cara, tem Milk-Shake de Kit Kat. – disse com os olhos brilhando de excitação. – Ah, tem de Kinder Bueno. – disse animada.
- Ai Meu Deus. Kinder Bueno Branco. – se animou . – Já escolhi.
Eu já tinha certeza do meu pedido e também. Afastamos-nos da placa e seguimos até a pequena fila de pedido. Olhei para trás e vi ainda analisando a placa.
- Olha lá. provavelmente vai querer um de cada. – comentei fazendo as meninas rirem.
Afastei-me da fila e fui até .
- Já escolheu? – perguntei me aproximando.
Ela me olhou com aquele olhos mostrando total desespero e indecisão. Eu queria rir, mas só não fiz por consideração.
- Eu quero todos.
Suspirei cansada, já sabendo de como era.
- Olha, pega um de M&Ms. – eu apontei para o nome na placa, ela acompanhou meu dedo. – Você não gosta?
- Gosto.
- Então, pega ele. Se quiser outro depois, você volta e pede. O que acha?
concordou com a cabeça feliz e me abraçou. Logo escutei alguém nos chamando e virei na direção da meninas.
- Ei, já estamos pedindo, vão ficar ai de agarração ou vão vim pedir junto? – perguntou .
Sorri e me aproximei delas. Fizemos os pedidos, e não demorou muito para os Milk-Shake chegarem, logo fomos procurar uma mesa vaga para podermos sentar.
correu em direção a uma qualquer e sentou-se bebendo o Milk-shake com excitação. Quando nos aproximamos, rimos da cara de viajada que ela fazia.
- Ah, meu Santo Deus amado, isso é muito bom. – comentou apontando para o copo.
Rimos daquilo. sempre estava de bom humor.
- Quantas horas falta ? – perguntou rindo.
conferiu as horas no relógio de pulso.
- Falta exatamente 9 horas e 46 minutos para o show. – ela disse animada.
Suspiramos animadas e bebemos mais um gole do Milk-shake. Cara, aquilo era realmente bom.
Levantei meus olhos para e analisei suas expressões. Ela estava com os olhos tão arregalados, que eu não duvidaria se pudessem pular para fora. Seus cabelos que ela tentava prender em um coque bem arranjado, estavam agora tão atrapalhados, como se ela tivesse ficado com a cabeça para fora da janela do avião, do Brasil até aqui.
- O que aconteceu menina? – perguntou .
E então eu percebi que não era só eu que estava se assutando com aquela cara dela.
- Vocês não vão acreditar em nossa sorte. – ela disse com a voz vacilando.
Nós viramos todas juntas para trás, e meus olhos não acreditavam no que estavam vendo.

‘s POV

Eu podia sentir todos os poros do meu corpo explodirem de excitação. Eu queria quebrar aquela mesa, metralhar a cabeça de cada um que estava ali dentro daquele ambiente, eu queria correr, gritar, cantar, das cambalhotas, dar mortal para trás, fazer tudo. Porque eu podia sentir meu cérebro maquinando, e meus músculos enrijecerem, e também podia sentir uma confusão tão grande de sentimentos que eu poderia morrer por causa disso.
Ok, exagero, mas eu estava... insana.
Qual é? Era eles ali. Ali vindo na nossa direção, cada um com um copo de Milk-Shake, conversando e brincando como se fosse jovens comuns, sem nenhum talento especial. Eu podia sentir um alto e continuo apito na minha cabeça, avisando que eu estava Over Capacity. SIM, EU PODIA MORRER.
- Eu quero chorar. – eu escutei murmurar ao meu lado.
- Eu também, digníssima amiga, eu também. – respondi.
Meus olhos nãos paravam de acompanhar cada um deles, e eu só imaginava como séria a sensação de ficar próximo à eles. Eu havia dito para as meninas que quando encontrasse com eles, eu iria analisar a bunda do Lou, ou os lábios do Harry, mas ali, naquele momento crucial eu só que consegui sentir meu cérebro trabalhando furiosamente para tentar entender o que se passava.
- E o que a gente faz? – perguntou , olhei para suas mãos e vi o quanto ele tentava segurar o copo com firmeza, parecia um trabalho duro.
Eu suspirei cansada, pegando meu copo de Milk-shake, e usando todos meus truques teatrais, eu tentei não tremer ou vacilar na voz.
- Não sei vocês, mas não vou deixar essa oportunidade passar. – eu disse sorrindo levemente e me levantando.
Fui em direção a mesa deles, e olhei para trás, vendo as meninas boquiaberta, e logo atrás de mim vi uma correndo em minha direção. Sorri para ela, e passei meu braço sobre seu ombro.
- Não vamos perder essa. – ela disse baixo, passando a mão livre nos cabelos para ajeitá-los.
Eu podia sentir meu coração disparando a cada momento em que eu me aproximava da mesa. Eles não haviam notado a gente ainda, e ainda conversavam animadamente. Até que paramos ao lado de um animado Louis e sorrimos como duas patetas.
- Olá. – eu disse rapidamente, em inglês.
Vi todos aqueles olhos magníficos sendo direcionados para nós duas, eu podia morrer sob aqueles olhares, aqueles sorrisos, aquelas pessoas.
- Olá. – ouvi Louis dizer animado.
Engoli seco e tirei meus braços sobre o ombro de e dei um rápido gole no Milk-Shake.
- Então, vocês são a One Direction – eu disse. QUE IDIOTA, LOGICO QUE SÃO.
Vi Harry ri baixo, e o encarei sem o mínimo de expressão.
- Sim, somos. – disse Zayn sorrindo. Que sorriso é esse meu Deus?
- Desculpe pela pergunta idiota mais é que... – eu disse abaixando minha voz, e me curvando em direção a eles. – somos grandes fãs.
Vi os meninos sorrirem, menos Harry.
- Que ótimo. – comentou Liam animado. – Vejo que não são daqui.
- Não, somos brasileiras. – respondeu prontamente.
Vi Niall beber um pouco do Milk-shake e se engasgar.
- Brasileiras? – perguntou Niall animado.
- Sim. - sorriu. – Estamos de intercambio.
Vi Louis se virar mais um pouco para nós.
- Porque não sentam aqui conosco? – perguntou Louis.
ME SENTAR? ME SENTAR COM A ONE DIRECTION? VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA, EU QUERO MORRER, MEU DEUS DO CEU. ME SEGURA.
- Ãhn. – murmurei pensativa. – Não podemos deixar nossas amigas ali sozinhas. – eu disse apontando para as meninas na mesa adiante.
Todos acompanharam meu dedo e analisaram as meninas na outra mesa.
- São todas brasileiras? – perguntou Niall.
Tornei meus olhos para ele e sorri.
- Sim.- repondeu .
- Chame elas também. – pediu Liam.
Concordei com a cabeça e olhei para elas, fazendo um gesto com a mão, e assim como eu, Louis também fazia. Eu ri com aquilo, e podia ler nos lábios de algo dito como: É O LOUIS? O LOUIS ESTA CHAMANDO A GENTE? AI MEU DEUS, OLHA MEU CABELO, ESTA BOM?
Não demorou muito, para se aproximarem, e eu podia ver tremendo e ajeitando o cabelo com uma das mãos. Sorri com aquilo.
- Oi. – ouvi Louis, Zayn, Liam e Niall cumprimentarem as meninas.
Eu queria entender o motivo de Harry não ter dito nada até agora. Ele sempre pareceu animado em todos os vídeos que via deles.
- Sentem-se conosco? – perguntou Louis sorrindo meigamente.
- C-claro. – respondeu sorrindo.
Logo todos levantaram para buscarem cadeira para nós, menos Harry, que analisava atentamente o copo. De repente eu queria poder bater nele.
Não demorou muito para os garotos voltarem com as cadeiras. Zayn olhou para Harry e se afastou rapidamente voltando com mais uma. Nós sentamos ao redor da mesa, de um lado eu e as meninas e do outro os meninos. Meus olhos divagavam entre eles, mas Harry me atraia como um imã de 67 metros de circunferência. Eu analisava cada detalhe de seu rosto fino, seu nariz bem moldado e seus lábios vermelhos com tamanha precisão, como se eu quisesse gravar aquilo em algum lugar na minha mente. Mas ele não olhava para mim da maneira que eu queria, eu queria que ele me olhasse assim como eu fazia,eu queria aqueles olhos verdes sobre mim, mas ele permanecia mais interessado no copo de Milk-shake do que em qualquer coisa que estivesse acontecendo.
Eu passei a desgostar de Harry Styles naquele momento.

Harry’s POV

Eu podia sentir seus olhos sobre mim com tal intensidade, que eu não duvidaria se pudessem me corroer. Eu queria poder olhar, eu queria poder saber porquê ela me olhava de tal forma. Mas eu estava com raiva, algo dentro de mim ameaça explodir, como se eu estivesse tendo um big bang pessoal. Eu podia estar passando uma péssima impressão para aquelas meninas brasileira - que Niall ficou de repente interessado -, mas eu realmente não em importava.
Eu queria entender o motivo de estar daquela maneira, nunca havia visto aquela garota na minha vida. Nunca havia visto tão amendoados olhos de cor eu toda minha existência. Mas mesmo assim alguma coisa me dizia, para não olha-la, para não gostar dela. E eu me corroia por dentro, me corroia para saber se seus cabelos eram realmente tão como eu havia visto de longe.
Porque eu me sentia impotente? Porque eu me sentia um idiota ao ouvir aquele “olá” em um sotaque distinto para meus ouvidos?
Vai saber.
E foi quando Louis perguntou para alguém na mesa eu tornei minha atenção a conversa.
- E qual é o seu nome?
- O meu? – escutei sua risada envergonhada, era ela. – Meu nome é . – respondeu, sua voz resplendia como mil sinos.
E antes que eu pudesse pensar em algo, me peguei olhando para ela. E para o quanto parecia corada. Notei o quanto sua pele era levemente queimada de sol, e em suas bochechas rosadas, ela não fazia uso de maquiagem naquele momento, mas eu podia ver o quanto seus olhos se destacavam. Eu já havia me perdido naquela conversa, quando as outras meninas disseram seus nomes. E só aquele ecoava na minha cabeça. Aquele maldito nome.
E dessa vez ela não em olhava, parecia estará distraída rindo de algo com as meninas e os meninos.
- Porque o meu Harryzinho está tão caladinho? – escutei a voz de Louis ao meu lado.
Tornei meus olhos para ele.
- Só estou com dor de cabeça. – respondi rapidamente.
Vi Zayn ao lado de Louis arquear as sobrancelhas.
- Vou pegar um ar. – eu disse rapidamente me levantando.
Olhei para a garota dona dos olhos rapidamente. Ela me encarava com um ar assustado e meio indiferente.
Dei às costas à mesa e me afastei deixando o copo para trás. Sai do ambiente gelado para um pior ainda. Enrolei mais o casaco de neve em volta do meu corpo e me aproximei do meio fio e me sentei, sem me preocupar em molhar as calças.
Minha cabeça latejava. Apoiei minha cabeça entre as mãos e fiquei ali a analisar a neve que caia dos céus, quando meu celular tocou. Retirei o telefone entre os bolso do casaco e analisei o visor, sorri antes de atender.
- Filho.
- Oi mãe.
- Como está?
- Bem, e a senhora?
- Eu estou otima. – ela disse com a voz fraca. – Já estou indo ok? Você sabe nada de festas. Avise Zayn.
Gargalhei animado
- Tudo bem mãe.
- Não foi exatamente por isso que liguei.
- O que foi?
- O Louis me mandou uma mensagem dizendo que você estava esquisitinho, ele acha que você já está com saudades.
Louis. Sempre querendo envolver minha mãe nas coisas erradas.
- Estou mesmo. – menti o motivo.
- É só duas semanas passa rápido.
- Sim, passa.
- Eu te amo Harry. Fica bem.
- Eu também te amo mãe.
Então ela desligou o telefone me deixando sozinho novamente naquela calçada fria. Suspirei resignado.
Eu não vou mais encontrar com ela. Não ia mais, foi só um dia, esse sentimento de raiva logo passa.
perturbava meus pensamentos de forma arrasadora, e algo em minha consciência dizia para não gostar dela, e de uma forma estranha eu preferi seguir o caminho mais difícil, o de não gostar dela.


Chapter III

Liam’s POV

Sentei-me ao lado de Louis para analisar aquela discussão que ocorria a minha frente. Queria entender o motivo de Harry ter se tornado tão idiota e emburrado em menos de dois minutos. E era exatamente sobre isso que Zayn tentava saber ao se sentar na poltrona mais adiante.
- Por que em nome de Deus, você agiu como o completo idiota... – ele parou por alguns instantes. – que você é?
Harry riu debochado e mudou mais uma vez o canal da TV, suas pernas e cabeça estavam apoiadas no braço da poltrona. Eu não conseguia entender como alguém conseguia ficar confortável naquela posição.
- Quero dizer, você é idiota sempre, mas não na frente de garotas. – continuou.
Niall se aproximou de nós com uma tigela em uma das mãos e um garfo na outra.
- Quem fez isso? – perguntou com a boca cheia.
- Eu fiz ontem à noite. – eu disse tentando não rir, sabendo que aquilo não estava nada bom.
- Cara, - engoliu uma boa parte da macarronada e continuou. – isso está com gosto de queimado.
Louis jogou a almofada para cima e tornou a pega-la com as duas mãos, um ato que adquiriu para se distrair, e que me fez explicar para minha mãe diversas vezes porque aquele adorno dela estava quebrado.
- Então não come NiNi. – disse, jogando mais uma vez a almofada.
- Eu estou com fome. – rebateu sentando-se no braço do sofá onde eu e Louis estávamos.
- Você tomou dois Milk-shakes com aquela garota e ainda está com fome? – perguntei transtornado.
- A roupa do show de hoje não vai entrar Ni. – disse Louis.
Niall deu de ombros e continuou comendo. Tornei meus olhos para a discussão a minha frente a qual havia sido interrompida pela aproximação de Niall.
Harry mudava o canal com mais freqüência e Zayn o observava emburrado.
- Isso não parece saudade da mamãe. – Louis comentou, enquanto via a almofada cair em suas mãos.
Harry encarou Louis e sorriu meigamente.
- Eu só não estou me sentindo bem meu amor. – disse baixo.
- Você estava bem antes daquelas garotas aparecerem. – Zayn insistiu.
- Você não tem preconceito contra brasileiras tem? – Niall parecia ofendido. – Quer dizer, elas são lindas, pele bronzeada, sotaque sensual, cabelos sedosos...
- Niall, por Deus. – pedi colocando as mãos sobre as têmporas.
- Por que insistem tanto nisso? – Harry disse meio transtornado.
Retirei minhas mãos das têmporas e voltei meus olhos para Harry. Ele encarava cada um de nós com uma intensidade tão grande que eu não duvidaria se pudessem sair raios laser de seus olhos verdes. Ele suspirou irritado passando uma das mãos no cabelo escuro e voltou a encarar a TV.
- Insistimos, porque ser educado não matou ninguém até hoje. – rebateu Zayn.
- Nunca mais vamos vê-las.
Ouve um silencio mínimo, mas logo a risada de Zayn invadiu o ambiente com uma atrocidade hilariante.
Harry encarou Zayn totalmente confuso. Seus olhos divagavam entre nós e Zayn procurando uma maneira de entender aquela risada.
- Aí que você se engana colega. – disse Zayn depois de se acalmar. – Elas estarão no show hoje a noite, e tem passe livre para camarim.
Os olhos de Harry se arregalaram um pouco. Havia um contanto energético e cheio de duvidas entre os dois. Sua respiração se tornou barulhenta e eu podia ver o rosto de Harry ir tomando aos poucos uma coloração vermelha.
Então, ele se levantou de chofre e jogou o controle sobre a poltrona e seguiu caminho até a varanda.
- O que deu no Harry hoje? – perguntou Niall enquanto dava mais uma garfada no macarrão.
Zayn colocou uma das mãos na têmpora esquerda e nos encarou cansado. Se eu conhecia bem Zayn, ele estava nervoso por não entender o que acontecia, e não sossegaria ate descobrir porque Harry agia daquela forma.
- Deixe ele lá. – comentei. – Vai saber o que se passa naquela cabeça oca.
Zayn balançou a cabeça em descrença e voltou os olhos para a TV.
- Gente, andei pensando... – começou Louis enquanto jogava pela milésima vez a almofada aos ares. – será que ele não está irritado por conta do “caso Caroline”? – ele fez as aspas no ar.
Niall deixou a tigela sobre a mesinha ao lado do sofá, acabou de mastigar o resto da macarronada e nos encarou quase sério, um olhar que de nada combinava com sua personalidade eufórica.
- Acredito que não Lou. Sabemos que Harry está farto de ter que continuar aquele ‘relacionamento’. Quero dizer, há quanto tempo ele ainda finge estar com ela por que gosta?
Louis concordou com a cabeça e voltou a jogar a almofada.
- Simon não aprova aquilo, sabemos que Harry só estava fazendo isso porque ele gostava de Caroline, mas agora ele não sente nada por ela. – eu disse analisando a situação. – Quando Caroline chegou até Harry e disse que precisava de um alarde no mundo da fofoca para poder fazer com que ela voltasse a aparecer, ele aceitou a situação na boa, porque tem o coração mole. Só que agora ela só está aproveitando a situação de namorar um jovem 15 anos mais novo que ela.
- E você só disse o que sabemos. – disse um Louis desanimado.
Olhei para Louis e mantive meus olhos sobre ele sem entender por que fazia isso. A sala se manteve em um silencio continuo até que Zayn se pronunciou.
- Só queria entender o que se passa com ele. Ele não é de agir assim.
Concordamos todos com a cabeça.
Assustei-me ao sentir meu celular vibrar em um de meus bolsos traseiros, ajeitei-me no sofá para poder retira-lo. Fiquei ansioso ao olhar o visor, mas algo dentro de mim se dissolveu ao ver o nome de Danielle.
Era uma mensagem, e essa dizia: “Amor, desculpe, mas hoje é aniversario da minha prima, e por isso não poderei ir ao show. Espero que esteja tudo bem para você. Beijos” Bloqueie a tela e joguei o celular no meu colo. Não estava com vontade de responder e bem, de alguma forma estranha eu me senti aliviado por ela não ir hoje.

’s POV

era de gritar, mas hoje a gritaria se tornou mais intensa e com um motivo mais animador do que de qualquer grito que já tenha dado nos seus curtos 18 anos de vida. Nós havíamos conhecido a One Direction, e bem, passado um tempo legal com eles.
Qual é? Sentamos-nos na mesma mesa, conversamos como velhos amigos e zuamos com o topete de Zayn. Não era sem motivo que seu grito tinha se tornamos mais alto e mais... vamos dizer, insuportável.
Eu podia ver contando até dez para não acabar com a graça de e podia ver e dançando em círculos no meio da sala, gritando coisas como: “Conhecemos eles” ou “Vamos vê-los de novo” ou “Falta exatamente 3 horas e 23 minutos para o show de nossas vidas”.
Ri com aquilo e me encolhi mais no sofá, apertando o casaco com mais força ao redor de meu corpo, afinal nevava, e por mais que o aquecedor estivesse ligado, a sensação térmica ainda nos incomodava.
- Daqui a pouco podemos trocar de roupa. - jogou seu corpo com força ao meu lado no sofá.
- Pelo amor de Deus garota. - se aproximou de nós por trás do sofá. – Falta 3 horas ainda.
- São ingressos VIP . Relaxa. – comentou se sentando daquela maneira desconfortável em uma das poltronas.
Só então eu havia percebido que já não gritava mais e mastigava algo enquanto sentada na poltrona adiante.
- O que está comendo? – perguntei curiosa.
- Balinhas. Quando fui comprar mais Milk-Shake, Niall me deu essas – ela disse apontando para a caixinha. -, garantiu que eram muito boas.
- Oferecer que é bom mesmo, nada né? – sempre irônica, se pronunciou.
- Aceitam? - ergueu a caixinha em nossa direção.
- Não, obrigada. – respondemos em uníssono, inclusive .
A sala se manteve em um silencio nada incomodo, enquanto nós pensávamos em algo. Tentei não sorrir idiotamente quando me peguei pensando em uma risada especifica e em um sorriso especifico. Não queria parecer idiota, afinal só havia o conhecido de verdade hoje.
- O que vocês acharam dos meninos afinal? – disse por fim se sentando no braço do sofá.
Suspirei ao ser tirada de meus devaneios e encarei .
- Achei todos muito lindos. – comentou , completando depois com uma risadinha.
- Eles são mais lindos e simpáticos pessoalmente. - disse.
- Menos um. - disse baixo, mas mesmo assim escutamos.
- Do que está falando? – perguntei desatenta ao assunto, tornando meus olhos para ela. Ela suspirou cansada e passou as mãos no cabelo.
- Vocês não viram o quanto Harry é estranho? – ela perguntou. – Não conversou com a gente e logo depois saiu, e nem voltou mais.
- Talvez ele só estivesse cansado . Eles fazem shows toda noite. – comentou .
- Não, não é isso. – ela disse pensando por um pouco. – Ele nem se quer olhou para nossa cara. - E você queria que ele ficasse te encarando? Que constrangedor. – ri baixo.
- Não é... bem, sim eu queria. – ela disse, mas logo parou. – Quero dizer... não me encarar, mas apenas olhar sabe? Fingir ser simpático.
- Ele às vezes só estava cansado mesmo.
- Se ele está os outros também estão... Quer dizer, eles são uma banda, cantam na mesma hora, fazem os mesmo shows, acordam todos juntos... Harry não parecia... “cansado” – ela fez aspas no ar. – Ele parecia, na verdade, puto.
- E deu tempo de reparar nisso tudo? – perguntou - O maximo que consegui reparar foi no quanto Niall parecia feliz de encontrar alguém que estivesse afim de outro Milk-Shake.
Rimos todas juntas.
- Você viram o quanto Zayn tem um sorriso encantador? – perguntou - Eu podia sentir meus órgãos derretendo a cada sorriso.
- E alguém reparou que Louis tem o nariz meio alaranjado? – perguntou . – Lembram na aula de biologia? Quando a velha disse que comer cenoura de mais pode deixar a pele facial alaranjada?
Gargalhamos com aquilo. Francamente como conseguiam reparar tanto nisso?
- Repararam o quanto Harry é emburrado? Por Deus. - resmungou baixo.
- Aaaaaaaah! – fizemos juntas.
- Ela ficou putinha. – comentou .
resmungou algumas palavras e se levantou da poltrona indo até o banheiro.
- O que você vai fazer lá? - perguntou para que já se posicionava na porta, pronta para entrar. - Vou fazer xixi. – ela disse baixo e entrou.
suspirou e olhou para mim.
- E você o que reparou? – perguntou.
Senti meu rosto tomando uma coloração vermelha.
- Nada, não reparei nada.
- E meu nome é Idiota. - resmungou. – Conta logo que você ficou doida pra passar a mão no cabelinho do Liam.
Ri sem graça.
- Logico que não, piraram? – eu disse resignada. – Ele tem namorada.
- E quem disse que passar a mão no cabelo é atiçar o menino? - indagou.
- Por Deus parem com isso. – pedi.
- Ok. - falou rindo baixo depois. – Só paro porque arrancar algo de você é como esperar que eu escale o monte Everest.
Ficamos em silencio por alguns minutos. Porque elas pensavam que realmente queria passsar as mãos no cabelo de Liam? Não que eu não quisesse, eu queria, realmente, mas a chance de que isso venha a acontecer era quase nula.
suspirou.
- Acho que vou subir e separar uma roupa.
- É, eu também. - comentou levantando em um pulo. – Posso sentir meu coração se acelerando a cada minuto que passa.
se levantou do braço do sofá e ajeitou o casaco. - Calma ai mocinha. Não quero ter que chamar ambulância pra ninguém. – ela disse rindo.
mostrou língua para ela e subiu a escada correndo com no seu encalço.
- Sabe no que eu estava pensando? – disse uma enquanto sai do banheiro.
- Cara, você pensa enquanto está fazendo xixi? – perguntei.
Ela revirou os olhos e se aproximou de nós.
- Sim, eu penso. – ela disse passando uma das mãos nos cabelos . – Sabe, o Harry ficou feio pra mim.
- Ah, nem vem. – disse se afastando se subindo as escadas. – Esquece esse garoto.
E dizendo isso ela sumiu no andar de cima.
- Você está ficando obcecada com isso , você nã-
- Por Deus! Obcecada? – ela estava quase histérica. – Eu só pensei que eu podia discutir esse caso com minhas amigas. Mas agora eu estou sendo julgada como obcecada?
- Não foi isso que eu quis dizer. – eu disse levantando e me aproximando dela. – Só estou dizendo que talvez ele não estivesse bem por algo, hoje a noite, quem sabe, ele não esteja melhor.
Ela suspirou cansada e largou as mãos ao lado do corpo.
- É quem sabe.
Aproximei-me mais dela e passei um de meus braços sobre seu ombro.
- Vamos escolher as roupas? – eu perguntei enquanto a guiava escada a cima.
Ela concordou com a cabeça e subimos a escada em silencio. Ao chegar no andar de cima eu a soltei e segui até a porta do meu quarto. Ela seguiu até o dela, uma porta depois do meu. Abri a porta e quando fiz menção de entrar, escutei me chamando.
- – ela disse baixo, talvez não quisesse que as meninas escutassem. Ela estava com uma das mãos na maçaneta e não me olhava, e sim encarava sua mão. – E se o problema for comigo? E se eu for chata de mais, e ele só não quis demonstrar isso? Ou talvez... ele me acha gorda.
Eu sorri. Como ela era insistente.
- Porque você está tão preocupada em agradar ele?
Ela suspirou encostando a testa na porta.
- Não estou preocupada. – ela abaixou a voz, estava quase melancólica. – Entenda , eu estou confusa. Aquele Harry que a gente via em vídeos, era tudo mentira? Quer dizer, quem é Harry Styles? Um grosso, mal educado e sem humor nenhum?
Ela ainda estava encostada na porta, sua voz saiu um pouco abafada. Suspirei cansada.
- Você não é chata, e no mais, ele nem te conhece. Você encontrou com ele hoje pela primeira vez na vida, que conclusão vocês dois podem tirar disso? – eu disse encostando na entrada do quarto.- Você não é gorda , quantas vezes teremos que dizer que você é perfeita? E também, não se mate por isso, nos vamos encontrar com eles hoje a noite e bem, quem sabe ele não melhore o humor? Relaxa.
Ela concordou com a cabeça e se afastou da porta, respirou fundo e ajeitou a coluna.
- É você está certa.
E dizendo isso ela entrou de uma vez no quarto e fechou a porta. Suspirei cansada, adentrei o quarto e fechei a porta atrás de mim.
Eu não queria admitir, ainda mais para , mas Harry Styles estava realmente estranho. Tudo bem, tudo que eu queria era vê feliz, após encontrar com os garotos, mas todas nós sabíamos que sempre se afeiçoou mais com Harry, por mais que não conhecesse ele pessoalmente, mas admitir para ela que ele estava realmente estranho só pioraria seu humor. Era melhor deixa-la pensar que ela estava imaginando coisas, do que admitir algo que parecia doloroso de mais para ela.
Fui até o guarda-roupa e procurei por uma roupa qualquer. Enquanto procurava eu não podia deixar de pensar em todos os acontecimentos daquele dia. Nós éramos realmente sortudas. Poxa, ganhamos uma viajem para a Inglaterra, o pai de nos deu ingressos VIP para o show e passes para camarim, e bem, conhecemos os meninos por pura coincidência do destino. Eu não conseguia pensar em sorte maior do que essa.
Eu tinhas 18 anos, e nesses meus curtos anos de vida eu nunca me senti tão... realizada? É essa a palavra? Acho que sim, era uma sensação tão boa, tão distinta de tudo que eu já havia vivenciado antes. Não sei se seria possível transmitir para palavras. Era algo de extrema dificuldade de explicação.
Retirei um casaco do guarda-roupa e o joguei sobre a cama.
Estávamos prestes a realizar nosso maior sonho.

- Ai que frio. – escutei a voz melancólica de ao meu lado.
Tornei meus olhos para ela, que enrolava os braços ao redor do corpo, em uma tentativa fula de tentar se esquentar do vento frio e da fina neve que caia dos céus.
- Eu disse para colocar um casaco mais quente. - resmungou.
- Eu.Não.Quis. - rebateu pausadamente. – Vamos pular e suar, para que vir encapotada? E alem do mais, é em um lugar fechado...
- Então.Não.Reclama. - disse pausadamente também.
- Por favor não estraguem esse momento. - reclamou enquanto avançávamos na pequena fila de 5 pessoas. – Olhe, acabamos de descobrir que a seção VIP só tem 10 pessoas. Não estraguem essa minha felicidade.
- Onde será nossos acentos hein? – perguntou que até aquele momento não havia se pronunciado.
- Esse palco é diferente . – disse se virando para trás e a encarando docemente – Quando conversei com a mulher da bilheteria ali, ela disse que não vai haver a passarela em T, e sim ela fará um circulo ao redor dos nossos acentos e dessas outras cinco meninas. Quero dizer, vamos ficar no meio do palco. – a ultima frase ela falou quase histérica.
- Vai ter comida certo? – perguntou .
Rimos juntas, apenas sorriu para nos.
Apertei mais o casaco ao redor do corpo e olhei para que se mantinha forte para não demonstrar estar com frio apenas com o suéter.
- Seus ingressos, por favor. – ouvi a voz grossa do segurança se dirigir à nos.
que estava mais a frente virou para trás, e sorriu.
- Preparadas para gritar muito? – perguntou.
Gargalhamos todas juntas e entregamos os ingressos para o segurança. Quando esse acabou de analisá-lo com a maquina, nos sorriu.
- Sigam direto e entrem em um corredor, é meio escuro, mas é curto. – disse nos devolvendo. – Tenha um ótimo show.
Adentramos o local indicado, e eu podia escutar o meu coração e o das meninas disparando. Caminhamos de mãos dadas até o caminho que indicava os acentos VIP.
- Preparadas para o melhor dia de nossas vidas? - perguntou se virando para trás.
Concordamos com a cabeça e entramos em um corredor escuro que passava por debaixo do palco e levava até o centro.
Minha visão foi cegada pela escuridão e seguíamos a luz no final do pequeno corredor, ao se aproximar podíamos ouvir a gritaria dos fãs e todas as musicas que cantavam em coro. Saímos todas juntas e nos deparamos em uma área media com dez acentos e duas mesas, um open bar e um banheiro debaixo do palco.
- Cara isso é de mais. - disse eufórica. – Seu pai realmente superou essa, .
As outras cinco garotas já estava lá, pareciam ser amigas também, pareciam animadas, mas não tanto quanto nós.
Direcionamo-nos para a outra mesa.
- Olhe esse palco. – disse se aproximando mais. – Dá para ver com perfeição do começo ao fim.
- Você terá uma boa visão do Harry. - comentou. encarou ela e se afastou indo até o bar.
- ! – ralhou .
- Ah, qual é? Não pode nem brincar mais.
balançou a cabeça em descrença e foi até .
- Não precisava ter dito isso . – eu disse deixando minha bolsa em uma das cadeiras.
- Ok, desculpem-me então. – ela disse jogando as mãos ao ar.
- Eu vou poder gritar né? – disse - Quero dizer, sem que ninguém me bata ou me ameace por isso. – ela mandou um olhar significativo para . Ela sorriu em resposta e a abraçou.
E foi quando elas fizeram isso eu vi as luzes se apagando aos poucos. A gritaria foi maior, também gritava. Senti e se aproximando.
- É agora meninas. – disse , deixando o copo de refrigerante sobre a mesa.
Ela nos pegou pelo ombros e nos demos um abraço em grupo, como costumávamos fazer quando algo importante acontecia.
- Só agradeço de estar dividindo isso com as melhores pessoas do mundo. – eu disse tentando segurar as lágrimas que insistiam em cair de meus olhos.
- Awwwn. – elas grunhiram em uníssono.
- Vou morder você . - disse apertando minhas bochechas.
Gargalhei da cara dela.
- Ei, solte ela. – disse empurrando e me abraçando.
Sorrimos umas pra outras e nós abraçamos de novo.
Não podíamos acreditar no que estava prestes a acontecer e foi quando todas as luzes apagaram e a gritaria aumentou, eu senti meus olhos arderem e minhas pernas bambearem.

Zayn’s POV

Tudo bem que eram fãs, mas por Deus, como conseguiam ser tão entediantes?
Coloquei o peso do meu corpo no outro pé pela milésima vez. Eu só queria sentar, fazer um show de duas horas foi cansativo, mas lá estávamos nós cinco, conversando com cinco garotas totalmente sem sal e sem humor nenhum.
Olhei de relance para meus colegas e assim como eu eles estavam olhando com desanimo para as garotas.
Qual era o nome delas mesmo?
Eu só queria na verdade passar boa impressão para elas, mas era difícil quando elas não ajudavam nisso.
E foi quando eu pensei que eu podia cair duro no chão de tédio, um dos seguranças entrou no camarim e disse que o tempo delas havia acabado e que havia outras garotas para poder entrar. As ultimas.
Tentei não sorrir com aquilo. Eu sabia quem eram elas, e os meninos também sabiam disso. Quando a porta foi aberta me vi olhando para as cinco brasileiras que havíamos encontrado hoje mais cedo.
Elas eram realmente divertidas, ter passando um tempo, mesmo que curto com elas hoje mais cedo foi divertido. Não só para mim, mas para os garotos também.
- E aqui estamos nós juntos de novo. – comentou , nos fazendo rir.
Sua face tornou uma coloração vermelha, e ela passou uma das mãos nos cabelos .
- Show incrível meninos. - disse animada.
- Obrigado. É sempre um prazer agradar fãs como vocês. – Louis sempre idiota.
Ri pelo nariz com aquilo.
- Sem querer ser chata, mas imagino eu que vocês estejam varados para colar a bunda em algum lugar. - disse rindo.
- Ah. – Niall disse aliviado e se sentou no sofá com desleixo. – Obrigado por entender isso.
Elas gargalharam animadas, enquanto Louis e Liam iam até o sofá e se sentavam, eu e Harry não nos incomodamos de sentar no chão.
- E se não se incomodarem também, eu estou varada por colar minha bunda nesse carpete. – disse se aproximando de nos e se sentando no chão.
Rimos-nos juntos e as meninas se direcionaram para se sentar próximo a nos. Enquanto eu via elas se aproximarem eu escutei a pequena discussão entre Louis e Niall, que implorava para Louis ir buscar uma balinha pra ele na mesa de doces. Balancei minha cabeça em descrença me divertindo com aquele momento.
Tornei meus olhos para as meninas e vi se aproximar de mim com cautela. Ela sorriu meigamente e olhou para o espaço vago ao meu lado.
- Posso? – perguntou baixo.
Eu sorri da melhor maneira que podia e me afastei alguns centímetros para mostrar que podia. Seu sorriso se alargou em resposta e ela se abaixou sentando ao meu lado.
E assim que o fez eu fui atingindo por algo que me deixou desatento por alguns segundos. Seu perfume, ou algo assim exalava dela com tamanha intensidade que o desejo de tê-la sentada do meu lado se tornou maior.
Havia algo naquele cheiro que me remetia a algo antigo, me lembrava algo bom, me dava uma sensação boa. Seus longos cabelos estavam presos em um rabo de cavalo bem arranjado, o que a deixava mais bonita, dando uma grande ressaltada em seus olhos .
Desviei meus olhos dela sabendo o quanto aquilo podia ser incomodo para ela, e foi quando fiz isso eu vi mandando sinais silenciosos para , ela parecia desesperada, tentei entender o que se passava ali, enquanto via cruzar os braços e balançar a cabeça em reprovação. tentava convencê-la a parar com aquilo, mas ela se recusava a fazer o que quer que tivesse que fazer. Eu estava atento a aqueles códigos ansioso para descobrir o que acontecia, enquanto os meninos e as garotas conversavam animadamente.
E só então eu percebi que alguém ali sabia o que acontecia entre as duas.
- Eu não mordo. – falou Harry baixo, olhando para .
Todos na sala se calaram com a fala de Harry, por mais baixo que tenha sido dito, todos nós ouvimos.
- Com essa cara de merda sua eu não duvido nada. – rebateu ela jogando os braços ao lado do corpo.
Harry revirou os olhos e apoiou o queixo sobre os joelhos e a encarou estranhamente. Ela suspirou resignada e se sentou ao lado dele sem nem ao menos o olhar. Encarei Harry do outro lado da sala e vi o quanto parecia emburrado com aquilo, era a mesma expressão que carregava hoje mais cedo na Milk-Shake City.
se aproximou e sentou ao lado de .
Ficamos em um curto silencio até que se levantou do nada e se afastou até a mesa de doces.
- Se importam? – perguntou olhando para nós com um sorriso singelo.
Rimos juntos.
- Claro que não. – Liam disse rindo.
Ela sorriu para Liam e se virou para a mesa escolhendo um doce.
- Seria pedir de mais, você pegar um pra mim também? – Niall pediu com a voz baixa.
- Como você é folgado Nini. – Louis comentou pegando uma das almofadas do sofá e jogando para o alto.
- Não, eu sou um homem faminto e cansado. – ele disse levantando o indicador em riste para o teto.
Logo se aproximou e entregou uma mão cheia de doces para Niall, ele sorriu em resposta e ela se afastou tímida até o lugar onde estava antes.
- Obrigado .
Ela se sentou no chão ao lado de e escolheu uma bala em sua mão. Olhou para Niall e sorriu meigamente.
- Por favor, me chame de , é melhor. – ela disse piscando.
- Tudo bem . – Niall respondeu escolhendo uma das balas que ‘’ havia entregado a ele.
O silencio dominou a sala e eu tentei ao máximo não desviar meus olhos para ao meu lado. Mas o perfume que ela me exalava estava me enlouquecendo.
- Tudo bem, o que vamos fazer? – se pronunciou. – Ficar olhando um pra cara do outro aqui não está dando nada certo.
- O que quer fazer? – perguntou Liam.
- Sei lá. Vocês tem algum violão aqui ou não? – perguntou ela. – Podemos nos divertir um pouquinho, ou preferem jogar verdade ou conseqüência? – ela disse rindo da ultima brincadeira. – Certo, estou brincando, eu só quero me divertir com o violão.
Apoiei minhas mãos atrás do corpo e olhei para o teto.
- Não temos não. – eu disse. – Mas a casa de Harry é perto daqui.
Harry levantou os olhos para mim.
- E o que tem? – ele perguntou sério.
- E o que tem, é que sua mãe está na casa de seus avós e sua casa está livre. – eu respondi como se fosse obvio. – E alem do mais, nossos carros estão lá.
- Não sem chance. Minha mãe disse nada de festas. – rebateu.
- Não vamos destruir sua casa. - disse meio revoltada. – Alem do mais, eu não vou para um lugar onde alguém não nos deseja lá.
- Pelo amor de Deus , deixa de ser emburrada. - disse olhando com censura para a amiga.
- É deixa de ser emburrada. – Louis imitou enquanto segurava a almofada na mão.
mostrou língua para Louis e mexeu no cabelo com uma das mãos. Ele devolveu o gesto.
- Ah, qual é Harryzinho. – Louis disse jogando a almofado pro ar. – É só uma social.
Ficamos em silencio enquanto Harry brincava com um papel de bala. Ele levantou os olhos e encarou Louis com cansaço.
- Tudo bem.
Batemos palmas todos juntos e nos levantamos. Harry demorou a levantar, mas logo o fez e se afastou buscando o casaco e as chaves de casa.
Limpei minha calça, e conferi se meu topete estava ok, quando vi me olhar de maneira engraçada. Olhei para ela, e mantivemos esse contato por um tempo, até que ela riu pelo nariz.
- O que foi? – perguntei.
- Você e seu topete. – disse colocando as mãos no bolso da frente da calça.
- Você não gosta? – indaguei sem entender o porquê de querer saber aquilo.
- Pirou? Eu amo isso – ela disse apontando para minha cabeça. -, mas eu pensava que era só invenção, essa sua obsessão por ele.
Eu gargalhei baixo.
- Eu realmente amo ele. – eu disse passando a mão de leve no topete.
Ela riu e ficou me encarando. Eu iria achar aquele comportamento estranho se fosse com outra pessoa, mas naquele momento de estranho mesmo eu só achava a atitude de Harry.
- Posso tocar? – ela perguntou de repente.
Eu a encarei mais intensamente dessa vez, ela levantou uma das sobrancelhas. Ela era bonita, alias muito bonita, e por mais estranha que eu tivesse achado aquela atitude de querer tocar no meu topete, eu havia gostado.
- Pode – eu disse me aproximando. -, mas com cuidado .
- Não me chama de , por favor. Odeio meu nome. Prefiro que me chame de . – ela disse rubra.
- Ok, . Pode tocar.
Ela gargalhou baixo e levantou uma das mãos indo de encontro com meu topete. Ia devagar, com medo de estragar, mas aquela tensão estava me matando. E foi quando me vi pegando em sua mão e guiando até meu cabelo, que ela me olhou assustada, ao sentir o contato entre nossas peles.
Levei sua pequena mão até meu topete, ela tocou levemente e logo depois desvencilhou sua mão da minha.
- Vamos? – perguntou Liam, mais adiante.
Senti-me saindo de um transe. Eu ainda encarava se afastar indo se juntar com as amigas.
- Vamos logo Zaza. – Louis disse colocando uma das mãos em minhas costas e me guiando até a porta.
Eu concordei com a cabeça e segui caminho até a saída. Porque de repente eu senti que muito ia acontecer daqui a diante?

Harry’s POV

Eu estava com raiva. Com vontade de bater em alguém. Eu queria... eu queria comprar briga com a primeira pessoa que aparecesse. Na verdade, eu queria briga com uma única pessoa.
Enquanto nos dirigíamos até a minha casa, vários pensamentos assassinos circundavam minha cabeça. Tentei não gargalhar malevolamente enquanto estávamos no ônibus, ou mostrar o ‘pai de todos’ para Zayn que insistia em me mandar olhares mortíferos.
O motorista nos deixou na entrada que havia atrás do meu prédio, alegando ter algumas fãs desesperadas na frontal do prédio. Sempre íamos até elas e cumprimentávamos e etc e tal... Mas, agora imagine nos, descendo do ônibus da Turnê com mias cinco garotas. O que isso ia dar? ‘Orgia na casa de Styles’?
Segui até o elevador segurando o botão para manter a porta aberta até todos entrarem. Afastei-me até o fundo e vi Louis apertando o andar.
Não demorou muito para escutarmos o apito alto e chato que avisava estarmos no andar indicado.
- Me jogue a chave Harry. – pediu Liam.
Eu joguei a chave em sua mão, ele a recolheu e se afastou até a porta do apartamento, com as meninas em seu encalço. Vi uma cascata de cabelos desaparecer entre elas, me fazendo perguntar porque eu ainda não adquiri uma arma de eletro choque.
- Porque esta assim meu amorzinho? – Louis perguntou próximo de mim. Eu tornei meus olhos pra ele.
- Assim como? Eu estou normal. – rebati.
- Pois é, esse é o problema. Normal. – ele disse rindo para o chão. – Você diariamente não é normal.
Ri com aquilo e segui até o apartamento. Os meninos estavam dispersos no ambiente. Niall estava se direcionando para a cozinha, Zayn ligava a lareira e Liam estava indo pegar o violão, acredito eu, enquanto as meninas estavam em um canto, conversando em uma roda.
Passei pro elas, constatando que eu não entendia uma palavra se quer dita por elas e fui de encontro ao sofá menor, me sentando despreocupadamente. Logo Liam voltou com dois violões. Ele se aproximou das garotas, que se dispersaram para dar espaço a Liam. Ele sorriu para elas e entregou um pra . Ela sorriu em resposta.
- Sabe tocar? – perguntou Liam.
- Sei. – ela disse sorrindo, então ela tornou os olhos para mim. – Posso tocar?
Dei de ombros.
- Eu disse que não pode? – rebati.
- Não, mas se continuar com essa cara eu vou ficar com medo de respirar o mesmo ar que você. – ela disse se aproximando e sentando ao meu lado. – Parece que me repugna.
- Porque insiste em falar da minha cara? – perguntei
- Porque todas as duas vezes que eu te encontrei, você está assim, com cara de poucos amigos.
Ri pelo nariz e a encarei, assim como ela fazia. Por um momento eu queria entender por que eu não gostava dela. Afinal, o que ela havia me feito?
Aquele sentimento quente e resplandecente que dominava meu ser ao ver aqueles olhos em contato com os meus. Julgava aquilo como algo ruim, como algo... algo, não saudável. Por isso eu não gostava dela.
Eu não gostava da forma como era espontânea e extrovertida, não gostava de como parecia ser singela e inocente, não gostava de como passava as mãos nos cabelos como uma mania, não gostava de como parecia não saber o efeito que suas palavras podiam causar... E então eu percebi porque eu não gostava dela afinal, ela era mais parecida comigo do que eu imaginava.
Ter aquele tipo de certeza e duvida me circundando, e me dando fortes cutucadas, me dava náuseas, me dava raiva.
Seus olhos me analisavam com cuidado, me perguntei o que ela pensava enquanto fazia isso.
- O que foi? – perguntei, quase bravo.
- Nada. – ela disse baixo e desviou os olhos.
Eu me irritei com aquilo, me irritei por ela ter desviado os olhos do meu rosto. Continuei a encarando, esperando um outro contato, um suspirou ou quem sabe um som de vômito. Mas nada surgiu, apenas o abafado som que o violão fazia enquanto seus dedos brincavam com suas cordas.
Encostei minhas costas no encosto do sofá.
- E por acaso sabe cantar? – perguntei.
Ela parou o que fazia e levantou a cabeça, mas mesmo assim evitando me encarar.
- Todo mundo sabe cantar. – rebateu. – Basta saber se é bom ou não.
- Você é boa? – perguntei cruzando os braços.
Ela suspirou cansada e olhou para onde as meninas estavam em pé conversando.
- Porque não me diz você?
- Se você decidir cantar, talvez eu julgue.
- Julgar é para os fracos. – ela disse sorrindo.
- E ser mal educada é para quem? – eu perguntei, querendo saber na verdade, porque evitava me olhar.
- Para os grossos, como você.
- Não sou grosso. – resmunguei.
- Não, claro que não. Só é mal-educado, sem educação, sem graça...
- Não sou isso tudo. – respondi, me sentindo um pouco ofendido.
- Claro que não. Você é pior.
Ela tornou os olhos para mim. Havia algo ali, um brilho a mais. Será que estava prestes a chorar?
- Você não me conhece.
- Otimo, agradeço por isso.
Então se virou novamente e encarou Zayn que se aproximava de nós, depois de já ter acendido a lareira, eu ainda a encarava, esperando ela dar continuação a nossa discussão.
- Já estão brigando? – perguntou Zayn.
Desviei meus olhos para ele que se sentava no sofá mais adiante, logo depois as meninas se aproximaram e sentaram algumas no sofá outras no chão.
- Não estávamos brigando. - disse como se falasse do tempo. – Só estava dizendo o quanto Harry é educado e tudo mais.
- Ironia faz parte do seu vocabulário também? – perguntei.
- Sim, e sarcasmo também. – ela respondeu, sem ainda me olhar.
Niall se aproximou de nós com o telefone sem fio de casa em uma das mãos. Parou próximo ao sofá onde eu e estávamos.
- Vamos pedir comida? – perguntou animado.
se levantou do sofá.
- Vamos por favor. – disse indo em direção do Niall. – Quero comida chinesa.
- Quero pizza. – Louis disse se aproximando.
- Vou com na chinesa. – Liam respondeu se sentando no chão ao lado de e ajeitando o violão no colo.
- Ok, pedimos os dois. – disse Niall se afastando com em seu encalço.
Olhamos um para a cara dos outros, e mantivermos em silencio por um tempo. Até que dedilhou algumas notas no violão.
- O que vamos tocar? – Liam perguntou.
- Estou afim de uma que gosto muito. – respondeu rindo.
- Começa ai. – Zayn disse sorrindo.
sorriu em resposta.
- Aposto que vai tocar uma musica nossa. – resmunguei.
Ela gargalhou e começou uma melodia lenta. Louis se aproximou de nós e se sentou na minha frente, apoiando as costas em minhas pernas. Enquanto fazia isso ele chutava levemente o pé de que riu tímida com aquilo. Demorou um pouco para Liam entender qual musica era, mas segundos depois ele seguiu o ritmo de e começou a tocar.

I'm a lover, I'm not a fighter
Hold me close and I'll take you higher than you've ever been,


Ela respirou levemente e seguiu dedilhando. Eu a observei com o canto do olho.

Raise your hands and lay down your weapons,
We could turn this around in seconds flat,
If you believe.


A ultima parta Louis já murmurava, imagino eu, que todos já sabiam que musica era. Por mais que não tivesse a língua inglesa como língua natal, ela tinha uma destreza tão grande em pronunciá-las, que imagino eu, poucos saberiam que ela era brasileira. Sua voz era realmente bonita, resplandecia como mil sinos.

Home is where the heart is,
It's where we started,
Where we belong, singing.


Agora já acompanhávamos a musica, e todos nos cantávamos juntos.

Home is where the heart is,
It's where we started,
Where we belong.


Por mais divertido que ali podia ser, havia algo ali que me incomodava. Algo nela me incomodava. Naquela maneira que balançava a cabeça lentamente, acompanhando o ritmo da musica, seus cabelos balançando levemente.
O cheiro inebriante que era exalado de seus cabelos e pele me trazia algo estranho. Uma sensação desconfortável. Eu queria xingá-la por isso, por aquele sentimento confuso.
Essa era a palavra. Eu estava confuso.
Eu realmente não gostava dela, ou foi só uma desculpa para disfarçar o que eu estava sentindo de verdade?
Francamente, eu preferia não descobrir.



Chapter IV

Louis’s POV

Esfreguei uma mão na outra ao analisar as pizzas e os boxes de comidas chinesas sobre a mesa. Eu não era Niall, mas assim como ele já havia feito muitas vezes antes, eu estava com uma vontade louca de pular naquela mesa e devorar toda a comida.
- Olha, eu estou numa fome. – escutei comentou com alguém ao meu lado.
se afastou até a mesa e se juntou aos meninos, servindo de frango xadrez, rolinho primavera e uma fatia de pizza no prato, sorri levemente com aquilo. Ela era a personificação de Niall na versão feminina, eu não conseguia entender como a mistura daquelas duas comidas totalmente distintas podia ser saboroso.
Niall serviu um pouco dos três assim como , e se afastou com ela até o sofá.
- Quer saber de uma coisa. – ouvi a voz de ao meu lado. – Eu estou faminta, mas Niall e superam qualquer expectativa de ganhar um concurso de quem come mais pizzas, rolinhos primaveras e frango xadrez em 60 minutos.
Gargalhei com aquilo e tornei meu rosto para . Ela tinha os braços cruzados abaixo dos seios, fechando mais o casaco ao redor do corpo, seus cabelos estavam jogados de qualquer maneira, caindo sobre suas costas e ombros, mesmo que ela não em encarasse, e estivesse de lado para mim, eu podia ver o pequeno sorriso que estava desenhado em seu rosto.
Então, quando eu menos esperava, ela virou o rosto em minha direção e me encarou. Seus olhos analisavam meu rosto atentamente, o sorriso que ela mantinha na face se alargava aos poucos, mas mesmo assim ele mantinha-se singelo. Ela ajeitou alguns fios atrás da orelha e limpou a garganta.
- Pelo menos agora ele encontrou alguém para poder acompanhá-lo na hora da comida. – comentei rindo depois.
Ela riu baixo.
- parece feliz com isso, nenhuma de nos nunca conseguiu acompanhar o ritmo dela. – comentou.
Coloquei uma de minhas mãos em suas costas e a guiei até a mesa.
- Mas será que posso acompanhá-la nesse jantar? – perguntei engrossando um pouco a voz. Ela riu pelo nariz e me encarou.
- Claro, Sr. Tomlinson. – respondeu cordialmente. – Será um prazer jantar com tão talentoso jovem britânico.
Sorri largamente e peguei um prato sobre a mesa para ela.
- O que a Srt. deseja para saciar a fome?
Ela riu alto e dobrou o tronco, apoiando as mãos nos joelhos. Sua risada era contagiante e divertida. Ela levantou e colocou as mãos sobre a barriga. Eu a encarei confuso, mas mesmo assim me divertindo muito com a situação de vê-la rindo de forma avassaladora. Eu poderia ouvi-la rindo para sempre. Era como se aquilo fosse uma cena rara de ver. Parecia estranho, mas eu tinha certeza que era uma cena rara, que foi confirmada ao ver todas as amigas dela - que já estavam na sala jantando junto com os meninos- a encarando de forma engraçada.
- O que foi? – perguntei rindo baixo.
Ela respirou fundo, e deu curtas risadas após isso.
- É estranho ver você falando tão cordialmente. – ela disse rindo pelo nariz. – Quero dizer, você é o Louis Tomlinson, nunca imaginei que ouviria você dizer palavras como “Srt” ou “saciar”. – ela fez uma pausa. – Não que eu ache que você não saiba ser cordial, só... só não combina com você.
Eu sorri para ela.
- Eu gosto de causar uma boa impressão nas garotas. – respondi baixo.
Seu rosto tomou uma cor rubra, mas logo ela sorriu levemente.
- Não precisar causar uma boa impressão a mim, de você eu tenho todas as boas impressões possíveis, mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente. – ela corou novamente. – Eu que devo causar uma boa impressão, alias, você não em conhece.
Desviei meus olhos dela, eu estava com... vergonha? Essa era a palavra? Ela já tinha boas impressões sobre mim. Então porque eu queria ser mais? Porque eu queria provar verdadeiramente, que tudo que ela havia visto ou lido sobre mim eram verdades? Porque eu queria ser diferente para ela? Eu queria ser Louis, só o Louis e não o Louis da One Direction.
- Está sendo um prazer conhecê-la. – eu disse deixando o prato sobre a mesa e estendendo minha mão para ela. – Eu sou o Louis, só o Louis.
Ela estendeu a mão e riu tímida, apertando a minha com delicadeza.
- Eu sou , só a .
- Me chame de Lou. – pedi.
- Me chame de .
Eu sorri largamente para ela e ela retribuiu o gesto. Foi quando percebi que ainda dávamos as mãos. Acredito eu, que nem ela havia notado aquilo, aquele gesto, aquele toque, aquele ar que faltava, aquele perfume.
Ela olhou para nossas mãos unidas e não demorou muito para se desvencilhar com delicadeza da minha. Ficamo-nos a encarar por alguns segundos até que eu retornei a pegar o prato que havia pegado antes.
- O que quer comer ? – perguntei me virando e encarando a comida.
- Pizza, por favor. – ela pediu.
Aproximei-me da pizza e servi de uma fatia para ela. Ela se aproximou e pegou o prato de minhas mãos com cuidado, se afastou até o outro canto da mesa onde estavam os talheres e foi em direção a sala se juntando aos meninos e as meninas.
Eu encarei a pizza a minha frente, sem encarar na verdade. Parecia confuso, mas tudo era confuso. Eu era confuso, ela era confusa. Porque afinal eu me sentia assim? Confuso?
Ela era apenas uma garota, uma fã. Mas havia algo nela, e nas meninas, que as tornavam diferentes, e não era só por serem brasileiras, lindas e terem um sotaque sensual. Havia algo nelas que traziam algo caloroso, algo novo, algo tocável, e que causa em você uma vontade de manter.
Era aquele sentimento quente e sufocante, que te alivia e te espreme, que te conforta e te incomoda. Eu queria manter aquilo. Aquele sentimento, aquele começo de amizade. Eu queria mantê-las. Por mais que eu soubesse que não ficariam para sempre aqui em Londres, mas eu queria guardar aquilo.
Afinal, nossa turnê terminou hoje, ficaríamos descansando durante esse tempo. Quem melhor do que cinco brasileiras, gentis, divertidas e amigáveis para ajudar a passar esse tempo? Tudo bem, que agora éramos famosos e todas essas outras coisas, ter tempo livre era tudo que queríamos, mas não podíamos na verdade. Havia fãs nos perseguindo, paparazzis loucos para uma fotografia constrangedora e todas essas coisas.
Mas afinal ser caras comuns não estava fora de cogitação. E conhecer aquelas garotas foi uma prova disso, afinal, por mais que soubessem que éramos A ONE DIRECTION, eu não via ou sentia que elas nos vangloriavam por isso. Claro que havia uma porcentagem sobre elas que avisavam de tal fato, mas não é qualquer garota que chegaria perto de Harry e diria que ele está com cara de merda, ou zoaria o topete de Zayn, ou talvez quisesse apenas causar boa impressão. A maioria das garotas, chorariam, gritariam, esperneariam, pediriam para o Harry comer elas, e nos dariam calcinhas com o user do twitter no fundo delas.
Suspirei cansado e peguei um prato sobre a mesa, servi de uma fatia de pizza e me afastei até o outro lado da mesa pegando os talheres. E enquanto eu fazia isso eu pensava: Quem era ?
Eu realmente queria descobrir.

Niall’s POV

Eu estava satisfeito. Podia sentir meu estomago cheio e pesado devido a toda comida que comi. Mas aquilo não em incomodava. Eu estava acostumado a comer. Afinal, havia algo melhor do que aquilo?
Eu só estava agradecendo por achar alguém que gostava daquilo tanto quanto eu. gostava de comer, mas mesmo assim não agüentava tanto meu ritmo.
Ela suspirou ao meu lado. Tornei meus olhos para ela, que mantinha os seus fechados enquanto respirava pesadamente, e pensava em algo que não fazia jus a mim. Era engraçado o fato, de gostar tanto de comer, mas não ser gorda. Não, que ela deveria ser gorda, mas entenda... ela não era. Ela era bonita.
Uau, ela era linda, não havia como negar. Mas havia algo nela que me atraia mais, não sei se era seus cabelos , seus olhos , ou sua vontade pro comida.
- Deixe-me recolher esses pratos. – disse Liam, que já se mantinha em pé e recolhia os pratos um por um.
- Quer ajuda? – perguntou .
- Não obrigado . – ele sorriu para ela, terminando de recolher e se afastando até a cozinha.
Um pequeno silencio se instalou na sala, mas logo Zayn o quebrou.
- Então, contem pra gente – Zayn se pronunciou. –, vocês vão ficar por quanto tempo?
- Dois meses. - ao meu lado, respondeu, abrindo os olhos e se sentando direito.
- Passa rápido. - disse triste.
- Vocês vão ficar para o Natal, o Ano Novo e o aniversario de Zayn? – Louis disse, assoviando logo em seguida. – Vai ser divertido.
- E o aniversario de também. - completou.
- Você faz aniversario quando ? – perguntei. .
- Em janeiro, dia 20. – ela respondeu enquanto cruzava as pernas.
- Próximo ao do Zayn. – Louis comentou.
- Sim. – ela sorriu.
- Vocês gostam do Brasil? – perguntei, querendo saber como era lá.
- Sim, e não. - respondeu, mas ao notar nossa cara confusa ela completou. – Quero dizer, gostamos porque lá tem um clima bom, é quente e frio as vezes, mas é quente na maior parte do tempo, mas ruim, porque sempre ficamos distante dos nossos ídolos – ela nos olhos rindo levemente. -, e temos que fazer loucuras para levá-los até lá, ou então, ter a sorte de ganhar ingressos e conhecê-los no seu próprio pais.
Rimos juntos.
- Vocês ganharam os ingressos? – Zayn perguntou.
- O pai de nos deu - respondeu sorrindo para a amiga. -, claro, depois de descobrir que havíamos ganhado o intercambio.
- Se me lembro, vocês disseram que ganharam o intercambio da escola, certo? – Louis perguntou.
- Sim, foi uma baita sorte.
Liam se aproximou de nos e foi se sentar no sofá ao lado de , ele sorriu para ela e voltou a nos encarar.
- Porque demorou meu amor? – Zayn perguntou.
- Eu estava lavando vasilha, meu bem. – ele respondeu rindo. – E Danielle ligou para saber como foi o show.
- Então é verdade? - perguntou.
Liam tornou o rosto para ela, e sua expressão mudou para algo como confusão.
- Verdade o que? – perguntou.
- Esse bromance de vocês? - indagou.
Zayn riu levemente e conferiu o topete.
- Bem, sim. – ele disse olhando para Liam. – Nos amamos, mas sabe é como irmãos com um pouco de carinho gay. Não há nenhum contato sexual.
- Nem bocal né? – perguntou . – Quero dizer, nada de beijos. Ou tem? – ela estava quase histérica.
Harry riu, e todos nos viramos o rosto para ele. Era estranho, claro, ele mantinha aquela cara de merda a bastante tempo, e vê-lo rindo ali, foi quase um alivio, confirmando que finalmente Harry estava de volta.
- Lógico que não. – ele disse passando uma das mãos no cabelo. – Abraçar, beijar o rosto, deitar uns com os outros, sim, mas beijar nos lábios... Deixe que esse serviço eu faço com garotas.
- Especificamente uma garota. - se pronunciou, todos nós a encaramos achando aquilo estranho, até mesmo Harry parecia quase na beira de um infarto.
- O que quer dizer? – perguntou ele meio grosseiro.
- Uma garota não – ela riu pelo nariz. -, uma mulher na verdade. Para não dizer outra coisa. - ela murmurou a ultima parte para ela mesma, provavelmente achando que ninguém havia escutando.
- Do que está falando sua maluca? – perguntou rudemente.
- Estou falando de Caroline seu boçal. – ela rebateu rindo depois. – Ou vai me dizer que é tudo mentira e que vocês são só amiguinhos? Porque é essa normalmente a desculpa. “Ah, Caroline é uma ótima pessoa, uma ótima amiga” Uma ótima amiga o caralho a quatro, é ótima de cama isso sim. – ela disse enfezada.
Harry arregalou os olhos, assim como todos nos. A sala se manteve em um silencio constrangedor.
- . - chamou ela, abismada de mais para completar qualquer coisa.
- O quê? – ela perguntou, parecia não entender o motivo do nosso espanto.
- Não se fala esses tipos de coisa.
bufou e encarou Harry.
- Sabe o que é Harry, nada contra você e essa tal mulher, mas eu estou cansada dessa situação. Eu enfrento o mesmo tipo de problema em casa - ela fez uma pausa-, mas esquece isso não te interessa. Desculpe se eu te ofendi, apesar de ser grosso e ter uma cara de poucos amigos não foi minha intenção.
Harry ainda a encarava assustado, então ele começou a gargalhar. Todos nós estávamos achando aquilo tudo muito estranho para dizer alguma coisa. Por mais que tenha ficado com vergonha da situação, foi no fundo engraçado. Talvez para as meninas não, mas para nós sim, sabendo a situação que Harry se encontrava devido ao Caso Caroline.
- Não tudo bem. – Harry disse depois de se acalmar. – Eu não estou mais com ela.
- Como assim? – perguntou abismada.
- É complicado, mas eu posso confirmar aqui e agora para vocês, que eu não estou mais com ela.
- Conta outra Harry, semana passada saiu no noticiário que você foi visto saindo de um restaurante com ela. - disse rindo.
- Entendam, eu não estou com ela sentimentalmente – ele disse dando de ombros. -, só fisicamente.
As meninas encararam ele completamente confusas, trocando em seguida olhares uma com as outras. A sala se manteve em um silencio constrangedor. Era engraçado esses momentos em que mantínhamos em silencio, talvez por falta de assunto, ou porque estávamos com vergonha de mais para poder conversar alguma coisa.
- Ok, não quero perder contato com vocês. – Zayn se pronunciou.
As meninas tornaram os olhos para ele e o encararam confusas.
- O que esta dizendo? - perguntou.
- Passem seus números. Vocês vão ficar em Londres por dois meses, e nós faremos dois meses de pausa. – ele disse dando de ombros. – Podemos sair, e se divertir, podemos mostrar a cidade para vocês.
- Você está brincando? - perguntou, seu queixo caiu alguns centímetros.
- Na verdade, eu acho uma boa idéia. – Louis disse tirando o celular do bolso. – Vocês vão ficar no Natal, no Ano Novo, no aniversario de Zayn e no aniversario da . – ele disse. – Podem passar isso tudo conosco.
- Ah. - grunhiu. – Passar meu aniversario em Londres já era um sonho, agora passar com vocês, está fora da minha capacidade de explicação.
Rimos juntos e trocamos os números, o que rendeu uma boa confusão, era números de mais para salvar, nomes de mais para associar, e isso se confirmou quando se confundiu e salvou o numero do Zayn como o do Liam, mas por sorte ela ajeitou a confusão quando decidiu ligar para o numero de cada um, só para confirmar de quem era.
E foi quando conseguimos salvar todos os números nos nomes corretos, que olhou as horas, constatando ser quase meia-noite, e que por mais que quisesse ficar elas teriam que ir embora porque tinha um trabalho de inglês para fazer.
Foi uma cena quase comovente ver elas se despedindo de nós, mas prometemos que ligaríamos para combinarmos algo legal, menos Harry que não confirmou nada nem disse que ligaria.
- Ok, fazemos assim – Liam disse. –, eu e Louis moramos quase que do outro lado da cidade, e passamos pelo centro, onde a casa que estão hospedadas, certo?
- Certo. - confirmou.
- Louis e eu levaremos vocês de carro. – ele completou sorrindo. – São cinco, quatro vão com Louis e uma vai comigo.
As meninas concordaram com a cabeça, agradecendo varias vezes pelo show, pelo tempo que passaram com a gente e com a carona dos meninos.
E foi quando decidiram quem ia com quem, se aproximou de mim, rindo serenamente.
- Promete uma coisa Niall? – perguntou baixo.
- Prometer o quê? – perguntei.
- Que se você for sair para comer algo gostoso, você me liga. – ela disse corando.
Gargalhei daquilo e a puxei para um abraço. Eu não tinha calculado a imensidão que aquilo me causaria, que aquele contato me causaria. Eu podia sentir os músculos de se enrijecerem pelo contato repentino, mas logo ela relaxou e retribuiu o abraço com maior intensidade. E ficamos assim por algum tempo, abraçados, pareciam um contato qualquer, sem explicação ou formula. Mas ali continha algo totalmente novo, um cheiro totalmente novo, que eu podia sentir exalando da pele de .
Ela se afastou depois de um tempo, não havia sorriso maior que aquele que ela carregava. Eu retribui aquilo e vi ela se afastar, mas antes de se manter completamente longe ela se virou.
- Foi ótimo conhecê-lo.
- Foi ótimo conhecê-la também.
Ela sorriu para o chão e se afastou até as meninas correndo. Fiquei a encarar ela ao longe, até ela sumir pela porta que levava ao elevador.
E enquanto eu voltava para buscar meu casaco eu não pude deixar de pensar em como era diferente de todas as garotas que eu já havia conhecido na vida.

Liam’s POV

O radio estava ligado para salvar um pouco aquele silencio constrangedor que invadia o carro. estava no banco de passageiro olhando pelo vidro, e eu sabia disso, porque eu não conseguia deixar de desviar meus olhos para ela, mesmo que por mínimas vezes. Ela trambolhava o dedo sobre a bolsa no ritmo da musica que era exibida no radio.
Meus olhos divagavam entre a rua a minha frente e . Havia algo nela que me atraía, havia algo naquele olhar triste e naquela maneira como se matinha quieta na maior parte do tempo. Parece estranho dizer isso, tanto porque só havia nos conhecido hoje, mas ela parecia já ter sofrido muito antes. Como se tivesse medo que aquilo voltasse a acontecer com ela.
era incrivelmente bonita, tinha olhos incríveis e seus cabelos a deixam com o aspecto meio delicado, meio inocente. Ela era de uma beleza tão nobre, que não duvidaria se ela tivesse sido retirada daquelas pinturas renascentistas.
Nem havia passado um dia que havia nos conhecido, mas eu queria saber mais, eu queria saber porquê ela era daquela maneira, eu queria saber quem era , eu queria passar mais tempo com ela e com as meninas.
Na verdade, parecia que cada uma carregava uma historia diferente, e que elas eram interligadas por isso. Por serem tão distintas que precisavam uma das outras.
- Então – comecei, ela desviou os olhos rapidamente ate mim. -, me conte das meninas.
Ela suspirou pensando por um tempo.
- Somos bastante diferentes – ela disse, sua voz era baixa, mas tão suave e doce, que poderia ficar a escutar por horas a fio. -, mas talvez por isso sejamos tão unidas.
- Você se conhecem há mais tempo? – perguntei.
- Para ser exata, tem 4 anos que somos amigas mesmo. – ela respondeu. – Eu, e entramos na escola praticamente juntas, e já estudavam lá. – ela respirou fundo. - e eu viemos de outra cidade, ganhamos bolsas de estudos. ganhou por ser talentosa e eu por ter boas notas.
- Então você é a inteligente do grupo? – eu perguntei rindo.
Ela gargalhou baixo.
- Não, todas elas são inteligentes, mas eu me interesso mais por isso. Entende? É meio que compensando. – ela completou a ultima frase baixo.
Eu desviei meus olhos para ela rapidamente. Ela encarava a fina neve que caia pela janela, parecia distante, parecia quase... melancólica.
- Compensando o que? – perguntei sem conseguir me segurar.
Ela demorou a responder, ouve um pequeno silencio no carro, interrompido apenas pela musica reproduzida pelos alto falantes.
- Compensando o que minha mãe já fez para mim. Quero dizer, ser uma boa filha e provar que tudo que ela fez não foi atoa.
Ela se calou, decidi não insistir no assunto por mais que eu estivesse me corroendo por dentro para saber porque ela queria ser uma boa filha. O que ela havia feito? O que havia acontecido?
- Você e os meninos são ótimos. – ela disse depois de um tempo.
- Você e as meninas também. – respondi sorrindo para ela, que retribui o sorriso.
- Quando eu ia imaginar que Londres é tão incrível?
- Assim que levarmos vocês para conhecer alguns lugares legais, vocês verão o quanto aqui é incrível. – disse estacionando o carro em frente ao portão ela havia dito ser a casa dela.
Ela olhou pela janela constatando que as luzes da casa estavam ligadas. Louis já havia passado lá e deixado as meninas.
- Então, obrigada. – ela disse colocando a bolsa sobre o ombro.
- De nada. – eu disse sorrindo.
Ela sorriu em resposta, e tornou os olhos para a maçaneta do carro. Quando ela abriu a porta e fez menção de sair, eu me vi pegando em seu pulso e puxando ela de volta para o assento. Ela se sentou em um baque surdo e me encarou confusa. Ficamos a nos encarar por um tempo. Sua respiração era rápida e barulhenta.
- Seus olhos são lindos. – ela disse baixo, desviando os olhos. – Quero diz-
- Os seus também. – eu a interrompi, sentindo meu rosto se aproximar alguns centimentros do seu. - Nunca vi tão bonitos olhos antes.
Ela riu baixo, e voltou a me encarar.
- Você já viajou o mundo todo, aposto que já viu.
Arregalei os olhos.
- Eu não viajei o mundo todo – comentei como se falasse do tempo. -, e no caso se já tivesse, eu seria muito mais feliz.
Ela me olhou confusa.
- O que quer dizer?
- Quero dizer, que com essa nossa sorte em encontrar tão incríveis garotas – eu disse maneando a cabeça em direção a casa. -, não duvidaria que encontraríamos vocês caso fossemos ao Brasil.
- E por que isso te faz feliz? – ela perguntou colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Porque enquanto esses olhos estiverem sobre mim, eu poderia fazer qualquer coisa desde que te fazer feliz esteja entre elas. – eu disse sem saber porque falava aquilo, ou o que aquilo significava na verdade.
Eu havia a conhecido a algumas poucas horas, e eu já estava ali confirmando para ela que queria fazê-la feliz. Eu havia enlouquecido. Eu não podia fazer algo assim, ela não acreditaria. Julgaria-me como louco. O que eu estava confirmando afinal?
Era uma certeza? Eu estava disposto a fazê-la feliz?
Ela desvencilhou de minha mão com delicadeza e saiu da carro, fechou a porta atrás de si e correu em direção ao portão. Não demorou muito a abri-lo, e assim que o fez ela entrou em casa sem olhar para trás.
E eu fiquei ali por um tempo pensando. Pensando no que eu acabara de dizer, no que eu estava disposto a fazer. Eu nem conhecia ela afinal, quem era ela? E porque ela me deixava assim? Confuso sobre tudo, inclusive sobre o que sentir?

’s POV

- Já está tarde. – ouvi resmungando no sofá.
- Alem, do mais, combinamos de sair com os meninos amanha a tarde, você tem que descansar. - insistiu.
- Ok, tudo bem. Eu vou sozinha. – eu disse me afastando até a porta.
surgiu no pé da escada e se aproximou de mim.
- Porque você tem que ir lá mesmo? – perguntou ela baixo.
- Eu preciso comprar absorvente. – eu disse como se fosse obvio. – Nenhuma de vocês tem, e eu estou pressentindo que está para chegar.
gargalhou.
- Mas jura que você precisa ir até o centro para comprar?
- Olhe as horas. – eu disse apontando para o relógio na parede. – São nove e meia da noite, você acha que alguma farmácia aqui, vai estar aberta? Só aquelas 24hrs no centro.
- Ok, tudo bem. - disse séria. – Leva o mapa e o celular. – ela disse pegando o mapa turístico sobre a mesinha ao lado da porta. – Tem dinheiro para o taxi?
- Tenho. – eu disse sorrindo e em seguida a abraçando.
Ela retribuiu o abraço.
- Credo, até parece que eu vou pra batalha. – eu disse sentindo ela me apertando mais um pouco em meus braços.
- É parece mesmo. – ela ainda não em soltou. – Mas sabe, conhecemos a One Direction ontem, temos os números deles, eles os nossos e vamos sair amanha com eles, eu só quero extravasar um pouquinho.
- E quase arrancar meus olhos para fora faz parte? – perguntei.
Ela riu e me soltou.
- Cuidado. – ela pediu.
- Eu tenho.
E dizendo isso eu saí para a noite fria de Londres. Nevava, e de alguma maneira estranha e confusa eu podia sentir o cheiro de umidade no ar, eu senti que poderia começar a chover a qualquer momento.
Afastei-me até a rua de casa e não demorou muito para o taxi passar.



Segurei a sacola com mais força em minhas mãos, eu já havia comprado tudo que precisava. O que me preocupava era o fato da mulher ter dito que os taxis no centro só pegavam passageiros no ponto de taxis. Até ai tudo bem, a coisa ficou feia mesmo quando ela disse para eu seguir reto e pegar a direita, esquerda, direita, esquerda, esquerda, dá a volta na praça, então direita, direita e esquerda.
O problema é que eu achava que eu não havia seguido aquilo corretamente, em alguma das esquerdas e direitas eu confundi e peguei a direção contraria, porque até agora eu não cheguei em praça nenhuma, e a situação só ficou pior quando eu tentei voltar e percebi que não havia passado em nenhuma daquelas ruas na hora de ir.
Procurei o mapa em um dos bolsos e o levantei, analisando ele atentamente. Olhei em uma das placas que indicavam a rua em que eu estava e procurei no mapa. Quando consegui encontrá-la, percebi que havia 3 praças próximas, e que todas ficavam a mais de 5 quarteirões para a esquerda ou para a direita.
Eu estava com uma vontade louca de gritar. Eu estava sozinha, na neve, com um mapa turístico que não explica nada, perdida em Londres. Havia azar pior? Eu podia sentir todo meu corpo amolecendo com aquela idéia. Perdida em Londres. Eu queria chorar, eu queria bater na porta da casa de alguém e implorar por ajuda.
Então eu me lembrei do celular e me apressei em pega-lo. Liguei para e só caia na caixa postal, tentei ligar de novo e deu a mesma coisa, liguei para todas elas, e não dava. Foi então que eu me senti uma completa idiota ao me lembrar que eu precisava do código de área para completar as ligações. Mas qual era?
Olhei mais uma vez o mapa em minha mão. Eu definitivamente não sabia onde estava. Eu era boa em memória, na verdade, eu tinha que ser boa. Eu estudava teatro e musica memória, fazia parte daquilo. Mas para mim aquelas ruas, quarteirões, e parques eram todos iguais naquele maldito mapa turístico.
Olhei para o céu, e quando o fiz, fortes gotas caíram sobre meu rosto. Tornei meus olhos para o mapa em minhas mãos, e não consegui segurar um gemido. As cores haviam se misturado. Droga. Logo o mapa.
Já fazia frio, antes daquilo. Mas a chuva só havia aumentado aquela sensação. Apertei mais o casaco contra meu corpo.
Sentei-me no degrau de um portão de um prédio. Já era noite, e não havia ninguém na rua. Então eu comecei a julgar minha sorte. Porque aquilo havia acontecido comigo? Provavelmente me daria uma sermão por horas a fio, dizendo coisas como: “Eu avisei” ou “Eu disse que era tarde”.
E foi quando eu levantei meus olhos para analisar aquele lugar desconhecido, eu gelei. Meus olhos não acreditavam no que viam.
Eu podia sentir meu coração parando lentamente.

Chapter V

Harry’s POV

Me culpei repetidas vezes durante o caminho.
Como eu havia esquecido de comprar logo o leite? Eu era realmente um panaca desligado. Para algumas coisas eu era bom, até de mais. Mas para esquecer-se de certos detalhes importantes eu era mestre. Eu podia ensinar a arte de esquecer coisas importantes.
De tudo que eu poderia esquecer, eu esqueci logo o leite. Aquele que eu não conseguia continuar o dia sem tomá-lo. E para piorar, chovia. Começara a chover alias, e eu estava à dois quarteirões de casa.
Foi quando virei a esquina que eu me intriguei com algo. Alguém... não alguém, uma garota estava em pé em meio a calçada, com um grande papel, suponho eu, um mapa, a mercê da chuva. E foi quando ela sentou em frete ao portão de um prédio, que eu percebi que havia algo errado. Atravessei a rua, enfrentando a ventania que me ameaçava ser levado, e segui caminho até a garota de casaco vermelho sangue.
Parei em frente a ela, me sentindo repentinamente estranho. Um calor emanava daquele corpo frágil, um calor tão incrivelmente sedutor e perigoso que faria de qualquer um, um verdadeiro lunático.
E eu conhecia aquilo, eu conhecia aquele calor, aquele cabelo. Eu sabia quem era. Porque foi necessário um olhar naquela tarde, para saber que eu a odiava. Odiava não, eu... vai saber o que eu sentia por aquela maluca esquisita.
Aquela tarde na Milk- Shake City, quando cinco garotas vieram conversar conosco, mas aquela divertida e bonita garota dos cabelos e olhos , eu passei a senti uma aversão tão grande por ela que durante os dois dias após aquele encontro, eu não conseguia tira-la da cabeça, nem mesmo ao pensar em coisas que antes me fariam feliz. Sei lá, como nudez, e esses tipos de coisas.
Mas lá estava ela, sentada na calçada, com um casaco vermelho sangue, botas e calça, se sentindo provavelmente a garota mais sedutora que se pode encontrar em uma calçada as dez da noite.
Ou não.
E foi quando eu estava me preparando para correr ela levantou os olhos em minha direção, e sua respiração se tornou descompassada, assim como a minha. Vai saber o porquê, mas algo me dominava, algo quente e gostoso de ser armazenado. Talvez fosse raiva.
- H-harry. – gaguejou.
Então percebi o quão pálida estava, e o quão frio fazia.
- Droga, - exclamei ao ver que eu não poderia deixar ela ali.
Ela arregalou os olhos e se encolheu mais dentro do casaco. Ela tremia, eu podia ver os fios de cabelo despenteados e molhados tremendo junto com seu corpo.
- Você é burra ou o que? – perguntei quando puxei uma semi viva brasileira para ficar de pé.
Geralmente eu era muito educado com garotas, eu era galanteador, e gostava de mimá-las. Mas com ela eu não via necessidade de ser. Eu não tinha gosto para tratá-la com sensatez, eu queria maltratá-la, por ela ser tão... tão bonita.
- Puxa, obrigada. – ela murmurou, com seu inglês completamente novo para meus ouvidos, quando passei seus braços sobre meu ombro molhado. A pequena caixinha de leite já estava armazenada no bolso grande do meu casaco. – Eu admiro sua preocupação.
Quem falou em preocupação?
- Quem falou em preocupação? – repeti a pergunta em voz alta.
Ela gargalhou fracamente, eu a segurei pela fina cintura fazendo com que ela andasse apoiando em mim.
- Sabe Harry - ela disse com a voz rouca. –, eu costumava achar que você era um cavalheiro e todas aquelas coisas.
- Você não me conhece. – rebati.
- Não, realmente não. – respondeu rapidamente, enquanto pelejava para andar com firmeza. – E assim como eu não te conheço, você não me conhece, então acho que não tem o direito de se referir a mim como burra.
Calei-me. Garota insuportável.
- Alem do mais. – ela disse com a voz mais baixa. – Eu podia esperar a chuva passar e dar um jeito...
Eu parei no meio do caminho.
- Então vai embora. – falei indignado.
- Mas se não percebeu, eu não consigo dar um passo sozinha.
Ela riu dela mesma, e eu sorri inconscientemente.
Eu a segurei mais forte, imaginando que se ela caísse eu não voltaria para buscá-la e voltamos a andar.
Então me vi pegando olhando para ela de canto. Analisei sua expressão com cuidado. Ela parecia se divertir com aquilo. Tratá-la mal não estava dando efeito para ela sentir que eu realmente não gostava dela.
De repente ela tornou o rosto para mim, me pegando a analisando. Ela sorriu amavelmente, franzi o cenho e desviei os olhos. Como eu estava cada vez mais odiando aquela garota.
- É possível chover enquanto neva? – ela perguntou desviando os olhos do meu rosto e olhando para o céu. – Quero dizer, não me lembro de ter ouvido algo assim antes.
- Não, isso tudo é só um sonho. – comentei baixo.
- Está mais para pesadelo se quer saber. – ela disse rindo.
- Ok, tudo bem. Cansei de tentar levar isso numa boa, mas você não dá chance.
Ela tornou os olhos para mim, e me analisou com cuidado.
- Quem é você e o que fez com Harry Styles? – ela perguntou baixo.
- Ai, meu Deus me dá paciência. – murmurei. – Olhe, escute. Está tarde, chovendo, frio e você não está em um dos melhores estados...
- Obrigada por lembrar.
- Certo, vou te levá-la pra casa. Você já conhece lá. Pode se esquentar na lareira, tomar um banho e etc e tal. Amanha cedo você vai embora. – disse, analisei a redondeza constatando que faltava poucos passos até chegar em casa.
- Qual seria a diferença de eu ir embora hoje e amanha? – ela disse séria. – Quero dizer, eu vou estar perdida do mesmo jeito. Eu nem sabia que esse era seu bairro.
- Bom agora sabe. – rebati.
- Quer dizer então, que esse é um bairro nobre? – ela perguntou empolgada. – Onde Emma Watson mora? E Daniel Radcliffe? Nesse portão aqui? Ai, e-
- Não, não é um bairro nobre. – respondi tentando não rir.
- Pensei que você fosse rico e esses tipos de coisa. – ela comentou franzindo o cenho.
- Não sou rico. – falei rindo levemente.
- Não, você só ganha não sei quantas mil libras em cada show. – ela disse rindo pro chão. – Não é qualquer um que tem um apartamento com lareira, quatro quartos, e sei lá mais o que.
- É o apartamento da minha mãe sua maluca. – falei rindo.
- Ah tudo bem... – ela fez uma pequena pausa. – Não é um bairro nobre? – perguntou curiosa.
- Não – eu disse enquanto parávamos em frente ao portão do prédio. -, os famosos, geralmente moram em condomínios, e as vezes nem são aqui em Londres, são em cidades próximas.
Retirei a chave de um dos bolsos e ela retirou o braço sobre meu ombro.
- Ah, sim. – ela disse baixo, ela fez uma pequena pausa. – disse que vamos sair amanha com você e os meninos. – concordei com a cabeça, mostrando-me meio desanimado. – Onde vamos?
Abri o portão e dei passagem para ela entrar, ela esperou na entrada até que eu fechasse o portão e me seguiu até o saguão do prédio.
- Eu não sei, os meninos sabem. – eu disse, sendo na verdade, muito sincero.
- Espero que não me levem para ver a Tower Bridge – ela riu baixo, enquanto entravamos no elevador. – Nada contra a linda ponte de vocês sobre o rio Tâmisa, claro que eu gostaria de ver, mas imagino eu que tem lugares muito mais bonitos e divertidos para se conhecer, quando se está em um grupo grande de dez pessoas.
Ri baixo, apertando o andar do apartamento no elevador.
- Claro que tem. – eu disse a encarando, ela se enrolava mais no casaco molhado, e tremia levemente.
Ela sorriu brevemente e voltou a enrolar mais os braços ao redor do corpo, seus lábios estavam brancos pelo frio e seus cabelos molhados devido a chuva.
Saímos do elevador e seguimos até a porta, eu a abri rapidamente e dei passagem para ela entrar, ela sorriu para mim antes de fazê-lo e seguiu caminho até o sofá, se aninhando junto à uma das almofadas. Era uma cena engraçada de se ver, ela ali, enrolada em seu próprio casaco e abraçando uma almofada.
Ri baixo e me direcionei até a lareira, decidido em ligá-la. Enquanto eu fazia isso, eu pensava. Eu pensava nela e em meu azar de encontrar justamente ela em uma calçada as dez da noite numa chuva do inferno em dias de neve.
Parecia aquelas cenas típicas de filme, onde o casal se encontrava e dava beijos e mais beijos na chuva gelada, achando aquilo ridiculamente romântico e sensual. Mas não éramos um casal, não havia nada romântico e sensual rolando ali. Na verdade, eu não sabia o que rolava ali.
O que rolava ali?
Odio, raiva, antipatia, mau-humor, caras de merda e brigas?
E eu sabia que assim como eu, ela não gostava de mim. Havia um ar de tolerância, mas não de amizade.
Vir-me-ei e a encarei. Ela ainda permanecia sentada no sofá, abraçada com a almofada analisando o apartamento com cuidado. Parecia distraída e distante. Não pude deixar de notar, como ela parecia diferente das outras vezes que nos encontramos.
- Sente um pouco em frente à lareira. – eu disse baixo, mas foi o suficiente para ela ouvir.
Ela levantou do sofá e sentou no tapete, onde eu havia indicado.
- Tire o casaco, está encharcado. – pedi. – Se continuar com ele, você nunca vai esquentar. E vai acabar pegando alguma doença.
- Como se você se preocupasse. – ela comentou tirando o casado vermelho e me entregando.
Entortei o nariz. Eu realmente não em preocupava. Eu acho.
- É, como se eu me preocupasse. – eu disse e me afastei até a lavanderia.
Não havia roupas no varal, o que ajudou a deixar o casaco mais esticado sobre ele, e enquanto eu pendurava eu não podia deixar de pensar naquela maldita brasileira sentada no tapete da minha sala.
O que afinal era aquilo? Ironia do destino, ou Deus de uma pra jogar Jogo da Vida comigo?
Voltei para a sala e encontrei ela abraçando suas próprias pernas, enquanto balançava-se freneticamente em uma tentativa fula de se esquentar. Mas aquilo nunca ia ocorrer enquanto ela estivesse com aquelas roupas molhada.
Passei pro ela e segui até meu quarto pegando um moletom qualquer e uma toalha. Como eu ainda insistia em ser bom... Eu era realmente muito otário.
- Veste isso. – joguei a blusa em sua direção.
Ela tornou o rosto para mim rapidamente e recolheu o moletom que havia caído em seu colo. Ela o levantou no ar e o analisou por um tempo. Bufei com sua capacidade de me deixar no tédio. Ela desviou o olhar até mim com um misto de diversão e compreendimento.
- Você usa muito perfume. – comentou, simplesmente.
Revirei os olhos.
- Algum problema?
- Não, tudo bem – ela disse levantando com dificuldade -, na verdade, gosto de homens cheirosos.
Apoiei o peso do em corpo na outra perna. De uma maneira estranha, aquele comentário mexeu comigo, me levando a perguntar, desde quanto ela era tão patética.
- E se Caroline chegar? – ela perguntou sorrindo.
- Por favor, troque de roupa e esqueça isso. – eu disse passando a mão na testa. – Eu já disse, não estou com ela.
Ela deu de ombros e retirou a blusa branca que vestia. Foi um ato tão inconsciente e natural, que eu demorei alguns segundos para entender o que acontecia. Ela estava ali simplesmente tirando a blusa, como se fosse o ato mais natural do mundo. Como se tirar a blusa na frente de uma pessoa - lê-se jovem tarado por nudez -, não fosse proibido. Não que fosse, mas... era.
Desviei meus olhos daquilo, com vergonha de mais para olhar. Mas ter visto seu sutiã branco, foi o suficiente para me deixar em um estado deploravelmente vergonhoso.
- Pode virar. – ela disse meio risonha.
Eu tornei meus olhos para ela, constatando que ela já estava perfeitamente vestida.
Ou quase.
O moletom pegava o meio de suas coxas e aquilo era frustrante, porque ou ela colocava uma calça ou ela tirava tudo de uma vez. Ele pegou a calça jeans e a blusa e colocou sobre uma cadeira próxima.
Ela abaixou os olhos e voltou a sentar no tapete, e por algum motivo estranho e patético eu me mantive ali, em pé a analisando.
Era engraçado o fato de tê-la conhecido a dois dias, e ela já estava ali, na minha casa como se aquilo fosse normal. Mas havia algo naquelas meninas que trazia um ar de segurança para todos nós. Esse contato repentino e diferente que resolvemos manter com elas, não causava nenhuma duvida.
Era claro que devíamos tomar cuidado, alias, éramos meio que famosos agora, andar com cinco garotas por ai podia gerar muita polemica. E é disso que o mundo gosta, de polemica. Nada melhor do que fotos constrangedoras ou casos de amores proibidos para fazer com que os fofoqueiros de plantão tenham um motivo a mais para falar de nós.
Mas pensando bem, eu não via naquelas cinco garotas brasileiras a necessidade de dar com a língua nos dentes. Era mais que obvio que elas eram fãs da banda, mas era um contato diferente, não havia aqueles gritos histéricos ou olhares de admiração constante. O que era um bom sinal.
Apesar disso tudo, algo me incomodava. E ela estava ali sentada na minha frente. Eu queria saber porque o motivo de tanto incomodo e aversão. Eu queria entender porque eu fraquejava perto dela, como se Harry Styles desaparecesse e desse lugar para um Harry que eu havia escondido há muito tempo.
Por isso talvez eu fosse daquela maneira com ela.
Ela me desarmava me deixava em um dos meus piores estados, e eu não gostava de fraquejar, eu não gostava de parecer tão impotente perto das pessoas, ainda mais perto de garotas. Antes dessa fama, eu era realmente um idiota. Eu tinha medo de saber o que as pessoas achavam de mim... Eu não mudei muito na verdade, eu apenas amadureci. E hoje eu vejo o quanto eu era idiota no passado.
Mas o que realmente incomodava, era mesmo que inconscientemente trazia aquele velho Harry de volta. Eu queria ser bom pra ela, eu queria que ela soubesse quem eu era. Por isso eu fraquejava. Ela aparentava ser tão forte, e não se importar com o quê as pessoas acham, e isso me causava insegurança. Talvez, por isso eu não me afeiçoava por ela. Ela trazia de mim o pior Harry, um que eu tentava esquecer a todo custo.
- Está com fome? – perguntei depois de um tempo.
- Não, eu estou bem. – ela respondeu baixo.
- Não perguntei se está bem. – rebati com sarcasmo. – Perguntei se está com fome.
- Não estou, obrigada. – ela desviou os olhos até mim.
Bufei.
- Tem certeza?
- Obrigada Harry, mas eu não quero comer. – ela disse exaltada.
Afastei-me até o sofá e sentei. Liguei a TV e fiquei vendo um programa qualquer.
Na verdade eu tentei ver.
Eu não conseguia desviar meus olhos daquela cena. Da cena que se passava ali no tapete da sala. A cena de uma brasileira sentada em frente à lareira com um moletom que ressaltava suas coxas.
Aquilo era informação de mais pra minha cabeça, raiva de mais pra só uma hora de contato. E eu ainda não acreditava no meu azar.
- Eu preciso tomar um banho. – ela disse depois de um tempo. – Quer dizer, se você deixar é claro.
Bufei de lado.
- À vontade.
- Ok, tudo bem. – ela levantou e se afastou até corredor, não demorou muito para ela voltar e me encarar de forma singela.
Ficamos com aquele contato energético e cheio de sentimentos estranhos até que ela se pronunciou.
- Me empresta outro moletom? – ela perguntou baixo.
- Pra quê? – perguntei desviando meus olhos até a TV e mudando mais uma vez de canal.
- Pra vestir – ela disse rindo -, acho que é para isso que ele serve.
Suspirei, como ela era irritante.
- Tudo bem – eu disse me levantando e seguindo até meu quarto, logo ela veio atrás de mim.
Adentrei em meu quarto e fui em direção ao guarda roupa. Olhei para trás e constatei que ela não havia entrado junto comigo. Suspirei cansado.
- Pode entrar. – eu disse alto.
Não demorou muito e ela entrou no quarto.
Eu a observei enquanto ela analisava o quarto com atenção, seus olhos divagavam entre os vários objetos, então ela se aproximou até a cômoda e ficou a observar algumas fotos. Sorri de lado e voltei meus olhos até o guarda roupa pegando um moletom azul marinho.
Fechei a porta e voltei meus olhos para ela, e quando eu o fiz, vi ela sorrindo para um das fotos. Joguei o moletom em um dos ombros e me aproximei dela.
- O que está rindo? – perguntei olhando de relance para ela.
Ela desviou os olhos até mim, ainda sorria.
- Você aqui parece tão diferente. – ela disse apontando para um foto minha com minha irmã, foi há dois anos. – Tão mais inocente – ela olhou para mim mais atentamente. -, a fama te fez grandes mudanças.
- Eu apenas amadureci. – eu disse sério.
- É, sua aparência mudou também. – ela disse sorrindo mais, eu sorri também.
- Pra melhor? – perguntei.
- Definitivamente.
Eu ri baixo e entreguei o moletom pra ela, ela sorriu para mim e fez menção de sair do quarto, mas antes que ela pudesse fazer algo eu a puxei pelo pulso. Ela voltou com rapidez e me encarou completamente assustada.
Eu não esperava por aquela reação. Aquela reação que meu corpo recebeu. Não sabia que um simples toque causaria tamanha confusão em meu interior. Eu podia sentir meu estômago em alerta de tsunami, um gosto amargo no fundo da minha garganta e minha língua presa no céu da boca.
Ela arqueou as sobrancelhas e limpei a garganta.
- É-e – eu gaguejei, e me culpei dias depois por aquilo. -, toma banho no meu banheiro.
- Por quê? – perguntou rapidamente.
- Porque o outro é pequeno.
- Eu não me importo. – ela disse baixo, franzindo o cenho.
- Mas eu sim. – e dizendo isso eu a guiei até meu banheiro. – Tem uma toalha sobrando, pode usá-la. – eu dei as costas, mas logo me lembrei de algo. – Tem uma escova de dentes fechada na segunda gaveta.
Ela sorri pra mim e fechou a porta. Eu fiquei ali alguns segundos repassando em minha cabeça tudo que havia acontecido há algum tempo atrás. Sai do quarto e voltei para sala.

Era costume entre eu e os meninos de irmos tomar café da manhã um na casa dos outros, já que não morávamos juntos e sim com nossos pais, com exceção de Niall que morava com Zayn.
Agora que estávamos de pausa por dois meses, e decididos em descansar em Londres, combinávamos de cada semana o café da manhã ser na casa de um. Parecia um gesto folgado ou coisa desse tipo, mas era divertido. Ainda mais, quando Zayn chegava com cara de sono, ou Liam com cara de ”vivendo e aprendendo”. Era realmente legal ter aqueles caras por perto, afinal, éramos como irmãos.
- Liam não vem. – Zayn comentou enquanto deitava a cabeça sobre os braços.
Eu ri pelo nariz ao voltar da cozinha, com o leite em uma das mãos. Deixei sobre a mesa e me sentei.
- Cara, eu adoro o café da Drew. – Niall comentou, enquanto bebericava.
Drew era a assistente do lar. Era uma dos luxos que podíamos ter depois da ascensão da One Direction. Na verdade Drew não trabalhava lá em casa todos os dias, só quando minha mãe viajava e pedia para que ela viesse só para fazer nosso café da manhã. Quando em casa, minha mãe aceitava a condição de Drew vir pelo menos uma vez na semana. Eu quase nunca a via, quando eu acordava todo o café já estava posto na mesa.
- Liam deve estar dormindo. – Louis comentou enquanto pegava uma fatia de bolo.
Zayn mastigou um pedaço de pão e nos encarou com desanimo.
- Não, ele foi ver Danielle. – ele disse baixo. – Ela não foi no show anteontem, e ele decidiu ir ver ela.
- Mas ele vem depois? – perguntou Niall. – Vamos sair com as garotas de tarde.
Quando Niall disse aquilo, eu senti meu coração dar uma guinada. Como eu podia ter esquecido. Ou será tudo um sonho? estava mesmo dormindo no quarto de hospedes?
Peguei a caixa de leite e servi um pouco no copo, e enquanto eu bebia, eu pensava em ínfimas maneiras de explicar aquela situação para os meninos.
- Gente, eu preciso falar algo. – comecei, mas parei ao notar a cara de todos eles.
Seus olhos se concentravam a um ponto atrás de mim, eu rezava internamente que eles tivessem visto uma barata e não uma brasileira semi nua no corredor. Mas eu percebi o quanto eu estava errado quando Louis se pronunciou.
- Eu espero que esse algo, seja a explicação do porquê está parada no corredor olhando pra gente. – Louis disse divertido.
Escutei a curta risada dela vindo atrás de mim, e logo depois seus passos vindo em direção a mesa.
- Bom dia. – disse Niall, por mais que achasse a situação estranha ele ainda era simpático.
- Bom dia. – ela respondeu se sentando ao lado de Zayn, lugar onde antes Liam ocuparia.
Zayn sorriu pra ela, e ela fez o mesmo.
- Bom, será que algum de vocês dois pode explicar o que andou acontecendo na noite passada? – Louis disse bebericando o café.
apoiou a cabeça sobre uma das mãos e olhou para Louis sorrindo. Porque diabos ela sorria tanto?
- Harry me encontrou ontem na chuva. – ela disse sorrindo pra mim. – Eu estava meio que perdida.
- Meio? – perguntei irônico.
- Muito. – ela disse ficando rubra. – Eu fui até o centro comprar uma coisa, e acabei me perdendo, e Harry me achou.
- Grande achado colega. – Niall comentou enquanto comia uma grande fatia de bolo.
- Cala boca Niall. – eu disse entre os dentes.
Ela gargalhou e ficou nos encarando. Será que queria comer e estava esperando eu dar a ordem? E porque ela ria tanto? Eu definitivamente queria saber.
- Você parece feliz. – Zayn comentou olhando pra ela.
- E estou. – ela disse animada. – Sabe, não é todo dia que eu acordo e encontro com a One Direction na mesa de café da manhã. Só estou sentindo falta do Liam.
- Ele não vai vim agora, só depois. – Niall disse animado. – Não vai comer? – perguntou.
Ela encarou Niall e seus olhos perderam o foco.
- Eu não como pela manhã. – disse abaixando os olhos.
- O café da manhã é a refeição mais importante. – Louis disse sério. – Vá, coma alguma coisa.
- Não obrigada. – ela disse encostando as costas na cadeira.
- Ah, não faz assim, eu vou ficar triste. – Zayn disse oferecendo um pedaço de pão pra ela.
- Desculpe te decepcionar Zayn.
Seus olhos divagavam entre a comida e os meninos. Eu sabia que no fundo ela queria comer. Porque então ela não fazia? Porque de repente ela se tornou tão quieta? Alem do que, ela não havia comido na noite passada. Eu não podia deixá-la passar horas sem algo no estômago, por mais que não me preocupasse com ela.
- Eu insisto. – comentei baixo, servindo um pouco de café pra ela.
- Não Harry, por favor. – ela disse meio desesperada.
- Minha casa, minhas regras. – eu disse sério.
- Não faça isso. – ela parecia prestes a chorar.
- Só um gole. – Niall insistiu.
Ela desviou os olhos até Niall e colocou uma das mãos até a barriga. Parecia desesperada, como se aquilo a machucasse. Porque afinal ela não queria comer, ou beber nada? Não havia refeição mais saborosa que o café da manhã. E ela parecia desesperada com aquilo, com aquela situação.
- Só um gole e pronto. – ela disse pegando a xícara e bebericando.
- Isso não é um gole, bebe direito. – Louis disse rindo.
Ela riu pra ele e continuou bebendo. Ficamos a encarando por um tempo, até vê-la beber o café direito. Sua face corou levemente e desviamos os olhos dela.
- Então, onde vamos hoje? – ela perguntou, depois que ficamos em um silencio curto.
- Surpresa. – Zayn disse animado.
- Ah qual é? – ela perguntou rindo e pegando um pequeno pedaço de bolo.
De alguma maneira estranha eu me senti bem com aquilo. Por mais raiva que eu ainda sentisse por ela, vê-la comendo foi algo que me causou um certo tipo de alivio. Queria saber o porquê.
- De qualquer maneira, eu tenho que ir, as meninas devem estar preocupadas. – ela disse mordiscando o bolo.
- Você estava segura com Harry. – Louis disse me abraçando pelos ombros.
- Na verdade, eu estava com medo. – ela disse rindo, eu levantei uma das sobrancelhas. – Com aquela cara simpática que ele carregava no semblante ontem a noite, eu realmente estava com medo de se envenenada. – ela disse rindo. – Hoje você parece melhor.
Franzi o cenho pra ela.
- Ele continua com aquela cara de merda? – Zayn perguntou meio irritado. – Você não tem jeito.
- O que eu posso fazer? Estava de TPM. – respondi os fazendo rir, menos que não havia entendido.
- Tensão para matar. – Niall disse para ela.
Ela olhou para ele e começou a rir ridiculamente empolgada. Era estranho vê-la rindo, ela uma risada empolgante e contagiante. Eu queria ver mais daquelas risadas ao longo dos dois meses seguintes.
- Eu te levo até sua casa. – Zayn disse olhando para ela.
- Ah, obrigada. – ela deu um beijo no rosto de Zayn.
Eu a olhei de relance, de repente me senti estranho.
- Então eu vou trocar de roupa e podemos ir. – ela disse levantando e se direcionando até o corredor. – Harry. – escutei sua voz baixa atrás de mim. – Onde está meu casaco?
- Na lavanderia. – respondi secamente.
Ela se manteve em silencio por um tempo, e eu pude escutar ela suspirando pesado.
- Pode pegar para mim, por favor? – ela pediu.
- Você tem pernas, sei que pode fazer isso. – eu disse. – Alias, ainda tem braços que podem ajudar a segurar o casaco.
- Harry. – Zayn exclamou.
Eu o encarei, e mantivemos esse contato energético por um tempo. Porque de repente eu me sentia mais bravo e irritado que antes. E ver Zayn me repreendendo de tal forma, havia me irritado mais ainda. Porque ele insistia tanto que eu tratasse ela bem? Ele gostava dela?
- O que foi? – perguntei secamente.
- Não se trata uma garota desse jeito.
- Não tudo bem Zayn. – ela disse baixo – Eu vou colocar as roupas e depois eu procuro pelo casaco.
E dizendo isso ela seguiu até o quarto, fechando a porta com brutalidade.
- Não se trata uma garota dessa maneira. – Zayn repetiu.
- E daí? – perguntei.
- Você nunca foi assim Harry. – Niall disse.
- As pessoas mudam. – eu disse mordendo um pedaço de bolo.
- Sei que mudam. – Louis disse. – Mas o caso é que você só está assim tem três dias.
- Até você Louis? – perguntei tornando meus olhos pra ele.
Louis deu de ombros e voltou a comer. Bebi um gole de leite. O que Zayn queria que eu fizesse? Limpasse o chão por onde ela anda? Carregar ela no colo? Por favor né?
- Eu acho que sei por que está assim. – Zayn disse baixo, rindo zombeteiro dessa vez.
- Assim como? – eu perguntei levantando meus olhos pra ele.
- Por favor, está na cara. – ele disse mordiscando o pão.
- Se está, por favor, me mostre, porque eu não estou vendo nada. – respondi apontando pro meu rosto.
- Você gosta dela.
Engasguei com o leite que eu havia acabado de beber.
Gostar. Que aberração de palavra. Quem colocou isso no dicionário? Essa pessoa não merece meu respeito. Sinceramente. Gostar? Eu sentia tudo por ela, menos isso. Eu queria rir por aquilo que Zayn disse. O que havia acontecido? Ele havia bebido? Usado algum tipo de droga?
- Fumar não está de fazendo bem Zayn. – eu disse rindo baixo depois. – A fumaça está bloqueando sua inteligência.
- Quer saber, eu acho que Zayn tem razão. – Niall comentou depois de um tempo.
- O que? – perguntei exaltado.
- É também acho. – Louis completou.
- Vocês estão o que? Usando algum tipo de gás da loucura juntos? – eu disse rindo. – Isso não existe. – dei um muxoxo. – Gostar dela. Só podem ter enlouquecido.
- Por isso mesmo acho que gosta dela. – Zayn disse apontando para mim. – Você vive tratando-a mal sem motivo nenhuma aparente. Vi sua cara quando ela me deu um beijo, de repente você se tornou azedo.
- E o que é que tem ela ter de dado um beijo? – perguntei.
- Você ficou com ciúmes. – ele disse como se falasse do tempo.
- Ciumes? Por Deus-
- Pare de negar Harry – Niall disse se levantando e seguindo até o sofá. – Tá na sua cara.
- OK, discutir com vocês é impossível. – eu disse levantando e indo me sentar ao lado de Niall.
- Tanto porque é uma discussão boba e totalmente inútil.
- Se você acha. – respondi enquanto desviava meus olhos da mesa onde Zayn e Louis estava.
Respirei fundo, enquanto eu via um programa qualquer na TV. Na verdade, tentava ver.
Aquela simples frase de Zayn havia mexido comigo. Eu não gostava dela, eu havia certeza disso. Ele só podia ter enlouquecido.
- Vou tomar banho. – me pronunciei me levantando de chofre e indo até o corredor.
Antes de entrar no quarto olhei para a porta do quarto de hospedes ao lado da minha em um ato inconsciente. Suspirei cansado e entrei no quarto, me direcionando para o banheiro.
Não fiz um banho muito demorado como costumava a fazer, eu estava exausto e tudo que eu queria era sentir a água batendo com intensidade no meu corpo. Era a única coisa que me relaxava e me acalmava.
Peguei uma toalha, enrolei na cintura e sai do banheiro, me jogando na cama com desleixo. Passei uma das mãos no cabelo e suspirei. Poucos segundos depois escutei leves batidas na porta. Bufei, provavelmente era um dos meninos, querendo conversar sobre o tal assunto gostar da . Rolei na cama colocando a cabeça debaixo dos travesseiros e respirei fundo, logo as batidas recomeçaram, mas intensas dessa vez.
- Entra. – gritei.
Escutei a porta sendo aberta, e esperei por Louis ou Niall se pronunciarem, mas eu estava completamente enganado.
- Harry. – ouvi sua voz alta e clara debaixo do travesseiro, não era nenhum dos meninos e isso me desesperou.
Tirei a cabeça debaixo do travesseiro e me apressei em sentar na cama.
- O que faz aqui? – perguntei.
- Fecha as pernas. – ela pediu desesperada, só então notando que ela estava com as mãos nos olhos.
Ri baixo e não fiz o que ela pediu.
- O que faz aqui? – perguntei meio risonho.
- Eu esqueci meu celular ontem aqui no banheiro eu só quero pegar ele. – ela falou ainda com as mãos nos olhos.
- Pode pegar.
- Se eu pudesse enxergar.
- Ué tira as mãos dos olhos. – falei rindo, me divertindo com aquela situação.
- Então fecha as pernas. – rebateu meio brava.
- Não estou pedindo pra olhar. – eu falei baixo.
Ela se manteve calada por algum tempo, eu levantei da cama e ajeitei a toalha na cintura. Olhei para ela que ainda mantinha a mão nos olhos.
- Ok, tudo bem. – eu disse sorrindo. – Eu já estou de pé.
Ela me olhou entre os dedos e suspirou aliviada, tirando logo depois as mãos dos olhos.
- Vai vestir uma calça. – ela pediu rindo.
- Porque? – perguntei levantando um das sobrancelhas.
- Porque você tem uma convidada em casa.
- Que já está indo embora. – eu respondi baixo, ela ergueu as sobrancelhas e cruzou os braços. – Eu estou em casa, e alias no meu quarto, se eu quiser andar só de toalha eu ando.
- Ótimo. – ela disse rápido. – Mas ninguém é obrigado a ver seus órgãos sexuais.
Gargalhei animado e ela riu baixo. Parei de rir e a encarei por alguns segundos, assim como ela fazia. Só então eu havia notado que ela estava com moletom e a calça jeans.
- Posso ficar com o moletom? – ela perguntou. – Depois eu devolvo, é que Louis foi pegar o casaco e viu que estava muito encharcado ainda.
- Tudo bem – respondi sorrindo. - Pode ir pegar seu telefone. – eu disse.
Ela sorriu e foi até o banheiro, não demorou muito e ela voltou até o quarto, seguiu até a porta e parou. Virou em minha direção e sorriu.
- Obrigada. – ela disse baixo.
- Pelo o quê? – perguntei franzindo o cenho.
- De todas as pessoas que poderia ter me encontrado na noite anterior, foi você que me achou. Não que isso seja uma coisa boa – ela riu para o chão -, mas também não é ruim.
- O que quer dizer? – perguntei.
- Quero dizer, que você é uma boa pessoa quando quer. – ela levantou os olhos até mim.
- Está dizendo que eu não sou uma boa pessoa? – perguntei me aproximando.
Ela suspirou e passou uma das mãos no cabelo, desviou os olhos até um ponto qualquer e voltou a me encarar mais intensamente.
- Temos dois meses – ela disse como se o fato fosse obvio. -, depois eu vou embora. Não quero pensar que eu vim para Londres, conheci as pessoas mais maravilhosas que se podiam conhecer, e voltar para casa imaginando como poderia ter sido se não fossemos tão orgulhosos. – ela suspirou e cruzou os braços.
Eu me aproximei dela com rapidez e a joguei com brutalidade na parede. Ela arregalou os olhos colocou uma das mãos em meu peito. Eu não sabia o que havia me dado. Mas algo havia me dominado, e dessa vez eu sabia que não era raiva. Era desejo. E como ela mesma havia dito, eu não queria ficar pensando depois como teria sido se não fossemos orgulhosos.
Coloquei uma mecha dela atrás de sua orelha e afaguei seu rosto com as costas da mão. O toque macio que sua pele me transmitia era diferente de tudo que eu já havia sentido antes. Seus olhos me analisavam atentamente, sua respiração era descompassada e rápida. Coloquei uma de minhas mãos ao redor de sua cintura e a escutei arfar entre os lábios. E antes que ela pudesse pestanejar mais uma vez, eu capturei seus lábios e desespero.
As imagens naquelas fotos sobre a cômoda podiam criar vida e sair de dentro dos porta-retratos para presenciar aquele beijo, e os moveis daquele quarto poderiam se comover com o desespero e o sentimento contido que aquele beijo podia estar transparecendo. Pois só as ruínas daquele prédio presenciavam a dor e o desejo que havia ali. Só elas poderiam perguntar o que nos havíamos feito para merecermos aquela tipo de ódio e intolerância, já que era obvio que havíamos nascidos para pertencer e beijar o outro. Que havíamos sido feitos sob medida, em todos os milímetros de extensão do corpo a todas as características e falhas de personalidade.
Só éramos como éramos, para completar o outro. E aquele beijo preciso e desesperado para não largar o lábio e o gosto de ambos, que em algum momento seria interrompido, carregava um sentimento que nossas almas pereciam carregar por um tempo de existência. De que importa detalhes típicos do que aquele beijo foi? Tente descrever em numero a formula que conceitua uma alma, ou o que há depois que morremos, ou em cores o que conceitua um sentimento. Naquele beijo nós conceituamos a maior formula de todas.
Eu segurava sua nuca fortemente com uma das mãos enquanto a outra não conseguia permitir que ela se afastasse. Pressionei uma ultima vez os lábios contra os dela, obrigando-me a interromper aquele beijo contínuo e ansioso causado pela falha de minha determinação ou fraqueza do meu próprio coração.
Ela me olhou desesperada e me afastou com a mão que mantinha colada sobre meu peito. Eu a olhei sem entende o que acontecia. Ela respirou fundo e passou a mão nos cabelos, ela voltou a me encarar e eu podia ver resquícios de lagrimas em seus olhos.
- Porque fez isso? – ela perguntou depois de um tempo.
Eu respirei fundo e desviei os olhos. Porque eu havia feito aquilo? O que eu sentia na verdade? Aquelas palavras que rodavam em minha cabeça enquanto beijávamos era apenas puro sentimentalismo do momento?
Droga, eu gostava dela. E isso me magoava. Não por gostar dela, e sim pelo que estava por vir. Ela não me merecia, ela merecia alguém melhor. Eu não podia submeter a ela a todo tipo de loucura por minha causa. Gostar de mim tem um preço alto a pagar. Só iria estragar sua vida, e por gostar dela, eu não podia deixar que ela sentisse o mesmo. O que seria de sua vida caso alguém descobrisse que estávamos gostando um do outro? Seria pressão de mais. E eu não suportaria vê-la sendo ameaçada de morte, o esses tipos de coisa que sabemos que acontecem.
E para evitar isso tudo eu tinha que fazê-la me odiar.
- Desculpe. – pedi.
Ela virou a cabeça me analisando atentamente.
- Desculpas? – perguntou baixo.
- Não foi minha intenção. – eu disse sério dessa vez.
- O que quer dizer?
- Foi coisa do momento. – falei. – Não vai acontecer de novo.
Ela me encarou séria e me deu as costas, ao fazer isso ela socou a parede com força e encostou a testa nela. Fiquei a encarar, e não demorou muito para ela me encarar de volta.
- Coisa do momento? – ela perguntou.
- Sim, não significou nada. – menti.
Seus olhos se arregalaram.
- Você é idiota. – ela disse por fim.
Eu a encarei intensamente e me afastei até a porta, segurei a maçaneta e antes de abrir eu disse.
- Você não disse que ia embora?
- Quem é você? – ela perguntou irônica, mas com a voz melancólica.
- Sou o Harry, ora.
- Não, esse Harry aqui eu odeio. – ela disse apontando para mim. - Eu gosto do Harry Edward Styles, e não desse aqui na minha frente.
- É o mesmo Harry.
- Não, não é. – ela disse tendo certeza daquilo. – Esse Harry aqui - disse maneando a cabeça até mim. -, é mesquinho, metido a famoso e intolerante. – logo depois ela sorriu. – As vezes eu tenho vislumbres do Harry que eu julgava conhecer, aquele Harry daquela foto – ela apontou para as fotos sobre a cômoda. -, ou o Harry de minutos atrás. Eu só queria saber onde ele está, às vezes ele desaparece.
Eu desviei meus olhos dela, chocado de mais com aquelas palavras que eram proferidas a mim.
- Talvez não seja tão fácil encontrar ele. – eu disse, sem entender afinal, porque eu falava aquilo. – Ele está debaixo de um monte de mesquinharias e famas na cabeça. – havia um tom de ironia na minha voz. - Talvez nem valha a pena tentar.
Ficamos em um curto silencio, onde só as nossas respirações eram ouvidas. Retirei a mão da maçaneta e cruzei os braços.
- Quer saber – ela disse desviando os olhos de mim e vindo até minha direção -, se ele não quer ser encontrado, pra quê eu vou lutar contra um mar de grosserias? – ela suspirou pesado. E me encarou de volta. – Você tem razão.
- Sobre o que? – perguntei.
- Não vale a pena tentar.
E dizendo isso ela abriu a porta e saiu do quarto.
Passei uma de minhas mãos na testa.
Fechei a porta do quarto e me encostei nela. Ao fazer isso escorreguei até sentar no chão. Por mais ínfima certeza de que eu não quisesse submetê-la a toda a loucura de se apaixonar por alguém como eu, eu queria imensamente que ela tentasse.

’s POV

Eu estava preocupada. Alias mais do que preocupada. Onde essa garota havia se metido? Não respondia as mensagens e parecia ter tomado algum tipo de chá de sumiço. Assim como eu, as garotas pareciam preocupadas. Ela disse que não demoraria, mas já havia amanhecido e nenhum resposta em nenhum dos celulares.
Suspirei mais uma vez e juntei as mãos, apoiei os cotovelos na bancada da cozinha e fiquei por lá pensado. Estava muito preocupada, tão preocupada que justificava as ralas lagrimas que escorriam pela minha bochecha. Eu sei que era esperta, alias muito esperta. Mas pensar na possibilidade de perdê-la me sufocava. Eu não agüentaria mais uma perda em minha vida, uma perda tão importante como aquela. O caso se repetiria se fosse qualquer uma das meninas. Solucei por culpa daquele choro continuo.
- Senta aqui . - pediu me observando do sofá. – Logo ela aparece.
Eu me afastei até o sofá onde estava e deitei colocando minha cabeça sobre seu colo. Ela começou a mexer nos meus cabelos.
- Eu estou tão preocupada . – eu sussurrei fechando os olhos, deixando algumas lágrimas escorrerem mais facilmente.
- Todas nós. – ela respondeu baixo. – Mas é a , ela sempre sabe o que fazer. – ela disse meio risonha, limpando meu rosto com uma das mãos.
Eu ri baixo.
- É, ela sempre sabe.
- Você não quer ir dormir um pouco? - perguntou. – Você está acordada a noite toda.
- Não, prefiro esperá-la.
Ficamos em um curto silencio. ainda dormia, mas ainda sim ela se tinha feito preocupada ao notar o sumiço de , alem do que, antes de sair, ela havia pedido para ela ficar em casa. Suspirei cansada, e foi nesse momento que escutei o barulho de chaves na porta.
Sentei-me de chofre e observei a porta sendo aberta, vi sua imagem surgir. Fechei meus olhos algumas vezes, confirmando aquela imagem como verdadeira. Antes que ela pudesse suspirar, ou até mesmo fechar a porta eu me levantei do sofá.
- Onde você estava? – perguntei exaltada, correndo para abraçá-la.
- Na casa do Harry. – ela respondeu coma voz embargada. Eu me afastei alguns centímetros para analisar seu rosto.
- Que Harry? – perguntou se aproximando.
- Harry Potter. - respondeu rindo.
- O que? – ela perguntou inclinando a cabeça.
- Lógico que não. – riu fraco e se direcionou para o sofá. – Harry Styles, e eu queria profundamente nunca o ter conhecido.
Olhei para ela e fechei a porta que ela havia deixado aberta. Direcionei-me até o sofá onde ela estava e me sentei ao seu lado. Ela olhou para mim e colocou a cabeça sobre meu ombro.
- Me conte o que aconteceu. – eu pedi, ela suspirou cansada e algumas lagrimas grossas começaram a cair do seu rosto.
Seu choro se intensificou e foi impossível ela não fazer algum som por conta disso. Naquele exato momento apareceu na escada e identificou . Não demorou muito para ela descer com rapidez e ajoelhar na frente de nós e apoiar as mãos nos joelhos de , logo se aproximou enquanto bebericava o café e se sentou no chão ao lado de e fez o mesmo.
Ficamos ali um tempo, a encarar chorando, era triste e sufocante vê-la daquela maneira. Mas ela parecia quase aliviada fazendo aquilo. Não impedimos em momento algum o choro dela, e enquanto ela fazia isso eu acariciava seus cabelos . Minutos depois ela se acalmou e suspirou fracamente.
- Eu... eu queria entender... saber... apenas isso... eu não sei porque... – ela disse as frases picadas enquanto soluçava entre elas.
- Você não está falando nada com nada meu bem. - disse enquanto segurava fortemente seus joelhos.
suspirou e fechou os olhos com força.
- Ele é um grosso. – ela disse baixo. – Eu queria entender porque ele me trata de tal forma.
- Ele te tratou mal? – perguntei arregalando os olhos.
Ela balançou a cabeça negando aquilo e recomeçou a chorar.
- Ele me beijou.
- Ele te beijou? - se fez presente.
- Ai, meu Deus. - disse animada. – Mas porque está chorando?
- Ele disse que não significou nada, e pediu d-desculpas. – ela murmurou limpando as lágrimas. – Sabe o quanto eu me senti inútil depois? – ela perguntou olhando para nós. – Eu nunca senti nada igual aquele beijo, foi algo tão diferente e especial.
- Você está gostando dele. – confirmei.
- É claro que estou. – ela disse raivosa. – Eu sempre gostei não é? Mas agora conhecendo ele... – ela soluçou. – Eu queria entender porque as vezes ele se torna tão grosso, quando há segundos atrás ele é um doce.
- Isso é coisa de garoto. - disse baixo.
- Não, não é. – ela disse raivosa. – Ele é esquisito. Ele me odeia.
- Ele não te odeia. - afirmou.
- Como pode ter certeza? – ela perguntou.
- Não tem como não gostar de você. - disse. – Você é incrível, as vezes tenho inveja de como é simpática e espontânea com as pessoas, você tem uma voz maravilhosa e um corpo de dar inveja. Eu as vezes queria ser você.
- Não seja ingênua . – ela disse sorrindo. – Quem gostaria de alguém gorda como eu?
- Gorda? – perguntei. – Não começa com isso.
- Começa com o quê? – ela perguntou se fazendo de boba.
- Você comeu hoje de manhã? – perguntou .
- Lógico que comi. – ela disse brava e se encolhendo mais no sofá.
- se eu descobrir que você tem parado de comer de novo eu vou enfiar comida goela abaixo. - disse nervosa.
Por mais seu comentário fosse engraçado ninguém riu. Era um caso sério, que evitávamos não tocar no assunto, sabíamos que era sensível a ele.
- Eu não vou hoje. – ela disse depois de um tempo.
- Ah, você vai sim. – eu insisti.
- Não, eu não vou . Eu não quero vê-lo.
- E você vai mostrar que se deixou abater? - perguntou.
- Só vai dar motivo para ele brincar mais com você. - murmurou.
- Por isso eu não vou. Cansei de ficar agüentando suas piadinhas. – ela disse fazendo careta. – Alem do que, ele vai rir da minha cara ao ver meus olhos de choro.
- Pare com isso, se você for, ele vai quebrar a cara. – eu disse. – Vai ver que você não se deixou abater.
Ela suspirou e juntou as mãos sobre o colo, ela levantou os olhos e ficou a encarar a escada adiante. Só então eu havia percebido que ela estava com uma roupa diferente de quando ela foi. Aquele moletom não era dela, talvez fosse de Harry.
- Tudo bem. – ela disse sorrindo fracamente. – Só porque eu gosto muito de vocês, e dos outros meninos.
Sorrimos animadas e nos juntamos em um abraço em grupo. Ao fazer isso escutamos o barulho de choro novamente e nos afastamos rapidamente, encarando . Ela recomeçara a chorar.
- O que foi? – perguntei.
Ela soluçou algumas vezes.
- Obrigada. – ela disse baixo. – Eu amo tanto vocês.
Grunhimos juntas e voltamos a nos abraçar.

Não demorou muito para os meninos virem buscar a gente. Era mais ou menos hora do almoço quando os cinco apareceram lá em casa depois de uma hora atrás mandar mensagens avisando os horários. Estava todos lá inclusive Harry, que não estava em uma das melhores caras. Mas de uma forma estranha, era um pouco melhor do que aquela que ele carregava nos dias anteriores. É, um pouco.
Decidimos rapidamente como íamos nos dividir no carro, já que Zayn insistia em chegar na hora do almoço assim como Niall. Eu iria com Louis, Niall, e e no outro carro iria Zayn, Harry, Liam, e . Não foi muito difícil escolher quem ia com quem, já que os meninos insistiam em dizer que Harry e não poderiam ir juntos, se não causaria a terceira guerra mundial. O que foi um alívio para ela, já que parecia mais do que obvio que Harry não deu com a língua nos dentes.
Foi divertido o caminho para lá. Louis era um ótimo motorista e contava umas piadas absurdamente loucas, mas engraçadas. Foi um momento divertido, e eu pude ver pelo retrovisor o quanto perecia distraída e já ter dissipado um pouco aquela aura pesada que ela carregava ao chegar da casa de Harry. Tanto porque, mais do que qualquer uma eu sabia que lagrimas ajudavam bastante.
- Ai, meu Deus. – ouvi a voz de no banco de trás. – Eu amo essa musica.
Louis riu e aumentou o som do radio.
- Eu também. – Niall disse animado.

My heart's a stereo
It beats for your, so listen close
Hear my thoughts in every note


e Niall cantavam animados no banco de trás, enquanto eu vi pelo retrovisor fazer movimentos com as mãos e apontar para Niall que repetia o gesto.

Make me your radio
Turn me up when you feel low
This melody was meant for you
Just sing along to my stereo


Depois disso, todos nos já cantávamos. Foi divertido, fomos cantando quase a viagem inteira que eu nem havia percebi quanto tempo demorou a viagem. Percebi que foi um tanto quanto longa, quando chegamos em uma cidade pitoresca do sul da Inglaterra, onde as casas eram simples, mas charmosas. Era uma cidade pequena, com uma praça principal que dava para um rio que parecia ser um dos pontos turísticos da cidade.
O carro a nossa frente, o carro de Zayn, parou em frente a praça e logo Louis se apressou em fazer o mesmo. Desviei meus olhos para ele.
- São quantas horas de viagem? – perguntei baixo.
Ele desligou o carro e se aproximou de mim.
- Uma hora e meia. – ela sussurrou como se contasse um segredo.
Gargalhei com aquilo e vi as meninas e Niall descer do carro. Louis ainda estava dentro do carro, assim como eu, que ainda não entendia o motivo de não ter descido. Ele sorriu pra mim e procurou com as mãos algo dentro do carro. Procurou no console, no porta-luvas e no espaço de armazenamento na porta de motorista.
- O que procura? – perguntei.
- Meus óculos. – ele disse concentrado.
Coloquei as mãos no compartimento na porta de passageiro e as fechei em torno de uma caixinha.
- Acho que é isso. – eu disse tirando a caixinha e mostrando pra ele, ele fez menção de pegar, mas eu afastei, ele sorriu. – Para quê você vai colocar óculos? Nem sol está fazendo, está nevando, frio e nublado.
Ele riu.
- Mas ficar bonito não faz mal. – ele disse cerrando um pouco os olhos e olhando pra mim.
- Você já é bonito, não precisa de óculos. – comentei rindo.
- Agradeço seu elogio, mas – ele disse apontando o dedo em riste para o teto e pegando rapidamente a caixinha de minhas mãos. Ele a abriu e retirou os óculos lá de dentro, o colocando em seguida sobre o rosto. – você ofusca toda minha beleza quando está perto de mim. Sabe, é meio frustrante.
Ri baixo e encarei as lentes escuras de seus óculos, julgando assim estar encarando seus olhos azuis.
- Quer saber de uma coisa Lou. – eu disse, e vi ele arqueando as sobrancelhas através do óculos. – Cenouras não estão te fazendo bem.
Ele riu e saiu do carro, eu então fiz o mesmo, quando o fiz encontrei com ele ao lado da minha porta, seus lábios estavam franzidos e seu nariz entortado.
- O que foi? – perguntei.
- Entra no carro. – ele pediu com a voz baixa, mas meio ameaçadora, por isso eu fiz sem questionar.
Logo que o fiz, ele fechou a porta, passaram alguns segundos e ele a abriu com um sorriso no rosto.
- É isso que cavalheiros fazem – ele disse tirando os óculos e me encarando com seus olhos azuis. -, e é assim que damas devem agir.
- Sabe, eu ainda continuo com a teoria das cenouras. – eu disse baixo e desci do carro.
Ele fechou a porta e apertou a tranca, ele sorriu para mim e nos afastamos até o grupo de oito pessoas que estávamos acompanhados. As meninas tiravam varias fotos entre si e algumas com os garotos, enquanto tirava fotos da praça.
- Agora que os dois resolveram chegar, eu posso dizer onde estamos. – disse Zayn fazendo gestos demonstrando a praça onde estávamos.
Os meninos riram pelo nariz e encararam com incredulidade Zayn, ele estava parecendo aqueles guias turísticos que fazem questão de dizer tudo sobre a cidade e seu valor histórico.
- É uma cidade próxima de Londres, chama Richmond. – Zayn disse. – Está vendo aquela grande casa ali adiante? – ele perguntou apontando até um pequeno cume, onde a neve ao longe parecia aglomerada.
- Sim. – respondi.
- Então, ali é um restaurante legal. – ele disse rindo. – Vamos nos divertir muito.
Sorrimos todos pra ele.
- E porque paramos aqui? – Louis perguntou.
Zayn se virou pra ele e sorriu levemente.
- queria tirar umas fotos. – ele disse ainda sorrindo.
sempre gostou de tirar fotos de paisagens, ela era muito boa nisso na verdade. Havíamos varias vezes insistido para que ela fizesse um tipo de blog e postasse suas fotos, mas ela negava constantemente alegando ser horríveis. Talvez com essa viagem ela mudasse de idéia.
- Podemos ir. – ela disse e sorriu para nós.
Os meninos concordaram com a cabeça e começaram a se afastar.
- Um minuto. – eu pedi. – Temos que tirar uma foto juntos... Quero dizer, é um momento especial. É o começo de nossa viagem.
Eles me encararam e voltaram alguns passos.
- É você está certa. – Liam concordou. – Eu adoraria tirar uma foto com vocês para poder me recordar para sempre. Sinto que esses dois meses serão incríveis.
- Owwn, vou te morder. – Louis disse para Liam, fazendo gesto com as mãos.
Olhei ao redor e encontrei um grupo de quatro pessoas que tiravam fotos da paisagem também, pareciam turistas. O que seria melhor, talvez não reconhecessem os meninos. Afastei-me e fui em direção a eles. Era um casal e duas filhas mais novas, pareciam felizes e eu me senti mal por incomodar aquela família.
- Por favor. – chamei.
O senhor me olhou e sorriu.
- Sim? – perguntou.
- Será que podia tirar um foto minha com meus amigos ali? – pedi, apontando para eles.
- Claro. – ele disse simpático, e me acompanhou até eles.
entregou sua câmera para ele e nos esprememos para caber na foto.
- Não está cabendo. – ele disse rindo baixo.
Dispersamo-nos na foto, ficando uns mais a frente outros mais atrás. E assim foi feito ele bateu algumas fotos, e nós agradecemos por sua gentileza, ele entregou a câmera a e se afastou.
- Eu sabia que na segunda foto, ninguém ia sorrir bonitinho. - disse enquanto analisava a foto.
Rimos e nos esprememos ao redor dela para ver. Era uma foto ridiculamente engraçada. Rimos juntos.
- Quem me cutucou na hora da foto? – perguntou Louis rindo.
- Parece que você levou uma paulada na bunda isso sim. – Zayn riu.
- Olha a cara do Liam. - disse rindo. – Parece que está puto, mas é hilária.
Ficamos rindo um tempo da foto e decidimos ir, quando estávamos nos afastando até o carro, aquele mesmo senhor voltou com as duas filhas.
- Desculpem-me, mas é que eu não sabia, mas as meninas aqui notaram – ele disse meio tímido. -, vocês são a One Direction.
Os meninos trocaram um olhar cúmplice e sorriram.
- Sim.
- Será que podia tirar uma foto com a gente? – perguntou uma das mais novas.
- Claro que sim. – Harry disse bagunçando o cabelo dela.
Nos cinco nos afastamos da foto e deixamos os meninos tirar a foto com as meninas, dessa vez eles riam bonitinho. As meninas pediram alguns autógrafos e eles concederam de bom agrado. Eu me aproximei um pouco de Louis, enquanto ele sorri para mim, e vi a irmã, que parecia mais velha, se aproximar dele com o papel na mão. Era tinha os cabelos claros e os olhos castanhos, parecia um verdadeira boneca.
- Louis. – ela chamou baixo.
Louis desviou os olhos de mim até a garotinha.
- Sim.
- Será que podia me dá um autografo? – ela perguntou com a voz muito doce.
- Mas é claro. – ele disse se ajoelhando na frente dela, e recolhendo o pequeno caderno e a caneta. – Para quem eu devo dedicar?
- Para Alex Coelhinha. – ela disse rindo.
Eu ri baixo e vi Louis sorrindo para ela e escrevendo no papel rapidamente.
- Então você gosta de cenouras Alex Coelhinha? – ele perguntou devolvendo o caderno para ela.
- Sim, eu adoro.
- Por isso você é bonita Alex Coelhinha. – ele disse bagunçando seus cabelos. – Meninas que comem cenoura são muito bonitas. – ele olhou para mim e sorriu. – Está vendo aquela menina ali?
- Qual? – perguntou olhando ao redor.
- A mais bonita de todas. – ele disse sorrindo mais.
Eu corei e desviei os olhos para o chão.
- A de cabelos ? – ela perguntou.
- Sim. – Louis respondeu rindo. – Está vendo o quanto é bonita? Aposto que se continuar comendo cenouras, quando você crescer você vai ficar tão bonita quanto ela.
- Puxa. – a menina respondeu impressionada.
Levantei meus olhos até eles e vi a menininha se afastar. Louis já estava de pé e me encarava sorrindo. Ficamos a nos encarar por um tempo até que ele se aproximou, com a mão nos bolsos e parou na minha frente.
- Não precisava contar uma mentira tão deslavada. – comentei rindo.
- Não contei. – ele disse me encarando. – Não sou de contar mentiras.
- Então você é de enganar garotinhas.
Ele riu para o chão e voltou a me encarar.
- Como você é ingênua . – ele disse baixo.
- Você enganou uma garotinha. – eu disse em falsa indignação. – Vai fazer ela comer cenouras acreditando que vai ficar bonita.
- Você é bonita por alguma razão.
- Não, eu sou feia por alguma razão.
- Você tenta se enganar, mas aposto que não tem se olhado no espelho ultimamente. – ri baixo e ele continuou. – Para mim você é linda, e não tem motivos para eu dizer o contrario. – ele disse sussurrando em meu ouvido.
Senti uma corrente elétrica descer por minha espinha. Levantei os olhos e constatei que Louis já se afastava até o carro, fiquei alguns minutos parada observando Louis de longe. Ele era realmente incrível, Eleanor tinha sorte. Sorri triste e o segui até o carro.

- Eu estou ansioso para isso. – ouvi Louis disse enquanto se remexia ao meu lado.
Eu ri baixo, e desviei meus olhos até os meninos, estávamos sentados em uma das mesas dentro do restaurante. O lugar era lindo, super aconchegante e quente, mas Louis insistia incansavelmente para eu acompanhá-lo até o ringue de patinação aos fundos, lugar pelo qual era motivo do restaurante ser tão conhecido.
A pista era uma das maiores na Inglaterra, e uma das melhores também, Liam havia confirmado. Liam e disseram que iriam nela mais tarde porque havíamos acabado de chegar, mas Louis insistia que queria ir agora, e aquele convencimento todo estava de me causar pena.
- Vamos, por favor. – ele implorou mais uma vez.
Suspirei de lado e o encarei.
- Não Lou. – eu disse séria. – Não tenho equilíbrio para esses tipos de coisa.
- A qual é? – ele disse pegando em meus ombros e me chacoalhando. – Ninguém quer ir agora, mas eu estou super afim. Sei que gosta de me deixar feliz.
Ri para o chão, e vi os meninos me encarando com um ar zombeteiro.
- Eu gosto, mas quando minha vida está em risco eu prefiro não arriscar.
Ele deu um muxoxo e encarou a mesa.
- Ah . - disse rindo. – Nós ficamos olhando vocês.
- É. – Zayn concordou.
Olhei para Louis ao meu lado e vi-o me encarando esperançoso. Aqueles olhos verdes ainda me causariam muitos problemas futuros, eles tinham um poder de convencimento que faria até a pessoa mais fria, sorrir.
- Ok, tudo bem. – eu concordei.
Louis sorriu para mim e levantou da cadeira, não demorou muito e ele pegou em uma das minhas mãos e puxando escada rolante acima, onde eu julgava ser o lugar para alugar os trajes.

Eu estava parada em um canto da pista concentrada e com medo de mais para fazer alguma coisa. O medo me dominava, e enquanto eu estava pensando na possibilidade de cair naquele amontoado de gelo compactado, eu via Louis patinando na pista com destreza e graciosidade. Talvez ele tivesse o costume de fazer isso.
Alem do quê, aquele tipo de esporte parecia comum aqui na Inglaterra. Apoiei minhas mãos na grade e encarei as outras pessoas que patinavam, mas não parecia tão interessante até que encontrei com Louis e o fiquei observando. Quando fiz isso, vi que ele havia percebido. Ele sorriu para mim em resposta e se aproximou.
- O que faz ai? – ele perguntou.
- Observando. – respondi sorrindo.
- A paisagem ta boa?
- Sim, mas melhorou quando você apareceu. – eu disse, envergonhada.
Ele riu para o chão e voltou a me encarar.
- Vem, vamos patinar. – ele disse estendendo a mão.
- Não obrigada eu estou ótima aqui na grade.
- Não parece legal. – ele disse me encarando sorrindo.
- Muito pelo contrario – eu disse olhando para cima -, é legal, porque eu estou segura.
Ele sorriu zombeteiro.
- Eu gosto de arriscar.
- O que quer diz- – e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele pegou uma de minhas mãos e me puxou pela pista a fora. – Louis.
Ele virou pra trás, gargalhou alto e continuou me puxando. Era divertido na verdade, mas o medo de cair sentada naquele gelo me fazia uma completa idiota parada na pista, até que Louis resolveu me puxar fazendo correr junto com ele.
- Você é louco. – gritei enquanto ele me girava.
- Percebeu agora? – ele gritou em resposta, me fazendo rir.
Ele continuou me puxando até que ele parou alguns minutos depois e puxou minha mão me fazendo se aproximar dele.
- Arriscar às vezes não é tão ruim. – ele disse sussurrando próximo ao meu rosto.
- Mas às vezes pode ser doloroso. – eu disse franzindo o nariz.
- Eu nunca faria você sofrer. – ele disse baixo.
Desviei meus olhos dele e encarei uma arvore mais adiante. Ele não sabia, mas de uma forma estranha eu já estava sofrendo. Todo aquele contato e aquelas palavras de duplo sentido me magoavam de uma forma incômoda, eu queria poder ficar com ele. Abraçar ele, ou até mesmo acariciar ser cabelos sem pensar que havia outra pessoa que podia fazer isso, e ela não era eu. Eu não tinha nada contra Eleanor, muito pelo contrario. Eu gostava dela, e sabia que Louis era feliz com ela por isso, mas ai estava o problema. Ele era feliz com ela, e só com ela. Eu era apenas uma amiga, mas eu queria ser algo a mais. Tudo bem que nós nos conhecemos tem apenas três dias, mas diferente de Louis, eu o conhecia há anos, e sabia todos os efeitos que ele me causava mesmo a distancia.
- Sei que agora pode ir sozinha. – ele disse me tirando de meus devaneios.
Eu voltei a encará-lo e ele sorria de forma serena. Abaixei meus olhos para o chão e voltei a encará-lo, sorrindo dessa vez.
- Sim, vou tentar. – eu disse.
Ele sorriu ainda mais, soltando minhas mãos, deixando uma sensação acolhedora nela. Inconscientemente me vi pegando em minha onde minutos atrás ele a havia segurado. Olhei para ele que patinava um pouco a frente enquanto sorria e olhava tudo em volta.
Olhei em volta também e constatei que Liam e desciam as escadas do restaurante até a pista, enquanto os outros iam até os bancos próximos. Sorri com aquilo, com a possibilidade dos meus amigos me verem caindo na pista. Não seria um dos meus acontecimentos preferidos.
Não demorou muito e eu já estava patinando devagar, levantei meus olhos e encontrei com os de Louis que levantou o polegar em minha direção me fazendo rir. Então quando eu já estava apta a patinar um pouco mais rápido ele passou ao meu lado como uma flecha e gritou por sobre o ombro:
- Olha, eu sou o Flash.
Eu gargalhei alto, e quando eu o fiz vi Louis se chocar com a grade da pista e ser arremessado sobre ela, caindo em um monte de neve mais adiante e sumindo entre elas. Minha risada foi interrompida na hora, dando lugar para o desespero, patinei com cautela até a entrada da pista, me sentei na neve sem me preocupar de molhar as calças e retirei os patins com dificuldade.
Quando consegui tal proeza me levantei sem nenhum esforço, olhei ao redor constatando que nenhum dos meus amigos havia visto Louis sendo arremessado. Voltei meus olhos para frente e corri com dificuldade sobre a neve até o monte onde Louis estava com a cabeça enfiada e só suas pernas apareciam. Ajoelhei-me ao seu lado toquei em sua perna levemente, no começo nada aconteceu, mas logo uma de suas pernas se moveu incansavelmente e ele saiu sob a neve. Ele levantou os olhos até mim, parecia meio envergonhado, e com dor.
- Está bem? – perguntei tocando seu braço, que estava gelado.
Ele olhou para minha mão sobre seu braço e voltou a me encarar. Seus olhos estavam opacos e distantes, fiquei com medo de que tenha se machucado, algo dominava meu coração, era como se tivesse machucado a mim.
- Você está brincando? – ela falou alto meio risonho. – Eu estou ótimo. Uau, isso foi incrível. Eu quero fazer de novo.
Gargalhei animada e segurei sua mão em um ato reflexo. Senti-me mal por ter feito aquilo, mas quando fiz menção de retirar a mão, ele a segurou com mias força e sorriu em resposta para mim.
Eu encarei seus olhos verdes na tentativa de descobrir o que ele sentia. Apesar de estar preocupada sobre a aterrissagem de Louis e se ele havia se machucado, eu sabia no fundo que ele estava bem. Eu queria saber na verdade o que ele sentia em relação a mim.

’s POV

Suspirei cansada e abaixei meus olhos pra mesa. Eu odiava aquela observação. Odiava quando todos decidiam me olhar, mas eles precisavam da minha ultima palavra. Aquela que iria decidir se descíamos ou não. Na verdade eu não queria, mas todos me olhavam com pena e Liam insistia para que eu o acompanhasse até a pista de patinação.
Aquilo de uma forma estranha mexeu comigo, eu não conseguia olhar nos olhos de Liam, desde daquela noite onde ele disse palavras confusas sobre olhos e felicidade, eu fiquei em alerta. Liam tinha namorada, muito bonita alias, e porque ele insistiu em dizer que queria me fazer feliz? Esse era o problema dos britânicos afinal? Eles tinham o dom de enfeitiçar?
- Ok, tudo bem. – eu disse baixo e levantei meus olhos.
Eu podia sentir Liam me encarando ao meu lado, mas eu evitava desviar meus olhos até ele, eu não queria aquelas sensações de volta, por mais reconfortante que elas fossem. Vi os meninos e as meninas se levantarem na minha frente e fiquei um tempo ali imaginando.
Afinal, eu iria patinar com Liam, justamente aquele que eu evitava manter contato. Fiquei um tempo ali sentada pensando naquilo, quando senti mãos quentes tocarem meu ombro. Eu sabia de quem era e eu evitava ao máximo não pensar nas sensações que me eram transmitidas.
- Vamos . – ele sussurrou baixo atrás de mim.
Eu suspirei resignada e me levantei. Ele me encarava e eu evitava fazer o mesmo. Seguimos até a escada rolante lado a lado, sem ainda ter nenhum tipo de contato. Eu esperei junto com as meninas que Liam alugasse os equipamentos. Não demorou muito para ele vir em minha direção, perguntando quanto eu calçava. Respondi baixo e ele se afastou rapidamente até o balcão. Logo ele voltou com os patins na mão e alguns acessórios.
Descemos a escada que levava a pista, os meninos e as meninas se afastaram até os bancos laterais e eu e Liam fomos até a entrada da pista onde calçamos os patins. Olhei para a pista e vi e Louis rindo enquanto conversavam.
- Deixe-me ajeitar para você. – ele pediu ajoelhando na minha frente e amarrando os patins.
Eu sorri fracamente, mas mesmo assim evitando de olhá-lo nos olhos. Logo ele terminou e me puxou pela mão me fazendo ficar em pé.
- Já patinou no gelo antes? – perguntou rindo.
- Não. – respondi desviamos meus olhos até e sentadas no banco mais adiante.
- Ok, então vou ter que te guiar. – ele disse me puxando com delicadeza até a pista.
Sorri com aquele gesto gentil dele, e foi quando eu fiz isso ele me puxou levemente, me fazendo patinar junto com ele. Não era difícil na verdade, ali com ele segurando minhas mãos, me causava uma sensação estranha. Era como se com Liam ali tudo ficasse bem. Mas mesmo assim eu evitava em pensar qual seria a sensação de cair no gelo.
Sorri levemente com a sensação do vento frio batendo em meus cabelos e rosto, e de uma maneira estranha a sensação que a mão de Liam me causava. Era como se correntes elétricas intermináveis descessem por minha espinha. Dava aquele frio na barriga e um gosto amargo na garganta. Foi nesse momento que Liam parou em um ponto mais distante da pista e voltou os olhos para mim.
Nesse momento o contato foi inevitável. Ele havia me pegando desprevenida, quando eu encarava seus cabelos, se eu soubesse que ele voltaria o rosto para mim eu faria diferente, eu evitaria ao máximo encarar aqueles olhos brilhantes. Dessa vez ele não sorria, mas seus olhos sim.
- Porque está estranha? – ele perguntou baixo.
- Não estou. – rebati sem conseguir desviar meus olhos.
- Você anda me evitando.
- Não ando, quero dizer... – comecei.
- Você veio calada a viagem inteira. – ele disse pegando minha outra mão. – Foi o que eu disse, naquela noite?
Desviei meus olhos dele e encarei a arvore adiante. Quando fiz isso sentir uma de suas mãos se soltarem da minha e seguirem até meu queixo. Ele o puxou com delicadeza virando meu rosto para ele.
- Você está evitando me encarar. – não era uma pergunta.
- Não eu-
- Eu não estava mentindo quando disse aquilo. – ele me interrompeu. – Seus olhos são lindos, e eu desejo imensamente te fazer feliz.
Não consegui desviar meus olhos dele dessa vez, havia uma ligação tão forte ali, como um imã, alem do que, sua mão quente segurava meu queixo com firmeza.
- Liam, eu não-
- Eu não te conheço direito – ele disse baixo se aproximando alguns centímetros de mim. -, mas eu sei que eu quero te fazer bem, eu quero estar do seu lado. Afinal, eu te conheço tem três dias, como posso sentir isso? – abaixei os olhos. – Como eu posso sentir o que eu sinto por você em tão pouco tempo?
Era uma pergunta retórica. Voltei meus olhos para ele. O que afinal ele estava fazendo? Tentando me iludir, aquilo me machucava de uma forma tão intensa que o fato de tentar não iludir com aquelas palavras e Liam me corroia.
- Você não sabe o que fala. – eu disse baixo.
- Eu penso em você a cada segundo do meu dia, eu vejo seus olhos a onde quer que eu vá. – ele disse sorrindo. – Eu não sei o que está acontecendo, parece que eu entrei em um tipo de transe.
- Você enlou queceu. – eu disse descrente.
- Eu estou louco, não vê? – ele disse rindo e tirando a mão do meu queixo. – Você é diferente de tudo que eu já conheci antes.
- De uma maneira boa? – perguntei rindo.
- Definitivamente. – ele disse dando de ombros.
Ficamos a nos encarar, nosso contato era energético e cheio de sentimentos equivocados eu estava confusa. O que afinal foi tudo aquilo que ele disse?
- Liam – eu disse baixo. -, você não acha q-
- Acho. – ele respondeu antes de eu completar a frase. – Estou indo rápido de mais, quero ser seu amigo.
Ele disse sorrindo, eu sorri em resposta e desviei meus olhos para o chão. Ficamos em um curto silencio até que ele limpou a garganta.
- Mas eu não vou poder evitar esse emaranhado de coisas aqui dentro. – ele disse rindo baixo. – Quero dizer, foi só um olhar.
- Você é um romântico incorrigível. – eu disse rindo e empurrando o peito dele.
Ele gargalhou.
- É uma coisa boa não é? – ele perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Sim, acho que sim. – eu disse levantando meus olhos até ele.
Ele sorria lindamente. O vento batia em seus cabelos trazendo um ar nobre para ele. Liam era realmente lindo, tanto em foto quanto pessoalmente. Mas havia um certo tipo de magia nele, não me decidi ainda se era sua voz, seu sorriso, sua simpatia ou o seu olhar. Tudo que Liam havia dito anteriormente havia mexido comigo de uma forma anormal. Seriam palavras difíceis de esquecer. Liam tinha esse poder incrivelmente sedutor que podia magoar qualquer uma.
E esse era meu medo, me iludir mais uma vez nas garras do amor e me deixar levar, para chegar ao final e ser magoada como muitas outras vezes. Suspirei cansada e desviei meus olhos.
- Será que eu podia girar minha amiga? – ele perguntou sussurrando próximo ao meu ouvido. Eu mexi minha cabeça virando o ouvido onde ele havia sussurrando para baixo. Aquilo havia me causado arrepios extremos, e ele havia percebido.
- Desde que não em deixe cair.
Ele riu alto e pegou nas minhas duas mãos, e começamos a girar. Eu gargalhei alto enquanto Liam segurava minhas mãos e me girava sobre o gelo.
- Não me solta, por favor. – eu pedi entre uma risada e outra. – Não estou afim de cair sentada no gelo.
Ele segurou minha mão com mais intensidade e me encarou sorrindo.
- Nunca. – murmurou.
Eu sorri inconscientemente e corei. Liam era incrível, pena que ele não era meu.

’s POV

- Ah, é minha mãe. - disse baixo olhando o visor do celular.
Desviei meus olhos até ela.
- Vai atender. – eu disse.
Ela sorriu em resposta e se afastou com o telefone no ouvido. Voltei meus olhos até a pista e vi e Liam girando sobre a pista, e do outro lado vi e Louis rindo sentados na neve. Parecia todos bem, de uma forma estranha, mas bem.
Suspirei cansada e tirei a câmera da bolsa, ligando e colocando no modo vídeo. Não queria perder aquele momento. Filmei Niall e fazendo um boneco de neve perto de uma arvore, eles eram tão parecidos. Sorri quando focalizei com a câmera Zayn do outro lado da pista conversando com Harry. Puxei o zoom da câmera e focalizei Zayn, ele sorria fracamente, mas parecia estar conversando calmamente com Harry, enquanto esse parecia verdadeiramente irritado.
Será que ele havia contado sobre o beijo com ? Suspirei cansada e sorri ao ver Zayn dar um tapa na cabeça de Harry, mas parei de sorrir quando notei Zayn me olhando com os olhos semi cerrados. Eu fiquei com vergonha por aquilo, mas logo ele levantou uma das mãos e mandou um aceno. Gargalhei alto e retribui o gesto, decidindo não filmar mais ele, para não ficar na cara.
Ok, não tinha nada para ficar na cara, mas Zayn era incrível. Ele era lindo e bem, simpático. De todos ele era o mais calado, mas mesmo assim eu sabia o quanto ele podia ser gentil. Em todas as vezes que conversamos ele foi um doce, como na vez em que ele deixou eu tocar em seu topete.
Eu estava tão distraída pensando nisso, e filmando hora Louis e e hora Liam e que eu não percebi Zayn se aproximando.
- O que está fazendo aqui sozinha? – perguntou.
Eu sorri em resposta.
- Não sou boa nisso. – apontei para a pista.
- Nem eu. – ele riu baixo, e eu acompanhei.
- Estou filmando os meninos se divertindo.
Ele riu e sentou do meu lado. Eu o olhei e sorri, ele fez o mesmo e colocou um dos braços em meu ombro. Eu me assustei com aquele toque espontâneo. Porque ele fazia aquilo? Eu não reclamei, porque de uma forma estranha eu estava gostando.
Desliguei a câmera e guardei dentro da bolsa novamente. Fiquei a encarar a pista, mas estava difícil com Zayn ali do lado e seu braço sobre meu ombro. Era tão pesado e quente, era de uma maneira estranha gostoso tê-lo ali. Como se aquilo causasse um tipo de proteção.
Quando fiz menção de virar para encarar Zayn ele mexia em um dos bolsos e procurava por algo. Não demorou muito para achar uma caixinha de cigarros. Eu o encarei incrédula de mais para dizer algo. Ele a abriu como se fosse o ato mais comum do mundo e fez menção de tirar um da caixa. Eu me enfezei, retirei a caixa de suas mãos e joguei longe.
- O que? – ele perguntou. – Porque fez isso?
- Fumar não faz bem Zayn. – eu disse séria.
- Eu sei, mas... – ele olhou para onde eu tinha jogado a caixa. – não precisa ser agressiva.
- Eu bati em você? – perguntei.
- Não, mas-
- Então, eu não fui agressiva. – falei como se fosse obvio.
- Você jogou meu cigarro fora – ele disse pausadamente.
- Você está jogado a sua vida fora. – falei.
Ele ficou calado, e retirou o braço sobre meu ombro. Eu o havia irritado, por mais que não fosse minha intenção, e sabendo que não foi uma das minhas melhores ações. Eu odiava cigarro, meu avô morreu por culpa daquela coisa nojenta e cheia de toxinas e tudo mais. E por mais que eu não conhecesse Zayn direito, eu não queria que ele morresse por causa daquela droga de cigarro.
- Desculpe. – eu pedi baixo.
Ele voltou os olhos para mim. É ele estava bravo.
- Porque fez isso? – ele perguntou.
Desviei meus olhos dele.
- Bem, eu era muito apegada ao meu avô, ele era uma pessoa incrível. A pessoa mais inteligente e vivida que eu já conheci em todo minha vida. – eu disse com a voz embargada. – Mas ele tinha um problema, era viciado em cigarros. Eu vivia o dizendo para parar com aquilo, mas ele dizia que já era velho, e que de muito não ia adiantar no final da vida, mas mesmo assim eu insistia. Até em que uma tarde eu recebi uma ligação da minha mãe contando que ele havia morrido por causa disso. – voltei meus olhos para Zayn. – Desde então, eu odeio cigarros e sei o quanto ele pode estragar a vida das pessoas, não só a do fumante, mas sim a das pessoas próximas.
Ele ainda me encarava em silencio quando eu disse aquilo, quando de repente ele me abraçou me fazendo deitar sobre seu peito. Sua respiração era calma, mas seu coração, que eu podia escutar através do casaco, era rápida, como asas de beija-flor.
- Eu te desculpo. – ele disse baixo. – E eu prometo que vou tentar parar. Eu sei que faz mal, mas...
- Não tudo bem. – eu disse com a foz abafada pelo casaco e pelo cheiro que me era transmitido. – Eu só não quero te ver mal.
- Eu não quero te fazer mal. – ele disse baixo.
Suspirei entre seus braços e me aninhei mais em seu peito. Era um contato gostoso e totalmente novo para mim. Zayn era uma pessoa incrível, era muito calado às vezes mas eu sabia o quanto ele podia ser doce. Senti meu coração dar um solavanco. Lembrar de meu avô não foi umas melhores coisas que havia acontecido, eu odiava lembrar daquele assunto, era triste e muito recente para mim ainda, mas de uma maneira diferente, eu me senti aliviada por ter contado aquilo a Zayn.
Eu realmente esperava que de alguma forma ele tentasse parar de fumar, não estava pronta para outra perda assim.

’s POV

Limpei minhas mãos no casaco e admirei mais uma vez nossa obra de arte. Olhei para Niall e vi que ele sorria assim como eu. Havíamos acabado de fazer o boneco de neve, foi divertido na verdade. Niall era engraçado e empolgado, era legal passar um tempo com ele.
- Podíamos entrar em um concurso de bonecos de neve. – ele disse rindo.
Olhei mais uma vez pra ele e vi o quanto seus olhos brilhavam.
- Eu nunca havia feito isso. – eu disse me aproximando. – Sabe no Brasil não neva. Fizemos um bom trabalho? – perguntei.
Ele girou o corpo em minha direção e passou a mão na nuca.
- Para uma principiante você está bem. – ele suspirou e colocou a mão nos bolsos. – Como é no Brasil? Quero dizer, lá não neva, como vocês se divertem no inverno?
Eu o encarei e ri baixo.
- O inverno lá não é como aqui. Não é tão frio, as vezes dá até sol. As estações não são bem definidas sabe? – eu disse, e ele concordou com a cabeça. – Quero dizer, as vezes no verão chove e faz frio, e no inverno faz sol. Não tem essa coisa de Primavera, Verão, Outono e Inverno, bem divididas e definidas como no Hemisfério Norte.
- Brasil parece ser incrível. – ele disse rindo.
- É sim, mas é sempre bom variar, fugir do cotidiano. – eu ri. – Essa viagem foi uma das melhores coisas que eu já fiz a anos.
Ele se aproximou alguns passos e parou a minha frente.
- A viagem nem começou...
- E já está maravilhosa. – eu disse desviando os olhos. – Quero dizer, que diria que nós chegaríamos aqui e conheceríamos a One Direction?
- Não parece assim tão surreal. – ele disse brincalhão.
- Niall, entenda, para alguém que mora em um país que não faz parte do circuito Europeu ou Americano, esses tipos de coisa é muito raro acontecer. – eu disse gesticulando. – Brasil não é assim um pais tão popular, é difícil levar uma banda como você para lá sem fazer grande esforço. Foi uma grande honra e sorte encontrar vocês.
- Para nos também.
- O que quer dizer? – perguntei.
- Foi muita sorte encontrar meninas como vocês. – ele disse rindo. – Apesar de você ser meio chatinha, mas tá valendo.
Mostrei língua pra ele e me aproximei do boneco, ajeitando seu nariz de cenoura. Escutei passos vindos em minha direção, constatei rapidamente que fosse Niall.
- Não deixe Louis ver esse nariz. – ele disse rindo.
Gargalhei dele e me virei, quando o fiz quase trombei com sua figura pálida. Ele estava a poucos centímetros de mim e me encarava intensamente. Senti meu estomago revirar com aquele olhar e eu podia sentir minhas mãos soando pelo nervosismo recente. Seu perfume me atingiu como um vento fresco em uma manhã quente, era inesperado, mas refrescante.
- Você é muito bonita. – ele murmurou, eu podia sentir seu hálito em meu rosto. – E não é chata.
Corei pela suas palavras e desviei os olhos.
- Pare com isso. – pedi.
- Com o quê? – ele perguntou arregalando os olhos – Com a sinceridade?
- Não, de me surpreender.
Ele riu baixo, e eu podia sentir seu hálito de menta. Ele me encarou por um tempo e mexeu em uma mecha do meu cabelo.
- É uma coisa boa não é? – perguntou.
- Sim, mas não quando é uma mentira deslavada. – falei baixo, rindo depois.
- Você acha que eu mentiria? – ele perguntou colocando as mãos no peito em falso espanto. Ele riu logo depois e tocou a ponta do meu nariz. – Eu não sou de mentir.
Desviei meus olhos mais uma vez para o chão e ri baixo, voltei meus olhos pra ele, que ainda me encarava intensamente. Eu ainda podia sentir o calor que seu dedo transmitiu ao tocar meu nariz.
Porque Niall me causava essas sensações, essas loucuras, e batalhas internas? Ele era uma ótima pessoa, mas de repente eu queria tê-lo sempre por perto, eu queria que ele me notasse, eu queria ser pra ele o que ele era pra mim.
Conheço Niall afinal há anos, mas e ele? Ele não sabia nada sobre mim. E eu queria imensamente que ele soubesse, que ele tentasse.
- Preciso comer. – Niall disse rindo.
- Eu também. – respondi colocando as mãos na barriga.
Ele sorriu para mim.
- Então vamos.
E dizendo isso ele pegou em uma de minhas mãos e me puxou para dentro do restaurante. Eu olhei para nossas mãos unidas, e não consegui evitar um suspiro. O que estava acontecendo afinal?

’s POV

Andei por entre as arvores sem entender o que fazia ali. Afinal, parecia um bosque qualquer, mas extremamente bonito. Foi legal conversar com minha mãe, ainda mais depois de tudo que havia acontecido.
Eu não estava em um dos meus melhores humores, era obvio que não. Aquele beijo foi completamente insano e diferente de tudo que eu já tinha presenciado na minha vida. Mas Harry sabia estragar tudo com poucas palavras. Aquelas palavras por mais simplória posse ter sido para ele, para mim foi doloroso. Porque foi naquele momento que eu havia percebido que eu estava gostando dele.
Droga, gostar de Harry era tudo que não podia me acontecer. Tudo bem, que aquela paixãozinha que eu sentia por ele quando via em vídeos e fotos era uma coisa imatura e surreal, mas ali em Londres depois de três dias de contato havia se transformado em uma coisa maior, era quase uma loucura pensar que eu havia começado a gostar de um lunático. É, era isso que Harry era, um lunático. Aqueles ataques de bipolaridade deviam dizer alguma coisa não é? Afinal, na mesma hora que ele está rindo e te beijando, ele está gritando e reclamando.
Foi quando desviei de uma arvore que senti meu coração acelerar as batidas. Droga, com todo esse bosque imenso eu tinha que ir justamente para o lugar onde ele estava fazendo sei lá o que estivesse fazendo. Ele levantou os olhos até mim e ficamos naquele silencio contínuo e desagradável.
- O que faz aqui? – perguntou por fim, com a cara mais lavada de todas.
- Não te devo satisfação, alias é um bosque, e é publico. – eu disse cruzando os braços.
- Parece que Deus deu uma de tentar fazer a gente se encontrar por pura ironia do destino.
- Eu chamo isso de desgraça se quer saber. – eu disse rindo zombeteira.
- Eu já estava de saída. – ele disse se movendo.
- Não, pode ficar eu procuro outro lugar para pensar.
- Você faz isso? – ele perguntou inocentemente.
- Isso o que? – perguntei confusa.
- Pensa?
Abri a boca esperando uma resposta sair, mas nenhuma veio, a raiva me dominava. Eu queria poder esfolar a cara daquele garoto na arvore.
- Muito engraçado. – eu disse sem humor nenhum.
- Não foi pra ser. – ele disse, voltando a caminhar devagar. – Como eu estava dizendo, eu já estava de saída.
Ele veio até minha direção e passou rente ao meu braço, ao fazer isso o seu perfume me atingiu como uma fumaça asfixiante. Eu podia sentir meu nariz queimando, mas mesmo assim meu corpo agia de maneira involuntária, desejando aquele perfume próximo a mim de novo.
- A propósito – ele disse atrás de mim. -, eu quero meu moletom de volta.
- Tudo bem. – eu disse ainda sem me virar. – Eu não quero aquela coisa lá em casa. Você tem que me devolver meu casaco.
- Assim que devolver meu moletom.
Eu me virei e o encarei nervosamente.
- Uma troca? – eu perguntei.
- Não, só estamos devolvemos o que nos pertence.
-Otimo. – gritei, sem saber o que fazia.
- Otimo. – ele gritou em resposta e se virou, e fez menção de ir embora, mas ele se virou mais uma vez. – E mais uma coisa. – ele disse baixo. – Você está com cara de choro.
Arregalei os olhos e o encarei. Porque ele estava fazendo aquilo? A vontade de chorar voltou em meu animo e eu tive que me segurar para não fazê-la. Ele me encarou com um ar divertido, enquanto eu lutava internamente com aquele emaranhado de sentimentos.
- Não se preocupe. – eu disse firmemente. – Não vai acontecer de novo, nunca mais eu derramarei uma lagrima por você.
- Então foi minha culpa? – ele disse incrédulo. – Pensei que tinha se olhado no espelho e visto o quão patética é.
- Não Harry, eu não sou você. – eu disse baixo. – E sim foi sua culpa.
- Por causa de um beijinho? – ele disse rindo. – Me poupe.
- Não foi por causa disso, foi por quem você é. – eu disse gritando dessa vez e me aproximando dele. – Você é tudo que eu acreditava que não fosse, você é ridículo. Sabe, eu me decepcionei muito, você não é nada daquilo que eu pensava que fosse. E quer saber de uma coisa, espero que você desapareça, porque eu não quero ver essa sua cara feia mais.
Ele se aproximou de mim com rapidez.
- Você não me conhece.
- E você não em conhece também.
- Eu não sou quem você acha que eu sou.
- Então prove pra mim. – eu disse baixo. – Prove que você é diferente de tudo isso que eu estou pensando.
Seus olhos me analisavam atentamente, sua respiração era pesada em meu rosto.
- Cale a boca. – gritou ele em resposta.
- Cale a boca você. – eu respondi me aproximando alguns passos.
Ele me deu as costas e eu fiz o mesmo, e esse foi meu erro. Quando o fiz uma bola de neve me acertou.
- Harry.- eu gritei e me aprontei em fazer uma bola também.
Eu me virei e vi ele rindo da minha cara, e sem pensar duas vezes eu mandei a bola, acertando sua cara em cheio. Sua risada foi cortada, e foi dado lugar para a minha. Ele se aproximou de mim com rapidez, e me puxou pelo pulso. Eu o encarei atentamente assustada de mais para poder dizer alguma coisa. Sua respiração era pesada, e quente em meu rosto. Eu podia ver seus olhos verdes me analisando atentamente. Ele sorriu levemente e fez algo que me deixou estática por alguns minutos.
Sua mão foi de encontro a minha nuca, e quando ele fez isso eu senti algo extremamente gelado e molhado descer por minhas costas. Escutei sua risada alta e contagiante ao longe. Ele havia colocado uma bola de neve ali. Eu me afastei dele em um ato reflexo, e curvei as costas para trás, constando que a bola havia caído.
Quando voltei meus olhos para onde Harry estava minutos antes, ele havia desaparecido. Assim com toda a minha vontade de continuar naquela viagem.

Liam’s POV

Já era tarde, havíamos passado a tarde inteira nos divertindo. Mas havia algo estranho no ar, uma aura pesada e espessa. E vinha de e Harry. Eles nunca deram certo afinal, mas havia algo estranho rolando ali. Geralmente havia comentários maldosos entre eles, mas agora nem isso acontecia mais. Eles se olhavam a distancia, mas nunca diziam nada, só trocavam olhares raivosos e cheios de rancor. Eu queria entender o que acontecia.
- Vamos ter que ficar aqui. – Zayn disse quando chegamos ao carro.
- O quê? - perguntou assustada.
- Está tarde, é perigoso voltar para Londres hoje. Alias é domingo e a estrada ta cheia.
- Mas temos aula amanhã. - se fez presente.
- É só um dia. – eu disse.
Todos concordaram e seguimos até um dos hotéis da cidade. Quando chegamos lá, estava servindo o jantar, não estava cheio, mas também não estava vazio. Era época de férias e Richmond era conhecida por ter uma linda paisagem e ser um ótimo lugar para descansar. Não foi difícil arrumar quartos. Pegamos as duas suítes maiores onde em uma ficaria eu e os meninos e na outra as meninas.
Elas eram garotas, e como havíamos dito que iríamos fazer uma pequena viagem, elas levaram algumas roupas. Sempre preparadas vamos assim dizer.
Subimos até os quarto e elas prometeram ir até o nosso assim que tomassem banho e trocassem de roupa.
Sentei no sofá que havia em frente a TV e fiquei a observar um programa qualquer.
- O que aconteceu entre você e ? – escutei a voz de Louis atrás de mim e me virei constatando que ele perguntava aquilo para um Harry que viajava enquanto analisava um quadro qualquer.
- Nada, porque? – ele disse desviando os olhos até Louis.
- Vocês estão piores do que antes.
- O que quer dizer?
- Quero dizer, que era melhor quando brigavam, agora parece que vocês estão de birra um do outro. Como se algo tivesse acontecido e nós não sabemos.
Ajeitei meu corpo mais no sofá e vi Harry suspirar e revirar os olhos.
- Não aconteceu nada cenourinha. – ele disse abraçando Louis. – Só cansei de ficar brigando com ela.
Fiquei ali observando aquela cena, quando escutei leves batidas na porta. Logo Zayn apareceu e correu para atender.
- Olá. – escutei a voz de .
- Olá. – eu, Zayn e Louis respondemos em uníssono.
Logo as meninas entraram e se dispersaram pela pequena sala. se aproximou e sentou ao meu lado, e sentaram no chão, parou para conversar com Zayn e foi até a pequena cozinha do quarto onde Niall estava.
Logo Louis se aproximou e sentou entre e que brincavam com seu cabelo. Ele ria animado e contava piadas que eu já tinha ouvido diversas vezes.
- O que está vendo? – perguntou ao meu lado.
- Hum. – eu disse olhando pra ela. – Você. Linda e sorridente.
Ela ficou rubra e desviou os olhos do meu rosto.
- O que quer ver? – perguntei.
- Não sei. – ela disse olhando a TV com atenção. – Vai passando os canais.
Fiz o que ela pediu, e foi quando eu fui pro canal seguinte eu vi uma foto minha e dos meninos com as garotas. Eu parei naquele canal e analisei atentamente a foto que aparecia na TV.
- Somos nós. – gritou.
Logo todos se aproximaram do sofá e começamos a prestar a atenção no programa onde uma mulher que eu já não lembrava o nome, contava as fofocas do mundo da musica. E parece que hoje nós éramos alvo daquilo.
- E o amor anda atacando alguns coraçãozinhos. – havia um tom de ironia em sua voz. – Parece que nem todos estão imunes a isso. O novo sucesso do Reino Unido, a boyband: One Direction. Foi vista com garotas em um restaurante famoso em Richmond nessa tarde. – uma imagem apareceu na TV, e eu não pude deixar de me assustar. Era eu segurando as mãos de enquanto girávamos e riamos.
- Eu estou na TV. – ela sussurrou do meu lado.
- Cinco garotas, supostamente desconhecidas foram vistas em momentos românticos com cada um dos meninos. – outra imagem surgiu, era sentada com Zayn, os dois riam. Depois mudou para uma imagem de Lou puxando , depois outra de Niall segurando as mãos de e por ultimo Harry e muito próximos rindo um para o outro.
Vi e Harry trocarem um olhar cheio de significados e voltarem a prestar atenção na TV.
- Como Danielle e Eleanor, supostas namoradas de Liam e Louis estão reagindo a isso? E Caroline, vai ser aposentada por Harry? – então outra foto surgiu. Uma de Harry e andando lado a lado na chuva, estava de noite e apoiava as mãos no ombro de Harry.
- Puta que pariu. – Harry murmurou.
- Parece que já foi. – a mulher na TV riu. – Harry e a suposta garota foram vistos perto da casa do jovem astro Styles, abraçados, na noite passada. Os meninos da One Direction não deixam barato. Veja a seguir: Justin Bieber pinta o cabelo e-
Então a imagem se apagou, ficamos em um silencio contínuo, apenas nos encarando. O que estava havendo afinal? havia desligado a TV em um ato impensado.
O silencio foi cortado imediatamente com um toque de telefone. Assustei-me ao notar que era o meu. Retirei do bolso e olhei o numero no visor.
Danielle estava me ligando.
Meu coração disparou e eu olhei para ao meu lado. O que ela queria falar comigo? Será que havia visto as noticias?
Suspirei cansado e levantei do sofá me afastando até a varanda. Respirei fundo e apertei o botão.
- Liam? – sua voz era calma do outro lado, e aquilo havia me desesperado mais ainda.

Chapter VI

Liam’s POV

- Liam? - sua voz era calma do outro lado, e aquilo havia me desesperado mais ainda.
- Amor. – eu disse baixo, arrumando animação onde não tinha.
- Tudo bem?
- Tudo ótimo e com você?
- Está tudo ótimo também. - respondeu, ouve um silencio mínimo, até que ela se pronunciou. – Tentei falar com você mais cedo, mas o telefone de sua casa chamava até desligar. Você saiu com os meninos?
Senti os batimentos do meu coração aumentando em uma velocidade anormal. Ela sabia. E isso me desesperava, porque Danielle era importante para mim, ela era especial de uma forma diferente. Apesar de namorarmos a um tempo, eu já não sentia mais aquele calor, aquela paixão por ela. Ela era uma amiga que eu considerava muito, mas ela ainda não sabia disso. Ainda.
- Saí. – respondi depois de um tempo. – Estamos em Richmond, vamos dormir por aqui, mas amanhã estamos de volta.
- Ah, tudo bem. - sua voz era doce do outro lado da linha, me fazendo perguntar se ela sabia o que tinha ocorrido e estava esperando eu falar. - Já que volta amanhã, você podia passar aqui em casa, meus avôs vão vim fazer uma visita, e pensei, bem, eles podiam conhecer o Liam. - ela riu do outro lado da linha.
- Ok, tudo bem. – respondi sorrindo.
- Então tá. Quando chegar em Londres me liga.
- Ligo sim.
- Boa noite. - imaginei que estivesse sorrindo. - Te amo.
- Boa noite, - eu engasgo. As palavras me entorpecem, me incomodam. Parecem que não tem mais o mesmo significado. A mesma essência. Essência. Era essa a palavra. Nó na garganta, aperto no coração. Minhas mãos suavam, difícil segurar o telefone nos ouvidos. -, eu também. – preferi por algo mais simples.
Escutei sua respiração baixa e calma, e depois o continuo toque. Ela se foi. Deixando-me ali a mercê de meus pensamentos confusos. Guardei o telefone em um dos bolsos, escorando em seguida nas ameias. Vento frio, noite fria. Era assim em Richmond. O vento batia em meus cabelos e face. Queria esfriar, esfriar o coração que se aquecia. Aquecia de algo novo, de algo proibido. Era essa a palavra? Proibido? Aquilo que não podia ser feito.
Meu coração aclama por aquilo que não o quer. Confuso. Eu e ela. Afinal, o que sentíamos? E a quanto tempo sentíamos? Ela anos, eu dias.
O que fazer? Essa pergunta me rondava como se esperasse que eu vacilasse para dar o bote. Esperasse por uma atitude, uma resposta. Mas qual resposta? Eu mesmo não sabia. Não sabia como agir, como falar, não sabia até mesmo respirar em sua presença. O ar que faltava, o cheiro inebriante, os longos e macios cabelos .
Sim, era nela que eu pensava. Em . O único motivo para tudo ter se tornado uma avalanche de emoções. Aquilo que parecia ser simples se tornara algo extremo e de grande peso. Peso em minhas costas e em meu coração.
Respirei fundo. Podia sentir meu coração falhando ao fazer isso. A pressão de meu pulmão nas costelas ao soltar o ar. Doía. Doía respirar. Doía saber que ela não era minha, e por um longo tempo não iria ser.
Escutei o barulho da porta deslizando as minhas costas. Passos. Respiração. Eu ainda não me virei. Encarava a neve caindo devagar. Preguiçosamente. Sobre as arvores. Sobre as casas.
- O que foi? – era Zayn.
Vir-me-ei e o encarei de forma simples. Sem transparecer o que sentia. Sem demonstrar. Sem perturbar.
- Danielle. – suas sobrancelhas arquearam de modo assustado. – Nada disse, apenas que amanhã eu fosse a sua casa. Seus avôs vão visitá-la.
Ele desviou olhos até uma arvore a frente e seguiu até as ameias. Escorou-se e eu fiz o mesmo retornando minha posição inicial.
- Nada sobre...
- Nada. – o interrompi.
Ele respirou fundo.
- Então o que faz aqui? – perguntou.
- Nada na verdade. – eu disse o encarando de lado. – Apenas pensando.
Ele respirou fundo. Seus olhos observavam a neve que caia. Semi cerrados. Atento a aquela neve que nada dizia. Suspiro baixo, palavras murmuradas.
- Confuso?
- Sim.
Outro suspiro. Tornou o rosto em minha direção.
- Agora sei que não estou sozinho.
E dizendo isso ele voltou para o quarto fechando a porta atrás de si. Ainda fiquei ali um pouco pensando enquanto encarava os belos vales de Richmond. O que afinal eu deveria fazer? Como agir?
Provavelmente já sentiam minha falta. Há quanto tempo fiquei ali a pensar? Talvez minutos. Longos minutos. Longos. Mas afinal, que mal havia em pensar? Alias pensar nela? Já que meus pensamentos não eram direcionados a mais ninguém. Afinal, quanto tempo levaria? Esse sentimento entorpecente e eloqüente iria durar para sempre ou seria mesmo só coisa do momento?
Respirei fundo e refiz meus passos, voltado para o quarto e reencontrando a dona de meus pensamentos.

’s POV

- Vai demorar mais quantas horas? - perguntou pela milionésima vez. – Niall já mandou duas mensagens.
- Anda trocando mensagens com Niall, ? - perguntou maliciosa quando parou em frente nós penteando os cabelos.
cruzou os braços junto ao corpo e encarou ela. Por um momento sua expressão era tensa e nervosa, mas logo ela sorriu docemente e descruzou os braços.
- Não sei porquê demoram tanto para arrumar de manhã, eu e já estamos prontas a tempo. – eu disse rindo.
- A fome apressa as pessoas. - comentou se aproximando com em seu encalço.
- Já ajeitaram as coisas para voltar? - perguntou, pegando o cartão do quarto.
- Sim. – respondemos em uníssono.
- Então vamos. - respondeu deixando a escova sobre a bancada e indo até a porta.
Seguimos ela, e fomos até o elevador, a esperando fechar a porta e vir até nos. Não demorou muito para ela chegar. Descemos em silencio, devido ao sono, até o hall do Hotel que levava até o restaurante onde era servido o café da manhã.
Ao chegar lá, todas nós estacamos no lugar sentindo os flashes nos cegando. Meus olhos seguiram até a entrada do Hotel encontrando com diversos paparazzis, que pareciam ansiosos para tirar uma foto nossa. Estávamos tão assustadas por aqueles flashes contínuos e os gritos de: “Olhe, são elas” ou “Olhe para cá meninas” que não conseguimos dar um passo se quer.
- Venham. – escutei uma voz máscula próximo a nós e segui-a com o olhar.
Encontrei Zayn nos encarando e nos chamando até o restaurante, até que seu olhar se encontrou com o meu e eu senti meu mundo parar. Era como se só houvesse eu e Zayn. Bem, eu nunca havia percebido pequenos detalhes nele. Como em que seus olhos castanhos haviam pigmentos mas claros, ou como havia pequenas manchinhas quase imperceptíveis em suas bochechas coradas. Zayn era... perfeito. Céus, vê-lo em foto não é nada comparado à aquele momento.
Então acordei para a realidade quando senti suas mãos em minhas costas. As meninas já seguiam a frente até o restaurante, deixando eu e Zayn para trás. Analisei-o com o canto do olho e vi que ele sorria para mim. Tratei rapidamente de desviar os olhos, e sorri brevemente.
Adentramos ao restaurante e seguimos até uma mesa no meio do restaurante cheio. Os meninos riam de Niall que perecia distraído em comer sua omelete. As meninas não estavam na mesa. Procurei-as pelo restaurante e as encontrei próximo a mesa de frutas, respirei fundo, seguindo até lá.
- Toma pelo menos um Iogurte . – escutei implorando.
Aproximei-me e parei perto delas.
- O que está acontecendo? – perguntei.
- não quer comer nada. - me respondeu baixo.
Aproximei-me de e vi que ela enrolava os braços ao redor do corpo em modo de defesa. Seus olhos estavam atentos ao chão e seus cabelos caiam sobre o rosto tampando sua expressão, que provavelmente remetiam ao desespero de ter que comer algo.
- . – a chamei parando ao seu lado e colocando um dos meus braços sobre seu ombro. – Faça como a pediu, toma pelo menos um iogurte.
- Mas eu não estou com fome. – sua voz era melancólica.
- Sei que está. – disse baixo. – Pelo menos um pouquinho não é?
Ela ficou em silencio por um tempo, mas sua respiração era pesada. Eu podia sentir os olhos das meninas mirados em mim.
- É, um pouquinho. – ela disse levantando os olhos até mim.
- Então pega um iogurte que goste, ou uma salada de frutas. – falei sorrindo.
Ela sorriu em resposta e seguiu até a mesa e pegou um iogurte, indo em seguida até a mesa dos meninos. Encaramo-nos por alguns minutos até que suspirou baixo.
- Estou preocupada com ela. Quero dizer, depois desse problema todo com o Harry, ela anda mais chateada, o que leva ela a não querer comer.
- E insistir só tem deixado ela mais chateada com nós. - falou baixo.
- Mas se não insistimos, ela não come. - disse pegando um prato e servindo de uvas. Eu e logo fizemos o mesmo.
- Ela só come quando insiste, porque ela sabe que você não esta de brincadeira quando diz: ‘enfiar’ e ‘goela abaixo’ na mesma frase. - riu pra mim, pegando um pratinho e nos seguindo na mesa de frutas.
- Ela não pode ficar sem comer. – falei enquanto pegava o iogurte. – Não queremos que aquela situação volte não é?
- Que situação? - perguntou se aproximando.
- Quando o pai dela foi diagnosticado com câncer na traqueia, e ela quase... – comecei.
- Ah sim. - me interrompeu encerrando o assunto e seguindo até a mesa
Fiz o mesmo, com as meninas no meu encalço e sentei em uma cadeira vaga na mesa, sendo essa exatamente ao lado de Zayn. Senti meu rosto queimar ao constatar que ele me observava, mesmo que discretamente. Peguei uma uva e mirei minha atenção à conversa que acontecia.
- É sempre assim? - perguntou enquanto bebia um gole de iogurte.
- Sim. – Liam respondeu sorrindo e mordiscando um pedaço de bolo. – E só tende a ficar pior.
- O que quer dizer? – perguntei.
- Os paparazzis aumentam, seus seguidores no twitter triplicam, seus amigos no facebook quintuplicam... – Zayn respondeu dando de ombros.
- E você acha que isso é normal? - parecia exaltada.
- Não – Harry respondeu enquanto bebericava o leite. –, mas é inevitável.
- Então quer dizer que vamos ser perseguidas e todas essas outras coisas? - perguntou, Niall confirmou com a cabeça enquanto mastigava algo. – Legal! – ela exclamou.
- Legal? - perguntou indignada enquanto comia boa parte da salada de frutas. – Quero dizer, é ótimo passar um tempo com vocês, mas eu não estou preparada para ser ameaçada ou algo assim.
Os meninos ficaram em silencio se encarando discretamente, olhei para as meninas que observavam a cena sem entender assim como eu.
- O que vocês sabem que nós não sabemos? – perguntei meio raivosa.
Louis cruzou as mãos sobre a mesa e se aproximou de nós, como alguém que fosse contar um segredo.
- Nunca passamos por algo assim, mas sabemos como é. – Louis sorriu. – Vocês são ótimas, e adoramos passar um tempo com vocês. E tão cedo vamos acabar com isso. – Os meninos concordaram com a cabeça. – E por serem tão bonitas, chamam a atenção dos paparazzis e das fãs. Sentimos tanto por isso, mas eu não quero acabar com a nossa amizade por causa de fotos constrangedoras e mentions maldosas no twitter.
- Nem eu. - disse baixo.
- Sentimos muito, muito por tudo isso. – Niall disse. – E entendemos se não quiseram mais sair conosco.
- Você pirou? - perguntou exaltada. – Como se isso me impedisse de fazer o que eu quero. Cara, conhecer vocês foi a melhor coisa que nos aconteceu.
Os meninos sorriram e assim seguiu aquela manhã. Depois de tomarmos café decidimos voltar para Londres, porque insistia em dizer que tínhamos aula no dia seguinte, e já havíamos perdido a aula hoje e ela não queria chegar atrasada na aula amanhã por acordar atrasada. Depois de muito lenga-lenga e reclamações de cansaço, decidimos quem ia conosco no carro e quem ia dirigir. Liam não ligou de dirigir dessa vez, já que Zayn não agüentava se manter de olhos abertos por muito tempo.
No banco de trás eu, Zayn e nos acomodávamos, e na frente iam Harry e Liam. Acredito-me que eles conversaram bastante durante a volta já que eu, Zayn e dormimos a viajem inteira. O que me proporcionou sensações indescritíveis e o melhor sono que eu já tive na minha vida. Mesmo que dormir no carro não seja a melhor coisa do mundo, mas dormir nos braços de Zayn era totalmente diferente.
- Pode se apoiar em mim. – escutei sua voz sussurrada próximo ao meu ouvido, quando eu me ajeitava mais uma vez entre Zayn e .
- Não quero incomodar. – eu disse baixo me ajeitando mais uma vez.
- Nunca incomodaria. – ele sorriu, levantando um dos braços e me puxando pela cintura.
Eu o encarei verdadeiramente atônita, enquanto ele sorria maroto para mim. Ficamos com esse contato por um tempo, até que ele sorriu para o chão e riu pelo nariz, trazendo minha cabeça levemente até seu tórax. Fiquei em estado de alerta por um tempo até que ele afagou meus cabelos com serenidade e carinho. Respirei fundo sentindo seu perfume me envenenando aos poucos, me deixando atenta aos seus movimentos.
Eu podia escutar seu coração batendo ora rápido, ora lentamente, podia sentir cada saliência em sua mão ao tocar minha cintura e afagar com um dos dedos por ali, podia escutar o farfalhar de suas mãos na textura de meus cabelos, e eu podia sentir claramente o seu cheiro inebriante. E assim seguimos por alguns poucos quilômetros de viagem até que adormeci em seus rígidos braços me sentindo provavelmente a garota mais sortuda da face da terra.
A semana seguiu rápido e não demorou muito para a sexta chegar. Apesar de rápido, foi uma semana complicada para mim, por mais que meu ultimo contato com Zayn tenha sido na segunda eu não conseguia parar de pensar nele, e na sensação de seus braços ao redor de mim. Eu podia ainda sentir o calor de sua pele morena em contato com a minha, e a rigidez de seus músculos ao me segurar fortemente contra seu corpo.
E por mais tempo que tenha ocorrido eu não conseguia evitar os buracos no estômago e as correntes elétricas consecutivas na espinha. E isso estava me distraindo. Às vezes eu perdia o que as meninas diziam, eu viajava durante as aulas, sonhava acordada. Eu sabia o quanto aquilo podia me prejudicar, e sabia também que as meninas estavam desconfiando daquilo.
E não era somente eu que estava agindo estranho, por mais que meu estado de espírito esteja me distraindo, eu conseguia perceber a mudança de atitude de e . Elas estavam quietas na maior parte do tempo, e quase nunca falavam. O que nos preocupava de uma forma desesperadora por que com toda essa situação que sabíamos que estava passando, ela havia parado de comer, e não era coisa boa. Não queríamos que ela voltasse a passar por todo aquele problema de desmaios e bulimia, como aconteceu quando seu pai estava internado.
E nunca foi de ser a mais calada de nós. Mas havia algo acontecendo com ela, desde primeira vez que conhecemos os meninos ela agia estranhamente. Como se estivesse com medo de dizer algo, de descobrir algo. era muito fechado, e teria de acontecer algo extremo para ela poder dizer alguma coisa para nós. Suspirei mais uma vez enquanto me ajeitava no sofá.
Era sexta-feira, e não tivemos aula porque um dos professores havia sofrido um acidente de carro e seus colegas de trabalho foram prestar auxilio no hospital. Ele estava bem, só levemente ferido. Mesmo que a situação fosse triste, de uma forma sádica, estávamos felizes por não termos aula.
- Porque está inquieta ? - sempre discreta.
- Não estou inquieta . – eu disse com cerimônia.
- Você não consegue ficar quieta nesse sofá. - riu baixo.
- Vamos fazer alguma coisa? - perguntou para nós.
abaixou o livro que lia e encarou por cima dele.
- Vamos - pensou por um pouco e sorriu. – fazer biscoitos?
se levantou com rapidez e seguiu até a cozinha. Ri baixo, sabendo que adorava cozinhar e especialmente comer. também ria.
- Vocês se importam se eu for para o quarto? - perguntou passando uma das mãos nos cabelos e nos encarando da poltrona.
desviou os olhos até ela e entortou a cabeça a analisando.
- Não quer ajudar não, meu bem? – perguntou.
- Eu queria, mas estou com muita dor de cabeça. – ela respondeu se levantando e seguindo até a escada. – Quando ficar pronto me chama. – ela sorriu meigamente e acabou de subir as escadas.
bufou baixo.
- Tudo bem. – ela respondeu à que já havia chegado ao piso superior.
- Vocês também não se importam se eu for ler um pouquinho lá fora, né? - perguntou se levantando e seguindo até a varanda de trás.
- Não, tudo bem. – respondi apoiando a cabeça no sofá.
Escutei a porta da varanda se abrindo e fechando com um clique logo depois. encarava a situação toda estranhamente, até que apareceu no batente da porta da cozinha e sorriu de lado.
- Vocês não vem? – perguntou.
Sorrimos umas para as outras e seguimos até a cozinha. Pelo menos assim eu esqueceria um pouquinho de Zayn.

’s POV

Sentei em dos bancos da varanda e coloquei o livro em meu colo. Encarei a fina neve que caia nos arbustos e na arvore do jardim de trás. Era um pequeno jardim, com uma área de churrasco. Imagino eu que na época de primavera deveria ser uma área linda.
Suspirei pesado e apoiei minha cabeça na parede. Meus olhos ardiam, e dessa vez eu não segurei as lagrimas grossas que insistiam em cair. Puxei uma das mangas do meu casaco e apertei meu pulso que queimava pedindo por aquilo que eu havia parado por um longo tempo.
Eu chorava pela dor que eu sentia, pela confusão em meu interior, pelos solavancos em meu coração, pelas correntes elétricas em minha espinha, pelo buraco em meu estomago. Por ele. Eu chorava por ele, por culpa dele. Por suas palavras, pela confusão que ele me causava. Suspirei entre o choro, eu sabia que eu estava fazendo barulho e eu rezava para que as meninas não estivessem me escutando.
Apertei mais minha mão ao redor do meu pulso, a vontade de liberar aquela dor, aquela confusão, parar com aquele choro voltava. Retirei minha mão e analisei meu pulso descoberto. Antes ali havia uma pulseira de couro grosso que eu havia ganhando de minha mãe, pulseira que tampava as cicatrizes do passado, mas ela já não estava mais ali. Eu havia perdido em Richmond, e isso me magoava. Porque ela me lembrava de minha mãe, e sem ela era como se uma parte de mim também tivesse se perdido, tivesse sido levada. Alem do quê, sem a pulseira ali, eu podia ver as tão horrendas e dolorosas marcas. Olhei mais atentamente meu pulso e vi ali as cicatrizes já brancas do passado, fundas e dolorosas, que quase me levaram daqui. Senti as lagrimas queimando minhas bochechas com mais intensidade. Estava difícil respirar, entre aquele choro continuo e minha respiração entrecortada.
Desencostei minha cabeça da parede e apoiei o queixo sobre minhas mãos, fechando os olhos com forças. Assim que o fiz, as imagens começaram a se projetar em meus olhos em uma velocidade impressionante. E a cada momento em que eu via o rosto de Liam ou ouvia sua voz ressonando em meus ouvidos, eu sentia as lagrimas aumentando.
A confusão me consumia lentamente, queimando meu interior, eu queria gritar, eu queria arrancar cada fio do meu cabelo. Eu o conhecia há uma semana e alguns dias e eu já me sentia assim triste, confusa, impotente, com raiva. Eu... eu o amava. Mas eu sabia que era um amor imaturo e surreal. Como eu podia amar alguém por fotos e vídeos? Era assim meu amor por ele. Até conhecê-lo.
Foi ai que eu comecei a julgar minhas emoções, meus sentimentos. Eu sabia que eu não podia cultivar aquela paixãozinha louca e infantil que eu carregava. Afinal, eu teria que conviver com ele dois meses, e assim eu conheceria o verdadeiro Liam Payne e não o Liam da One Direction. Não que isso mudasse as coisas, mas eu só sabia quem ele era por causa da banda.
Agora ali de frente com a realidade, o encarando frente a frente, sabendo que era possível tocar sua pele, sentir sua respiração quente em minha face e sentir seu perfume, tudo mudou. Ainda mais com aquelas palavras confusas que ele jogava sobre mim.
Foi então que eu escutei o som do portãozinho lateral da casa sendo aberto. Não demorou muito para eu escutar passos até o local onde eu estava. Tratei rapidamente de engolir o choro e limpar as lagrimas que caiam de meus olhos. Quem era?
Eu não precisei abri os olhos para ver quem estava ali. Seu perfume contava tudo. Era ele ali, na varanda de minha casa. O dono dos meus pensamentos, o culpado pelo meu choro. Respirei fundo e abri os olhos.
- O que faz aqui? – perguntei sem encará-lo. Arrependi-me de ter soado tão fria.
Senti que ele sorria levemente, mesmo sem nem ao menos olhá-lo. Eu podia sentir meu coração disparando com sua aproximação, com seus passos cautelosos, com suas palavras não ditas.
- Vim devolver algo. – ele disse baixo.
Desviei meus olhos até ele e vi que ele estendia algo com as palmas das mãos viradas para cima. Ele se aproximou mais alguns passos e sentou ao meu lado no banco, colocando sobre meu livro, minha pulseira. A encarei sem entender o que acontecia ali.
- Como...? – comecei.
- Estava dentro do carro de Zayn. – ele disse sorrindo. – E eu sabia que era sua, porque você tem mania de colocar as mãos sobre ela, para conferir se ela ainda está no seu pulso.
- Porque não me avisou? – perguntei exaltada. – Eu estava preocupada.
- Você não me atenderia.
Disse, simplesmente. Desviei meus olhos dele, sabendo que aquilo era verdade. Eu me desesperaria ao ver uma ligação sua, e nunca atenderia. Ficamos em um silencio constrangedor encarando a fina neve que caia.
- Vamos sair amanhã? – murmurou.
- Eu e você? – me assustei e o encarei.
Ele riu baixo.
- Bem, se você quiser, sim. – ele disse rindo pelo nariz depois. – Mas eu estava pensando em um programa em grupo.
- Ah, sim. Tudo bem. – respondi desviando os olhos.
Ele pegou em meu queixo e me puxou para poder encará-lo. Assim como naquela tarde em Richmond quando estávamos parados em meio a pista e ele puxou meu rosto para encará-lo. “Você está evitando me encarar.” Essa frase rondava minha cabeça me deixando distraída por alguns momentos. Sua mão quente segurava meu queixo com firmeza, enquanto seus olhos me encaravam com intensidade.
- Odeio quando evita me encarar. – ele disse baixo. – Tudo que eu quero, é sair com você, só com você. Mas eu não quero colocar tudo em risco. – suspirei baixo e fiz menção de desviar meus olhos de novo, mas havia algo nele que me atraia. – Você é muito especial .
Dessa vez foi inevitável, as lagrimas começaram a cair finas e calmas sobre minhas bochechas. Será que ele não sabia que aquilo me magoava? Será que ele não percebia que aquelas palavras me cortavam como navalhas?
- Porque está chorando? – perguntou melancólico.
- Não é nada. – respondi limpando rapidamente as lágrimas.
- Não minta pra mim. - Eu fiquei em silencio, e tratei de segurar as lagrimas. – Por favor, não chore. – ele pediu.
- Não vou mais.
- Promete? – ele pediu sorrindo soltando meu queixo e segurando minhas mãos.
- Não. – eu fui sincera.
Ele riu baixo.
- Enquanto eu estiver por perto não quero vê-la chorar. – ele disse me puxando para um abraço. – Porque te ver chorando me faz chorar, não quero vê-la triste.
Suspirei baixo e ficamos ali mais um tempo nos abraçando, até que ele perguntou sobre meu gosto por ler e estudar. Era legal passar um tempo com Liam, por mais que aquilo me machucasse. Não demorou muito para nossa conversa ser interrompida por um grito que ecoou da sala.

’s POV

Assim que subi para o quarto, senti minhas pernas bambearem e meu corpo desmoronar sobre meus joelhos. Fechei a porta atrás de mim e me direcionei vacilante até a escrivaninha. Passei os dedos sobre o notebook. Eu poderia ligá-lo, ler algo que demonstrasse meu estado de espírito, mas eu não queria vê-lo, eu sabia que ele estava em todas as noticias. Assim como eu.
Suspirei baixo e peguei meus fones de ouvido, me direcionei até a cama e me joguei sobre ela. Eu podia sentir minha cabeça latejando, tudo que havia acontecido rondando minha cabeça, tornando aquele momento mais angustiante. Conectei o fone no meu celular e abri as musicas do artista. Sinceramente eu havia pensando em escutar One Direction. Mas quando a voz dele se fizesse presente, qual seria minha reação? Aquilo só pioraria, me magoaria mais.
Coloquei Joe Brooks para tocar no aleatório. Eu realmente gostava dele, e esperava que nesses dois meses, eu conseguisse ver um show dele já que ele morava em Londres e tudo mais. Suspirei e enterrei mais minhas costas no colchão macio, enquanto murmurava: Hello Mr. Sun.
As lagrimas vieram sem a minha permissão. Eu não sabia como eu ainda ousava em chorar por ele. Até quando aquilo ia acontecer? Até quando ele ainda me magoaria?
E o pior é que ele sabia. Sabia o quanto suas palavras me feria. E eu me perguntava, será que de uma forma sádica aquilo era prazeroso para ele, ou ele fazia só porque simplesmente não gostava de mim? Por mais que tenha passado pouco tempo desde quando conhecemos, eu sofria intensamente. Será que aquela dor só aumentaria?
Puxei o travesseiro ao meu encontro e o abracei com força, enquanto eu gritava entre suas dobras. A raiva me consumia, a dor me corroia. Eu estava sofrendo, uma dor que eu não sentia á muito tempo. Mas porque eu sofria? Sofria por ele?
Porque era obvio que eu gostava dele. Aquele beijo não foi um beijo comum. Mas ele fez questão de estragá-lo. Tornando aquilo horrendo e traumatizante. “Foi coisa do momento. Não vai acontecer de novo.” Gritei mais alto dessa vez, tendo consciência que talvez as meninas me escutassem. Eu desejava com todas as minhas forças nunca ter conhecido ele.
Talvez tenha sido um erro conhecê-lo. Era obvio que eu me apaixonaria por ele. Na verdade eu sempre amei Harry. Mas era um amor diferente, eu só via ele por fotos e vídeos e achava que quando o conhecesse ele ia ficar perdidamente apaixonado por mim, íamos casar ter filhos e viver felizes para sempre. Mas não foi assim, era perfeito de mais. Ele tinha que me odiar, e para piorar aquele amor infantil e surreal só aumento se transformando em algo como, uma paixão louca.
Eu não conseguia parar de pensar nele, de chorar por ele, e por culpa dele, de pensar como teria sido se não tivesse entrado naquele quarto. Se eu não tivesse ido tomar banho em seu banheiro. Se eu não tivesse saído de casa naquela noite de sábado. A culpa era única e exclusivamente minha. Eu não devia ter saído de casa como havia pedido. Mas eu era teimosa, eu era irracional. Quem diria que absorventes me trariam tantos problemas.
E alem disso tudo, eu sabia que estava preocupando as menina por não querer comer. Mas eu simplesmente não tinha mais vontade, eu não queria comer. Era uma coisa inútil, comer para quê? Para ficar gorda? Deus me livre eu já era gorda de mais.
Tremi sobre o colchão e senti uma corrente gelada entrar pelo quarto. Levantei-me colocando o celular em um dos bolsos e fui até o guarda roupa pegar um casaco, mas me arrependi imediatamente de ter feito aquilo. Assim que abri o guarda-roupa encontrei um moletom azul escuro colocado de qualquer maneira ali dentro. O peguei cautelosamente sentindo sua textura grossa entre meus dedos. Assim que o fiz, senti seu perfume me atingindo em cheio. Assim como as lagrimas que aumentavam ridiculamente com aquilo.
- Droga. – gritei quando percebi que não conseguia me livrar daquilo.
Daquele maldito casaco, daquele maldito perfume que estava infestando meu guarda-roupa, daquela maldita sensação, daquele mantido choro. Escutei Holes Insides começar a tocar e perdi todas as minhas forças restantes, me fazendo cair como uma completa boneca de pano no chão, enquanto eu ainda segurava o casaco fortemente entre meus dedos. Era minha musica.
“E mais uma coisa. Você está com cara de choro.” Sua voz ecoava em meus tímpanos junto com a musica que tocava lentamente, despertando meus melhores e piores sentimentos. Não sabia que era possível os dois acontecerem ao mesmo tempo, mas ali estava eu, sentada no carpete do quarto enquanto eu segurava um moletom azul marinho entre os dedos, e podia sentir meu coração desfalecendo por isso.
Ao mesmo tempo que eu sentia sensações incríveis com aquele moletom nas mãos, as correntes elétricas que ele me transmitiam, cada terminação nervosa do meu corpo suplicando por aquilo, ao mesmo tempo um gosto amargo se fazia em meu animo. Juntei os joelhos junto ao peito e apoiei o queixo sobre eles, enquanto o casaco estava junto ao meu colo, apertado, quente, sufocante. Como meu coração.
Respirei fundo e senti as lágrimas cessarem, quando fiz isso, ouvi do andar de baixo alto e claro, um grito. O que não era comum, ainda mais vindo da pessoa que eu julgava estar gritando.
Era . Levantei em um pulo e joguei o casaco sobre a cama, saindo correndo porta do quarto a fora, sem me importar de limpar o rosto.

’s POV

Abri o forno e coloquei a travessa de biscoitos dentro dele. Sorri levemente, tirando as luvas e me virei para as meninas.
- 30 minutos. – eu disse sorrindo e me sentando no balcão da cozinha.
estava sobre o balcão central e estava em um dos banquinhos que havia ali.
- Foi legal fazer. - disse brincando com um papelzinho sobre o balcão. – Pena que as meninas não quiseram ajudar.
- Elas estão estranhas. – comentei enquanto comi algumas gotas de chocolate que sobraram.
balançou as pernas e desviou os olhos até a janela. Seus olhos ficaram ali por um tempo, e ficamos em silencio por um longo momento. Enquanto pensávamos em assuntos diversos, eu lembrava dos momentos que passamos juntos com os meninos no domingo.
Foi um dia divertido e diferente de tudo que eu já tinha vivenciado, sem contar que nunca em toda minha vida eu tinha feito bonecos de neve. E foi divertido, ainda mais com Niall ali. Puxa, Niall era incrível. Era exatamente a pessoa que eu julgava que ele era. Sempre animado, espontâneo, comilão e alem de tudo, apaixonante. Céus! Niall era um cara apaixonante. Ele sabia desconcertá-la com palavras comuns. Tinha um dos sorrisos mais singelos e verdadeiros que eu me lembro de ter visto e tinha o coração mais bondoso da face da Terra.
- O que está pensando ? - perguntou.
- O que? – perguntei confusa. – Não estou pensando em nada.
- Claro que está. Estávamos conversando com você, e você não respondia, ficava vidrada. - disse rindo.
Senti meu rosto queimar e encarei as meninas sorrindo.
- Estava pensando no domingo. – respondi, sendo sincera.
- Hum. - fez uma cara maliciosa. – Domingo especial ?
Tornei meus olhos para o chão e voltei a encarar as meninas, que trocavam um olhar cúmplice, e sorriam maliciosamente.
- Nem vem. – eu disse apontando para a cara delas. – Foi especial para vocês também.
Ficamos em um curto silencio constrangedor. Quando escutamos o portãozinho que levava aos fundos sendo aberto. Apressei-me para olhar pela janela, mas senti a mão de me puxando pelo pulso.
- O qu-
- Talvez seja apenas a . – ela disse séria.
Franzi o cenho, desviando os olhos até , que deu de ombros e voltou a brincar com o papel sobre a bancada.
- Louis me mandou uma mensagem. - disse como quem não quer nada. Desviamos nossos olhos rapidamente até ela, que deu de ombros e prosseguiu. – Ele nos chamou para ir em uma boate amanhã.
- Boate? - perguntou.
- É. Sabe, dançar, beber, musica altas, famosos e-
- Eu sei o que é uma boate . – resmungou. – Mas ainda tem 17 anos, creio que não poderá entrar.
- Detalhes, amiga, detalhes. - fez um gesto displicente com as mãos e voltou a balançar os pés.
- ! – eu a chamei. – Você não está pensando em deixá-la aqui, está?
- Obvio que não. Nós vamos com a One Direction, , eles não irão barrar uma amiga dos meninos.
- Se você acha. - resmungou.
- É eu acho.
Ficamos em um curto silencio, onde eu encarava e analisava sua expressão. Aquela antipatia e falta de paciência devia significar alguma coisa.
- Acho que está de TPM. – falei, enquanto colocava o resto das gotas de chocolate na boca.
me encarou, sua expressão séria mudou para algo como desespero.
- Ai, meu Deus você acha? – perguntou passando as mãos no cabelo.
- Acho.
- Não, amanhã vamos sair. Eu não posso... – ela respirou fundo. – Ai Jesus, não pode ser.
Rapidamente ela contou os dias com os dedos, repetindo o gesto diversas vezes. Quando ela desistiu de repetir o gesto, ela voltou a nos encarar, seus olhos estava arregalados e suas sobrancelhas arqueadas em modo de espanto.
- É você está certa . – ela disse jogando a cabeça para trás.
Ri baixo, e logo vi se levantando do banquinho e seguindo até a sala.
- Onde vai? - perguntou.
- Vou ver algo no computador. – ela disse sorrindo. – Tudo bem para você?
deu de ombros, e saiu resmungando até a sala. voltou a fazer seus cálculos, enquanto eu levantada da bancada para checar os biscoitos no forno.
Ainda estava branquinhos, o que indicava que ainda ia demorar um pouco para ficarem prontos. Quando me levantei e ajeitei a coluna, escutei um grito agudo vindo da sala. Olhei para que tinha os olhos arregalados, procurando alguma forma de compreendimento nos meus. Seguimos então recosas até a sala.
Ao chegar lá, constatamos que estava sentada em frente ao computador com a expressão assustada e dura. Aproximamo-nos com cautela, e vi com o canto do olho descendo pelo corrimão da escada.
- O que aconteceu? – ela perguntou ao firmar os pés no chão.
- Não faço idéia. – respondi baixo, vendo se aproximando mais a frente.
Logo a porta dos fundos foi aberta com violência e eu vi e... Parei de chofre, assim como e e ficamos a encarar e... Liam? Liam Payne? Era o Liam ali? Entrando com a na sala como se não fosse nada anormal aparecer na sua casa e perguntar:
- O que aconteceu em nome de Cristo? – sua voz suave e seu sotaque forte invadiram o ambiente, fazendo até mesmo desviar seus olhos para ele.
Ficamos em silencio apenas a encara Liam Payne na nossa sala de estar. parecia não perceber a pergunta que rondava nossas cabeças: O que ele estava fazendo ali?
- O que Liam faz aqui? - perguntou sorrindo zombeteira. – Vocês estavam... – ela apontou para Liam e estreitando os olhos.
Ri pelo nariz.
e Liam começaram a balbuciar palavras atropeladas e sem sentido nenhum.
- Eu não-
- Nós só estávamos-
- Eu vim devolver-
- Pulseira-
- Carro do Zayn-
- Entendemos. - gritou encerrando o assunto e franzindo o cenho de modo confuso. Voltando, em seguida, os olhos para . – Vamos a pergunta que não quer calar: Que diabos aconteceu?
riu baixo e fez um gesto com a mão pedindo para que nos aproximássemos. Fizemos com mais rapidez dessa vez e paramos atrás dela analisando assim atentamente a tela do computador. Meus olhos não acreditavam no que estavam vendo. Era verdade mesmo? Se fosse, estávamos perdidas.
- Setecentos mil seguidores? – ouvi murmurando espantada ao meu lado.
- E isso é o meu user. - comentou enquanto mudava para a pagina do twitter da . – Você tem novecentos mil, provavelmente por ter sido vista com Harry.
- Cala a boca. - resmungou baixo. Ela não havia dito para xingar, era uma gíria que significa tipo: Puxa, Wow, Carambolas, Puta que pariu, Caralh* e etc.
- O que tem eu “ter sido vista com Harry”? – ela perguntou indignada, fazendo aspas no ar.
Liam riu pelo nariz, e nós viramos os olhos em sua direção.
- Harry, de todos nós, é o que tem mais seguidores. – falou gesticulando com as mãos. – Provavelmente você é a mais – ele abaixou a voz, se sentindo provavelmente horrível por dizer aquilo. – odiada.
- Ótimo, era tudo que eu precisava. – ela disse passando uma das mãos nos cabelos, se afastando e sentando em seguida na escada.
- E vocês não sabem do pior. - disse meio risonha.
- Tem pior? - perguntou exaltada.
- Nosso facebook tem milhões de solicitações de amizades. – ela disse abrindo seu profile. – Sem contar as publicações do pessoal da escola no nosso mural.
Aproximei-me mais de , com os braços cruzados e me assustei ao ver quais pessoas havia publicado no mural. Gente que eu nunca havia conversado, que eu nem me lembrava mais, pessoas que me odiava, e Amber. Ela havia compartilhado uma foto de todos nós juntos em Richmond. Senti meu sangue subir, e olhei de relance para que encarava aquilo com raiva nos olhos.
Suspirei cansada, e ficamos em um curto silencio. As noticias corriam. Quanto tempo havia passado? Uma semana? Caramba, imagine dois meses? Como seriam esses meses aqui? Não teríamos mais paz, seriamos perseguidas por paparazzis, fãs loucas... Aquela demonstração em Richmond na entrada no Hotel foi só uma lasquinha. Ninguém havia achado a gente ainda porque provavelmente não sabiam nada sobre nós. Mas agora ali, vendo que estão nos seguindo no twitter e solicitando amizade no facebook, nossa vida estava acessível. Era só ler nossos tweets antigos, dizendo como foi a escola, nossas conversas, TUDO, e você saberia, de onde éramos, onde morávamos, qual nossa escola...
- O que vamos fazer? – perguntou , me tirando do meu devaneios.
- Sair amanhã. – Liam disse sorrindo meigamente.
- Você pirou? - se pronunciou, tornamos nossos olhos para ela, vendo ela sentada nos degraus, com a cabeça entre as mãos, enquanto encarava os pés. – ainda não olhou as mentions – ela levantou os olhos encarando . –, e nem vai olhar, mas imagine quantas ameaças devem ter...
- E apoios. – Liam comentou baixo.
- Liam, 97% são ameaças e você sabe disso. – ela falou apontando o dedo para ele. – Isso é porque é no twitter, imagine sair com vocês? Vão nos agredir, não importa o lugar, a hora, e a ocasião.
Ficamos em um curto silencio, até que se pronunciou.
- Não podemos ficar dentro de casa para sempre também não é? – ela perguntou, olhando para cada uma de nós.
- Você está falando de sair? - perguntou espantada. - falando de sair?
cruzou os braços e nos encarou emburrada.
- Também não falo mais nada. – ela murmurou e nos deu as costas se afastando até a janela.
Liam observou a situação sem entender, vendo mexendo nas redes sociais, sentada na escada puxando alguns cabelos, e escorada na parede encarando todas nós com a cara emburrada.
- está de TPM . – comentei olhando para que mostrou língua para mim e apertou mais os braços cruzados. – Não faz essa cara que é verdade. Nós podemos sair sim.
Liam sorriu para mim e piscou.
- Onde vamos? - perguntou, abaixando a tela do notebook e girando a cadeira em nossa direção.
- Uma boate legal. – ele disse sorrindo.
- Eu sou menor de idade. - resmungou com cerimônia.
- Damos um jeito. – Liam falou.
- Vai dar uma de super-heroi Liam? - perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Dá sossego . - pediu com raiva, voltando os olhos para nós.
- Não pode brincar com seu namoradinho não? – ela sorriu zombeteira.
estava passando dos limites. Tudo bem que a TPM podia deixar ela um pouco estressada, mas esses tipos de brincadeira estava fora de cogitação. Liam estava rubra por essas suas brincadeiras, estava ficando irritada.
- por favor. – gritei colocando as mãos na cabeça.
me encarou assustada, mas logo ela descruzou os braços e se aproximou de a abraçando, e depois seguiu abraçando rapidamente Liam.
- Desculpe. Eu estou um pouquinho irritada.
- Tudo bem. – ele sorriu largamente.
sorriu em resposta, e piscou para ela, que deu uma leve risada. Desviei meus olhos para que ainda mantinha os olhos para os pés e que voltava a analisar as redes sociais. Suspirei baixo e escutei o celular de tocar.
- Alô? – escutei sua voz abafada, ao atender ao telefone. – Quem é? – ela perguntou antes de sair para o jardim dos fundos.
Observei na varanda e voltei meus olhos para a cozinha, me lembrando por fim dos biscoitos que eu havia deixado no forno.
- Quem quer biscoito? – perguntei sorrindo, seguindo até a cozinha.
e se apressaram atrás de mim. Sorri, ao pegar as luvas e constatar com o canto do olho, e Liam chegando até a cozinha conversando e sorrindo.

’s POV

Calcei as sandálias, e segui até o espelho. Observei a garota que estava ali, ela não parecia nada comigo, com aquele vestido de lantejoulas, e sandálias. Ela estava linda, mas não era normalmente o tipo de roupas que eu me veria usando. Mas os meninos afirmaram que era uma boate badalada de Londres, e que haveria famosos e todos os tipos de coisa.
- . – escutei gritando no andar inferior. – Vai demorar mais quantas horas?
Respirei fundo, peguei minha carteira sobre a cama e segui até a porta, constatando que já estavam todos lá em baixo. Desci a escada com cautela, sem levantar os olhos para os meninos e as meninas que conversavam animadamente. Quando percebi que a conversa havia se encerrado eu já estava no patamar de baixo,e foi impossível não levantar meus olhos para a direção deles.
Todos me olhavam com os olhos estatelados, inclusive as meninas. Sorri sem graça, sentindo meu rosto queimando devido a vergonha. Ouvi Zayn suspirar baixo, e meu coração se acelerou, como um avião pegando impulso para vôo. Ergui minha cabeça e olhos, encontrando com os castanhos de Zayn, que me encaravam de modo diferente. Diferente de todas as outras maneiras que ele já havia me olhado. Tornei a encarar o chão entre meus pés, me sentindo verdadeiramente estranha com aquilo.
- Você - sussurrou.
- está – escutei .
- tipo - murmurou.
- assim - completou.
- maravilhosa. – escutei a voz de Zayn alta e clara.
Voltei meus olhos para ele e sorri verdadeiramente, ele correspondeu, me fazendo sentir mais quente do que antes. Ficamos em um curto silencio, até que Louis pigarreou.
- Vamos ficar aqui olhando a beleza de ou vamos sair? – perguntou sorrindo.
Liam deu um tapa na nuca de Louis o que levou a uma pequena discussão entre os meninos. Sorri d elado e me aproximei das meninas.
- Você está linda. - disse sorrindo.
- Está mesmo. - comentou.
- É estranho vê-la de salto. - disse, enquanto vasculhava a carteira.
- Seu celular está ali em cima. - disse para , apontando para a mesinha ao lado da porta, onde estava o celular.
- Eu não quero o celular. Estou conferindo se coloquei absorventes.
- Você vai deixar ele aqui? - perguntou indignada.
- Ninguém vai me ligar.
- Como sabe? – perguntei.
cruzou os braços e a encarou raivosa.
- Ontem aquele menino lá que você gosta te ligou. – comentou brava.
- Que menino? - perguntou.
- O Pedro, aquele da escola. - disse sorrindo.
- Foi ele que te ligou ontem de tarde? - perguntou.
- F-foi. - desviou os olhos até a janela, gaguejando.
Franzi o cenho.
- Porque gaguejou? – perguntei rindo.
- Você está mentindo . - disse brava, apontando o dedo em riste para ela.
afastou alguns passos para trás, e arqueou as sobrancelhas de modo bravo.
Ficamos a nos encarar, sabendo que escondia algo. Ela desviou os olhos até a janela de novo, e depois afastou com passos pesados até a cozinha. Continuamos a trocar palavras silenciosas até que se pronunciou, sussurrando.
- Eu a ouvi chorar essa noite.
Tornamos nossos olhos para ela, que descruzou os braços, e conferiu para ver se não voltava.
- Acho que quem ligou para ela foi outra pessoa.
- Outra pessoa? - perguntou confusa.
- Outro garoto.
- O que você está dizendo sua maluca? – perguntei.
Ela ficou em silencio por um tempo, encarando que estava na cozinha bebendo água. Desviei meus olhos para e vi ela apoiada no balcão da cozinha encarando o granito. fez um som com a garganta, e eu tornei os olhos para ela.
- O irmão dela. – ela disse como se tivesse descoberto algo. – Foi o irmão dela que ligou.
- O irmão dela? - perguntou meio desconfiada.
- Mas é claro, como não pensei nisso antes? - disse passando uma das mãos nos cabelos. – Ela não quer levar o celular, porque provavelmente está com medo do irmão ligar, ela chorou a noite inteira, e ainda esta com cara de choro, e não sabe mentir, eu sabia que Pedro não tinha ligado para ela.
- O que vamos fazer? – perguntei.
- Sair oras, nada melhor do que um lugar diferente para esfriar a cabeça. - comentou sorrindo.
- Também acho. - disse por fim.
Ficamos em um curto silencio, onde se aproximou de nós com a cara emburrada.
- Então vamos? – escutei Niall perguntar.
Concordamos com a cabeça e seguimos até os meninos.
- Olha estamos em dois carros, porque Harry e Liam vão dormir na casa de Louis depois. – Zayn disse sério. – Então, eu vou dirigindo em um e Louis em outro. Como quem querem ir?
- Do melhor jeito que acharem. - disse sorrindo.
- Ok, então vamos igual fizemos para ir em Richmond. – Louis disse abrindo a porta e saindo.
- Tudo bem. – confirmei e fiquei por ultimo para fechar a porta.
Esperei todos saírem. Quando fechei a porta e conferi se estava fechada, me virei, quase trombando na figura corada de Zayn, que sorria largamente para mim.
- Não tive a oportunidade de dizer. – ele disse baixo, tocando minhas costas e me guiando até o portão.
- Dizer o quê? – perguntei quando cheguei no portão.
Ele o abriu e me deu passagem para passar. Fiquei a o encarar fechando o portão, quando de repente ele tornou os olhos para mim e sorriu, me puxando para próximo do seu corpo. Eu podia sentir o calor que emanava dele, cada curva, cada músculo debaixo da jaqueta de couro.
- Você a garota mais bonita que eu já conheci em toda a minha vida.
Sorri inconscientemente, sentindo todo meu corpo pegando fogo. Zayn sorriu timidamente e seguiu até o carro. Fiquei ali a encarar o carro alguns segundos, sem entender o que acontecia na verdade. Ele havia dito que eu era a garota mais bonita que ele havia conhecido? Meu Deus, ele havia pirado?
Gargalhei baixo, e segui até o carro, achando aquela situação estranha, mas no fundo amando aquela sensação.

’s POV

Não demorou muito a chegar à boate que os meninos haviam dito. Ao chegarmos lá, havia cerca de trinta paparazzis, e foi impossível eles não nos verem. Os meninos tentaram ignorar os chamados e os gritos que eram dirigidos para nós, mas foi complicado quando um perguntou: “Louis essa é a sua namorada? E Eleanor?”
Louis se enfezou e aproximou do paparazzo dizendo coisas como, ‘vida’, ‘Eleanor’, meu nome, e ‘ótima pessoa’. Sorri ao ver Louis voltando até nós, e assim podermos entrar na boate. O lugar estava lotando, e logo vi alguns famosos, o que fez eu me animar um pouco.
Eu estava ali na verdade porque eu queria me animar. As meninas não sabiam, mas meu irmão havia me ligado ontem. Foi um choque, eu odiava quando ele fazia isso. Será que ele não podia simplesmente me esquecer? E se ele não me esquecia, não havia modo para eu esquecê-lo.
Eu sempre me via chorando por horas a fio por conta daquilo, mas nem mesmo eu, agüentava chorar mais por aquilo. Afinal, por quanto tempo eu sofreria? Sofreria por ele? Se ele realmente se importasse o quanto dizia se importar, ele me deixaria em paz.
“Ouvir dizer que está em Londres. Como está?” Estava ótima a minutos atrás, e você?
As vezes eu tinha vontade de largar tudo, mas e então? A que fim me levaria? Pensei que em Londres seria diferente, eu finalmente iria esquecê-lo, mas eu estava completamente enganada.
- O que foi ? – ouvi Louis perguntar.
Desviei meus olhos para ele, e vi seus olhos verdes me encarando de modo confuso. Olhos que eu tanto apreciava.
- Só estou com sede. – menti.
Ele sorriu para mim, me guiando até o bar, me fazendo perceber que as meninas não estavam mais ali, nem os garotos. Sorri ao ver e conversando com alguém, que eu não conseguia ver o rosto, e Niall dançavam mais adiante e e Zayn conversavam animadamente em um canto.
- O que quer beber? – Louis perguntou tirando-me dos meus devaneios.
- O que você sugere?
Ele sorriu belamente e pediu algo para o barman. Enquanto sorria fracamente, escutei Titanium do David Guetta com Sia tocando ao fundo. Sorrir ao constatar
- Gostou daqui? – perguntou, encostando no balcão e analisando o lugar.
- É incrível, e super lotado. – eu disse sorrindo. – O mais impressionante foi não terem barrado a .
- Nem identidade pediram. – comentou.
Confirmei com a cabeça, constatando que o barman havia deixado a bebida sobre o balcão. Louis apressou em pegar os dois copos e me entregar um, quando fiz menção de beber, ele segurou meu pulso.
- Vamos brindar. – disse rindo.
- Brindar? Brindar o quê?

I'm bulletproof, nothing to lose
Fire away, fire away


- Ah sei lá... – pensou por um pouco, e logo sorriu largamente. -, vamos brindar a esse começo de amizade, e que dure anos, quero sempre tê-la ao meu lado.
- Sempre vou ficar do seu lado. – eu disse sorrindo, e levantando o copo.
- Eu sempre estarei aqui. – ele disse levantando o copo.

Ricochet, you take your aim
Fire away, fire away


Brindamos, escutando o som dos copos se chocando. Quando levei o copo aos lábios, Louis sorriu para mim, e puxou meu lábio levemente.
- É forte. – disse baixo, aproximando seu corpo do meu, e me olhando sobre o copo.
Sorri mais abertamente, era tudo que eu precisava na verdade. Algo forte, que me faria esquecer tudo. Louis bebeu um gole da bebida, e depois olhou para mim. Olhei para o lado e virei o copo, engolindo toda a bebida, que desceu queimando minha garganta. Tentei não fazer careta.

“You shoot me down, but I won't fall
I am titanium”


- Peça outra. – pedi.
Ele arregalou os olhos, mas logo sorriu, pedindo outra para o barman. Aproximei um pouco nossos corpos, eu sabia que não era o efeito do álcool, mas eu queria ficar ali perto de Louis, ele me fazia bem. Eu queria fazer bem a ele.
Logo, o barman deixou outro copo sobre o balcão, e me apressei a pegar. Louis tomou outro gole de sua bebida, e largou o copo sobre o balcão.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


Segurei a mão de Louis, que estava quente, senti todo meu corpo se arrepiando com aquele toque.
- Vamos dançar. – eu chamei, já puxando Louis para o meio da multidão.
Sorri ao senti suas mãos em minha cintura me guiando até o meio da pista. Quando paramos em meio a pista, ele ainda não havia soltado minha cintura, transmitindo assim milhões de correntes elétricas para meu corpo. Respirei fundo sentindo ele me puxar em direção do seu corpo, começando uma dança louca e alucinante, com nossos corpos colados. As pessoas nos olhavam, provavelmente achando que éramos loucos. Virei o copo mais uma vez, sentindo a bebida descer, não queimando mais, descendo de uma forma refrescante.

Cut me down, but it's you who'll have further to fall
Ghost town and haunted love
Raise your voice, sticks and stones may break my bones
I'm talking loud, not saying much


Louis me olhou com as sobrancelhas arqueadas, me levando a sorrir zombeteira para ele. Vi um garçom com bandeja se aproximar, e coloquei o copo sobre a bandeja que carregava.
- Mais uma? – perguntou meio alto.
- Sim. – gritei em resposta.
Desviei meus olhos para Louis, ainda dançávamos juntos, eu podia sentir seus braços me segurando mais fortemente pela cintura.

I'm bulletproof, nothing to lose
Fire away, fire away


- Você tem que parar. – ele disse em meu ouvido, me causando arrepios extremos.
- Eu cansei de agir como se eu não tivesse um problema. – eu disse fazendo o mesmo que ele, sussurrando no pé de seu ouvido. – E eu tenho um problema.

Ricochet, you take your aim
Fire away, fire away


- Sem exageros – respondeu depois de um tempo.
- Eu estou com você. – eu disse aproximando mais nossos corpos. – Sempre, sempre, sempre.
Logo o garçom apareceu com outro copo, e Louis pediu outra bebida. Eu sorri para ele, que fez o mesmo. Abracei suas costas, sentindo a textura de sua camisa entre meus dedos.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


- Você vai cuidar de mim. – não era uma pergunta.
- O que você vai fazer? – perguntou me encarando intensamente.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


- Você não sabe pelo o que estou passando Lou. – eu disse baixo, sentindo as lagrimas lutarem contra mim.
- O que aconteceu? – ele perguntou exaltado.
Olhei para o lado, tomando um gole da bebida. Eu via as pessoas dançando a minha volta, percebi que o álcool já fazia efeito, ao constatar que eu não conseguia identificar mais nenhum rosto, só o de Louis a minha frente.

I am titanium

- O que aconteceu ? – ele perguntou serio dessa vez.
Olhei para seu rosto, vendo em seus olhos verdes a preocupação. Abaixei meus olhos para meus pés, sentindo uma vontade louca de ter Louis mais perto, desejando imensamente que ele me beijasse, que ele fosse meu.
Voltei meus olhos para ele, sentindo suas mãos ainda ao redor de minha cintura. Logo o garçom chegou entregando a bebida para Louis, que a pegou com cerimônia e tomou um gole com cautela enquanto me observava sobre o copo provavelmente, esperando que eu fosse fugir.

I am titanium

Senti minhas pernas bambearem, e meus olhos perderem o foco. Louis era perfeito, porque a vida não era justa comigo? Porque ele não podia ser meu? Porque, ele tinha que ser de outra pessoa? Eu estava condenada a aquilo? Sofrer sempre?
- ? – ele me chamou, depois de um tempo.
Foi quando eu fiz a maior loucura da minha vida, passei o copo para minha mão esquerda, e guiei minha mão livre para a nuca de Louis. Ele não se assustou com o toque, apertando mais sua mão em minha cintura. Mas antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ele aproximou seus lábios dos meus, e me beijou.

Stone hard, machine gun
Fired at the ones who run
Stone hard, as bulletproof glass


Senti todo o mundo parar. Perdi o chão, e me esqueci de como respirar. Louis estava me beijando. Fiquei sem ação por um momento, mas ao sentir suas mãos subindo por minhas costas até minha nuca, eu puxei seu corpo para mais perto do meu, aproximando nosso contato, sentindo cada músculo de seu corpo em contato com meu, cada pêlo eriçado, cada curvatura, cada saliência.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


Minha mão apertou suas costas, com força. Demonstrando tudo que eu sentia naquilo, naquele toque, naquele beijo. Demonstrando o quanto eu desejava aquilo. E a quanto tempo. Sua respiração era pesada em meu rosto, sua língua era ágil. Respirei fundo sugando todo o ar que era necessário para prosseguir.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium

Mas então a realidade caiu sobre mim, como um piano jogado do nonagésimo andar. Ele tinha namorada. A Eleanor. E lá estava eu, aproveitando de uma situação. Aproveitando meu problema, e jogando sobre ele, o enfraquecendo, fazendo com que ele me beijasse. Eu não podia pedir algo assim de Louis. Eu não podia fazer isso com ele. Comigo. Com Eleanor.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


Reuni toda a minha força e coragem e empurrei Louis. Ele me olhou surpreso, enquanto equilibrava o copo na mão. Ele me olhou com os olhos arregalados em incompreendimento. Passei uma das mãos nos cabelos.
- O que-? – perguntou, mais eu o interrompi.
- Desculpe. – pedi, me afastando.
Seguindo entre o corredor de pessoas que se fazia, andei devagar e lentamente, mas ao sentir meu coração pesando, e meus olhos transbordando, eu acelerei o passo, apenas vendo a confusão colorida que se fazia ao meu redor.

You shoot me down, but I won't fall
I am titanium


- ! – escutei sua voz alta e claro sobre a musica e as vozes.
Acelerei meu passo, virando em seguida o resto da bebida. Tornei meus olhos para trás e vi Louis vindo em minha direção, ele não corria, mas seus passos eram rápidos, ele era ágil. Trombei levemente em um garçom e depositei o copo vazio sobre a bandeja e continuei seguindo até seja lá onde eu estava indo.

I am titanium

- , por favor. – escutei sua voz mais próxima.
Apertei meus olhos, tentando ver, mas já sentindo minha visão embaçando. Foi quando vi que cheguei ao um lugar onde não havia como sair, eu estava encurralada. Olhei para trás e vi Louis se aproximando. Tentei sair dali, mas senti sua mão fechando em torno do meu pulso, forte, quente e deliciosamente. Ele me puxou levemente em sua direção, me fazendo o encarar.
Minha visão estava turva, e a única coisa que eu via era seus lindo olhos verdes e sua voz ficando cada vez mais baixa.
- , não precisava fugir – ele disse baixo, muito baixo. – eu-
Então minha visão se escureceu por completo, e eu já mais nada escutava do que Louis dizia.

I am titanium

Chapter VII

">Louis’s POV

Encarei seus olhos por cima do copo, analisando sua atitude com cautela, enquanto uma de minhas mãos ainda se matinha ao redor de sua cintura, a segurando fortemente ali próximo ao meu corpo. Abaixei o copo, ao terminar de beber e voltei a encará-la mais intensamente dessa vez. Seus olhos grandes e divagavam entre meu rosto, pareciam quase aflitos.
Mas perdi o foco de seu rosto, ao vê-la desviando aqueles tão belos olhos em direção a multidão a nossa volta, enquanto incrivelmente ainda mantínhamos aquela dança louca e meio alucinante. Seus finos dedos tocavam levemente minhas costas por sobre a camisa, me trazendo uma fervura que eu sabia não ser causada pelo álcool consumido. Eu estranhamente não me sentia mal por encará-la daquela forma, analisando cada poro de sua face corada, talvez pelo sol, talvez pela vergonha. Cada cílio curvado para cima, divididos entre si, aumentando mais ainda seus grandes olhos. Aquela pequena nota de cor avermelhada em seus lábios cheios, que eu já sabia pelo pequeno tempo de convivência, serem rosados naturalmente. Seus longos e brilhosos cabelos caiando como uma cascata por sobre o ombro. era simplesmente perfeita, mas porque parecia esconder tanto debaixo daquela beleza? Como se toda aquela estrutura fosse feita para esconder algo. Algo frio, duro e de grande peso para ela.
- ? – chamei, tentando de alguma maneira trazer seus olhos em minha direção novamente.
Ela voltou os olhos rapidamente para mim, mantendo um pequeno contato entre nós. Sua respiração era pesada, podendo sentir levemente o pequeno odor de álcool que ela havia ingerido com excesso. Antes que eu pudesse acabar de completar minha frase, eu senti uma de suas mãos serpentando minhas costas, segurando em seguida minha nuca com força. Cada terminação nervosa do meu corpo implodiu em êxtase, com aquele contato, o contanto de sua mão gelada em minha nuca, e a proximidade de seu corpo frágil próximo ao meu. Apertei meus braços mais uma vez ao redor de sua cintura, sem saber o que faria com o copo que segurava em uma das mãos.
parecia levemente alterada por conta do álcool, mas eu via em seus olhos que ela sabia o que fazia, enquanto me encarava com o cenho franzido e os olhos com pequenos vestígios de lagrimas. Sua respiração era quente e batia em meu rosto com fervor. Vi seus lábios tremerem em hesitação quando em uma ultima arfada eu capturei seus lábios com tamanha volúpia que quase a devorava. Senti o copo que segurava escorregar de minha mão e cair com estrondo no chão. Não me preocupando com aquele fato, guiei minha mão livre, tocando com leveza suas costas expostas, trazendo, se é que possível, seu corpo de encontro ao meu com mais intensidade.
Suas mãos puxavam minha camisa com força, enquanto sua outra mão segurava meus cabelos com intensidade. Agíamos rapidamente, com necessidade. Como se desejássemos aquilo há tempos. Tempos esse, uma semana. Seus lábios em contato com os meus em movimentos únicos e imprevisíveis. Suas mãos pequenas e delicadas, ora agiam agressivamente, ora calmamente. Eu podia sentir toda a tensão em que seu corpo se mantinha, toda a rigidez de seus músculos com aquele contato. Contato, no qual eu preferia nunca sair. Respiração não era necessária, enquanto mantivéssemos naquela dança louca, envolvente e aquele beijo que significava muito do que meras palavras podem dizer, no ritmo de uma musica da qual eu já não conseguia identificar mais. Eu queria mostrar para ela o quanto aquilo estava sendo incrível. Demonstrar ali naquele contato tão imediato e necessário o quanto eu desejava aquilo.
Cada poro do meu corpo gritava em excitação, correntes infinitas desciam por minha espinha e atravessavam meu corpo como raios lançados por Zeus. Eu poderia dizer que foi o melhor contato de minha existência, era como se eu estivesse renascendo. Como se tudo fizesse sentido, não havia mais nenhuma duvida, era ela. Ela era aquela pessoa que eu estava destinado a ser, a ter, a viver. Cada respiração, cada batimento de meu pequeno coração, estavam destinados a ela. Como se eu vivesse por ela. Eu queria tê-la ali em meus braços eternamente, cada noite antes de dormir constatar a certeza do amanhã. Cada palavra, cada arfada e cada pulsação, para ela. Era ela, e mais ninguém.
Senti suas mãos tocarem meu peito com prudência, enquanto assim ela me afastava com cautela de seu corpo. E feito isso foi como se tudo caísse sobre mim. Toda aquela certeza, toda aquele sentimento esvaísse de mim e desaparecesse. estava agindo por impulso e não porque queria aquilo. Estava movida a pequena quantidade de álcool ingerida.
- O que-? – perguntei em meio ao desespero de meu coração e de sua resposta.
- Desculpe. – pediu, se afastando.
Observei seus passos cautelosos, enquanto se guiava entre o pequeno corredor que se fazia em sua volta. As pessoas observavam aquela cena achando aquilo provavelmente a situação mais estranha que já tinham presenciado. Coloquei uma das mãos na nuca, raciocinando rapidamente o que estava acontecendo, quando me lembrei. Lembrei o motivo pelo qual ela se afastava. Eleanor, era o motivo. Provavelmente ela se sentia mal por aquilo.
- ! – gritei, a chamando em meio a multidão e musica.
Ela se afastava rapidamente, não corria, mas seus passos eram largos e rápidos. Enquanto fazia isso eu via a cascata de cabelos balançando com graciosidade. Andei alguns passos a seguindo entre o pequeno corredor. Aumentei gradualmente a velocidade de meus pés, me aproximando cada vez mais dela. Cerrei levemente os olhos me concentrando na garota que corria a minha frente, quando trombei com alguém que atravessava o pequeno corredor, sem entender o que acontecia. Desviei daquele ser e segui andando sem me importar, até , que acabava de virar o copo e deixava sobre a bandeja de um garçom qualquer. Vi ela voltar os olhos para mim, e eu pude ver as pequenas lágrimas, mesmo a distancia, que se acumulavam em seus olhos . Ela seguiu caminhando rapidamente até onde ela estava indo, e senti meus pés acelerando os passos inconscientemente.
- , por favor! – gritei mais uma vez, tentando a fazer parar.
Vi seus passos diminuírem ao se aproximar de um dos cantos daquela boate, acelerei os meus com o intuito de confrontá-la, mas perdi o foco quando vi seus olhos se voltarem para mim de forma aterrorizada. Senti meu coração vacilando a cada passo que eu dava próximo ao seu corpo frágil que estava levemente encolhido. Ela desviou os olhos de mim e encarou outro ponto daquela boate, fazendo em seguida menção de se afastar. Antes que ela pudesse dar mais um passo em outra direção, capturei seu pulso a trazendo para mim, fazendo seu corpo se chocar levemente com o meu.
- não precisava fugir eu-
Mas antes que eu pudesse completar minha fala, eu senti seu pulso relaxando em minha mão, assim como todo o resto de seu corpo, que fez menção de cair. Apressei-me em pega-la, segurando seu corpo junto aos meus braços. Ela havia desmaiado.
Olhei para seu corpo inerte em meus braços, sentindo a necessidade de me desesperar. Todo o peso de seu corpo estava sobre mim, sendo ameaçado a cair a qualquer minuto. Levantei seu tronco a carregando entre meus braços, fazendo com que seu peso se equilibrasse sobre eles. Observei seu rosto com cautela. Ela parecia tão serena, tão calma. Diferente das outras vezes que eu a havia visto. Havia sempre em seu rosto uma ruga de preocupação, mas ali, vendo ela desmaiada em meus braços, aquilo havia sumido, trazendo uma diferente.
O que eu faria agora?
Suspirei cansado seguindo até a enfermaria que eu sabia ter naquela boate. Enfermaria na qual, servia para ajudar as pessoas que se machucavam ao pisar em cacos de vidro, ou até menos freqüentemente desmaiavam. Guiei-me calmamente pelos cantos, evitando trombar com alguém. Voltei meus olhos mais uma vez para seu rosto, vendo seus olhos e lábios fechados levemente. Tornei meus olhos a frente constatando que havíamos chegando a uma área menos movimentada, onde havia uma porta branca. A abri com dificuldade me infiltrando com em meus braços naquela pequena ala, com três macas.
- O que houve? – escutei a voz de uma mulher logo a frente.
A segui com olhar, encontrando em seguida, uma mulher de estatura mediana e cabelos negros sentadas em uma das poltronas da pequena enfermaria.
- Ela desmaiou. – eu disse, me aproximando da maca mais próxima e depositando ali com cuidado.
- Bebeu? – perguntou se levantando e aproximando de nós.
- Sim, acho que ela não havia comido nada antes.
A enfermeira balançou a cabeça em descrença e parou ao lado de , sentindo com uma das mãos a sua pulsação.
- Ela só está desacordada, provavelmente está muito fraca. – ela disse limpando em seguida as mãos no jaleco. – Uma pequena quantidade de soro, ajudaria ela a acordar, mas é necessário vigilância a noite toda.
Voltei meus olhos para ela na maca, e fiquei a encará-la. Seu peito se movimentava conforme sua respiração era lenta e calma. Seus cabelos estavam espalhados sobre a maca de maneira bagunçada e desordenada. Suspirei cansado e me direcionei até a poltrona ao lado da maca.
- Tudo bem. – respondi. – Assim que ela acordar eu a levarei embora.
A enfermeira concordou com a cabeça e se afastou a até a pequena sala que havia nos fundos da ala. Voltei meus olhos para ela e sorri tristemente ao vê-la naquele estado, quando minutos atrás estávamos dançando.
- - sussurrei enquanto colocava um mecha dos seus cabelos atrás de sua orelha. – eu queria saber o que se passa com você. Porque parece esconder tanto. – sorri pegando em sua mão com força. – Queria que soubesse que aquele beijo significou muito, não há palavras que expressem o que senti. – ri pelo nariz. – Como eu sou tolo. Conversando aqui, com você, enquanto está em um mini-coma alcoólico, como se você fosse ouvir algo. – suspirei. – Eu sempre estarei aqui, pequena . Eu não sou de quebrar promessas... e brindes.
Eu queria ter visto como naqueles filmes um pequeno sinal de sorriso, mas nada aconteceu. Tanto porque só havia mesmo desmaiado, provavelmente não havia comido nada antes de ingerir álcool, e pensando bem, eu preferia vê-la dormindo do que imaginando o quanto ela se sentiria mal ao acordar. Não só por conta do enjôo, mas sim sobre o beijo que havíamos trocado minutos antes.

Zayn’s POV

Caminhei lentamente entre o aglomerado de pessoas, tentando achar naquele lugar cheio, uma parte mais tranquila onde eu e poderíamos conversar em paz. Respirei fundo, tomando coragem para olha-la mais uma vez, sabendo que assim que eu o fizesse eu perderia todo o meu foco. Fato que acontecia a todo momento em que meus olhos eram desviados a ela. E antes que eu pudesse desistir mais uma vez, eu o fiz.
Senti todos os músculos do meu corpo relaxarem ao perceber que encarava a movimentação ao nosso redor. Tomei cuidado ao analisa-la. Não queria ser pego em uma situação tão constrangedora quanto essa, levando em conta que desde momento em que eu a havia visto hoje eu não conseguia desviar meus olhos de sua figura singela. Era estranho pensar que talvez não fosse tudo aquilo que eu imaginava a cada dia que se arrastava em direção ao próximo fim de semana, no qual eu poderia vê-la. Não queria julga-la, afinal, eu só a conhecia a uma semana, e mal sabia quem ela realmente era. Mas havia algo. Algo naqueles olhos , tão que talvez fossem os mais profundos que eu já tenha visto em toda a minha vida, que me trazia tanto conforto que eu me sentia totalmente protegido só de pensar neles. Desde nosso ultimo contato eu não conseguia mais tira-los da minha cabeça. Tentei me distrair com desenhos, mas sempre me via desenhando seus olhos de maneira indireta ou direta.
Suspirei, no qual foi meu erro. No exato momento que o fiz, desviou seus olhos para mim, analisando-me em seguida com curiosidade. Senti meu rosto queimar em vergonha, e meu coração se apertar a cada segundo em que ela mantinha seus olhos sobre mim. Engoli seco, e a vi sorrir timidamente para mim. Forcei um sorriso e voltei meus olhos para frente me sentindo um completo imbecil com essa atitude.
As batidas de meu coração aceleravam a cada segundo. A cada segundo em que eu pensava nela, e no quanto estava perto de mim. Esfreguei minhas mãos uma na outra, uma mania boba que eu usava para disfarçar meu nervosismo. Respirei fundo e conferi meu topete como outra mania que tinha. Segurei meu ímpeto de voltar meus olhos mais uma vez para , que eu sabia muito bem estar logo atrás de mim.
Avistei logo à frente a pequena área VIP que tinha ali, e acelerei meus passos, sem nem ao menos olhar para trás para me certificar de que ela me seguia. Aproximei-me do segurança, e logo que me viu deu um singelo sorriso sem mostrar os dentes.
- Sr. Malik. – disse, ainda sorrindo.
- Boa Noite Ronald, está cheia? – perguntei maneando a cabeça para a pequena área.
- Não Senhor, parece que ultimamente as pessoas tem preferido ficar na bagunça mesmo. – ele disse gargalhando logo depois. – Lugar onde geralmente o Senhor ficava.
Sorri em resposta e ajeitei a jaqueta em meus ombros. Voltei meus olhos para as pessoas em minha volta, lembrando-se da ultima vez em que estivemos ali. Os meninos tinham costume de ficar na área VIP, mas eu, eu quase nunca seguia isso. Preferia ficar por ai bebendo e azarando algumas fãs. Não que eu era galinha, mas eu era extremamente galanteador. Gostava daquela paqueração, os olhares cruzados e etc. Mas ultimamente achar alguém estava difícil. E era nesses momentos que meus pensamentos eram direcionados a . Eu não entendia muito bem porque eu tanto pensava nela. Ou porque ela não saia da minha cabeça em quase nenhum momento do dia. Era obvio que ela tinha algo especial. Ela era inteligente, bonita, divertida, tinha um dos sorrisos mais lindos que eu lembrava de ter visto, era sempre decidida sobre o que falava ou fazia, tinha a voz mansa e parecia nunca ter pressa para falar.
Respirei fundo, balançando a cabeça levemente tentando afastar a imagem de que se formava em minha cabeça, mesmo sabendo que ela estava a alguns passos de mim. Voltei meus olhos para Ronald, tentando me lembrar sobre o que falávamos.
- Ainda estou me recuperando do cansaço dos shows. – eu disse por fim.
Ronald sorriu e abriu a corrente que delimitava o lugar do resto da boate. Segui caminho e voltei meus olhos para que sorriu em resposta para Ronald e seguiu timidamente até mim, segurando sua carteira com as duas mãos, tampando sua barriga.
- Porque estamos... – ela perguntou lentamente.
- Queria ficar em um lugar mais calmo. – a interrompi, sorrindo logo em seguida. – Por enquanto. - Ela sorriu em resposta, e abaixou os olhos para os pés, colocando uma mecha atrás da orelha. – Tem problema? Porque se quiser ficar em outro...
- Não. – me interrompeu de forma segura, e logo depois voltou os olhos para mim. – Está perfeito para mim.
Sorri para ela, e a vi colocar mais uma vez uma mecha atrás da orelha. Coloquei as mãos no bolso da calça. Tudo estava perfeito, desde que estivesse ali comigo.

Liam’s POV

Sorri mais uma vez, enquanto segurava sua cintura fortemente. O flash me atingiu, fazendo-me piscar diversas vezes depois, talvez a bebida já me afetava, o que significava que era hora de parar. Eu não era de ferro e a falta de um dos meus rins me fazia repensar antes que querer seguir meus amigos na bebedeira. As pessoas geralmente achavam que eu era o controlador do grupo, mas o fato era que, por não poder beber excessivamente eu sempre ficava ali para controla-los quando elas passavam de mais da conta, ou quando Harry queria ficar com simplesmente todas as meninas da boate, ou quando certa vez tivemos que arrastar Zayn boate a fora porque ele não queria parar de dançar. Eu sempre deveria intervir e dar um jeito de leva-los para casa.
Vi a garota parar na minha frente sorrindo singelamente. Maneei a cabeça com cautela tentando afastar a imagem de Zayn que começava a se formar em minha mente ao lembrar-se do incidente da dança descontrolada. Sorri em resposta a garota.
- Obrigada Liam. – ela disse mais uma vez, e se aproximou me abraçando.
Correspondi ao seu abraço, e logo ela se afastou pegando sua câmera com a amiga e checando a foto que havíamos acabado de tirar. Sorri serenamente ao ver o quão famosos estávamos, a ponto de sermos reconhecidos a todo lugar. Às vezes incomodava, sinceramente, mas só havíamos o que agradecer a tudo que estava acontecendo. À todas oportunidades que tivemos.
Vi os cabelos loiros da menina sumir entre a multidão. “Ela era bonitinha” pensei comigo mesmo, enquanto depositava o copo, com o resto da minha bebida, sobre a bandeja de um garçom que passava. Cocei a nuca e segui lentamente entre a multidão procurando um de meus amigos, que provavelmente estavam com as garotas. Respirei fundo e desviei meu corpo de um casal que dançavam fervorosamente. E foi quando eu fiz esse movimento trombei em uma figura delicada e singela, a segurei pelos cotovelos com delicadeza, impedindo de que caísse no chão e se machucasse. A puxei levemente a fazendo firmar os pés no chão e encarei seu rosto com curiosidade.
- ? – perguntei surpreso ao reconhecer aqueles olhos .
Ela riu timidamente e voltou os olhos para mim, ajeitou o cabelo com uma das mãos e puxou seu vestido para baixo.
- Liam. – disse aliviada. – Obrigada por... – ela pensou por alguns segundos, e logo sorriu. - não me deixar cair.
Desviei meus olhos dela em um ato impensado, me lembrando de imediatamente do dia em que estávamos em Richmond, e ela havia pedido pra não deixa-la cair. Voltei meus olhos para ela, e sorri levemente.
- Como prometido. – respondi colocando as mãos no bolso da calça, balançando meu corpo sobre os pés.
Ela riu baixo e colocou uma mecha atrás da orelha e encarou a movimentação ao seu redor. era incrível. Conseguia ser tão singela e meiga com tanta facilidade que era assustador, seus olhos grandes e era tão profundos que era impossível saber onde aquela profundidade acabaria, assim como parecia haver algo extremamente profundo nela. Parecia sempre retraída e medrosa, com medo talvez, de que alguém descobrisse algo sobre ela que não pudesse ser descoberto. E era por isso que eu não conseguia parar de pensar nela um segundo se quer, era só pensar em algo que me remetia a ela, que meus pensamentos eram dirigidos à sua figura. Eu queria tanto descobrir porque era tão misteriosa e tão calada, queria que ela compartilhasse seus mistérios comigo, que ela me contasse porque se mantinha tão afastada, mesmo sem perceber.
Meus pensamentos foram interrompidos por um empurrão vindo de um jovem que dançavam descontroladamente com uma jovem da mesma idade que a dele. Desviei meus olhos até ele, que sorriu timidamente.
- Me desculpe. – pediu, e logo depois voltou a dançar com a sua parceira.
Voltei meus olhos para que sorriu levemente, e pegou em um dos meus braços com leveza. Desviei meus olhos até sua mão, e fiquei encarando.
- Vamos sair daqui. – disse e me puxando levemente.
Tornei meus olhos para ela e vi que ela esperava eu me movimentar. Ela sorria singelamente, seus cabelos estavam perfeitamente ajeitados, caindo como cascatas por sobre seus ombros. Sorri em resposta e ri pelo nariz.
- Certo. – disse por fim.
Suas mãos escorregaram dos meus braços e pararam por segundos em minha mão. E foi nesse momento que meu mundo parou.
Vi todas as pessoas ao meu lado desaparecerem, todas as luz daquela boate se apagando, a música diminuindo gradativamente. Só havia ela. Só havia eu e , e aquele pequeno e singelo contato de nossas mãos. A sua tão quente em contato com a minha aquecendo cada parte de meu corpo, preenchendo cada vazio que faltava. Parecia que havia um holofote sobre fazendo com que meus olhos fosse guiados direta e exclusivamente a ela. Nada importava afinal. Nada alem daquele simples contato, naquela troca de calor singela.
Seus dedos se soltaram do meu, e tudo pareceu voltar ao normal. Meus pés firmaram no chão, pareciam pesados como chumbo, fazendo ficar difícil minha locomoção. Fechei os olhos e respirei fundo tentando inutilmente sair daquele pequeno transe que eu me encontrava. Me despertei finalmente ao ouvir pequenos estalos sendo produzidos na altura de meus olhos. Os abri com rapidez, tentando em acostumar com a luz e sensação de tontura que eu me situava, e assim então, consegui ver os dedos finos de a minha frente, os estalando tentando de uma maneira me acordar.
- Liam. – ela gritou, mas seu grito foi abafado pelo som alto.
Balancei minha cabeça com rapidez e a encarei com mais cautela. Analisei sua expressão com cuidado, maneando minha cabeça levemente, provavelmente procurando achar uma maneira de ler seus pensamentos. Ela sorriu singelamente, fechando levemente os olhos de uma maneira sedutora e logo depois riu baixo.
- Você estava viajando. – continuou. – Vamos?
Ri para o chão, e voltei meus olhos pra ela.
- Vamos. – concordei, a seguindo com cuidado, evitando esbarrar em mais alguém e perder o foco daquela que ocupava meus pensamentos na maior parte do tempo.

Niall’s POV

Sorri, e senti a luminosidade me cegando mais uma vez. Fechei os olhos com força os coçando logo em seguida. Balancei a cabeça de modo nervoso e voltei a encarar o grupo de garotas na minha frente que se espremiam levemente para poder visualizar a foto tirada a minutos atrás.
Girei sobre meus calcanhares procurando por que estava comigo até poucos minutos atrás. Continuei a procura-la, até que vi conversando com uma pessoa na qual não conseguia identificar seu rosto. Sorri inconscientemente enquanto a analisava com cuidado. Seus cabelos estavam presos de um modo diferente, mas muito bonito por sinal, seu vestido azul claro que destacava seus olhos combinavam com seu tom de pele, o sorriso que sempre carregava transmitindo um conforto incrível, seu jeito de falar quando estava empolgada com algo, e sua mania de balançar as mãos de um modo agitado, tudo isso completava , a deixando mais perfeita do que eu imaginava que alguém poderia ser.
- Obrigada Niall. – a mais baixa disse meigamente, desviei meus olhos até ela, enquanto ela levantava os seus claros até mim.
- Não há de quê. – falei sorrindo levemente, e voltando meus olhos até novamente.
Estiquei o pescoço tentando ver com quem falava tão agitada e empolgadamente.
- Aquela é a , certo? – ao ouvir seu nome desviei meus olhos até o grupo de meninas que eu havia acabado de tirar fotos.
- O que? Como...
- Saiu em todos os sites de noticia. – uma outra disse enquanto guardava a câmera dentro da sua bolsinha. – Tem mais quatro garotas, não é?
Nada falei, fiquei a encarar as quatro garotas na minha frente sem saber o que dizer. Ainda me mantinha naquele estado atônito quando a de cabelos claros se pronunciou.
- Nos não as conhecemos, e sentimos muito pelo o que elas tem passado.
- Do que estão falando? – perguntei assustado.
- As ameaças no twitter. – a única que nada tinha falado se pronunciou, enfim. – Sabemos que é constante.
- Não estou sabendo sobre isso. – comentei confuso.
- Pois é, os seguidores delas no twitter quintuplicaram, e vemos pelo FC que as ameaças não param. – a mais baixa disse. – Já tentamos amenizar a situação assim como 1/5 dos outros FC também, afinal, estamos aqui para apoiar a One Direction, com quem saem ou deixam de sair não faz juz a nós.
Ela sorriu no final e uma por uma se aproximaram, me abraçando rapidamente. Não demorou muito e elas se afastaram antes que eu conseguisse dizer um: obrigado, pelo o que tinha falado. Na verdade, nunca havíamos passado por uma situação como aquela, mas sabíamos o poder que nossas fãs tinham, e pensar na possibilidade de que isso podia afetar as meninas me assustava. Eu amava nossas fãs, mas sabia o quanto podiam se tornar perversas ao falar sobre amizades ou até mesmo namoros. Eleanor, Danielle e até mesmo Caroline sofreram com aqueles tipos de ameaças, mas levar em conta um grupo grande de meninas como as amigas de era assustador. Elas eram incríveis, sempre bem humoradas e eram ótimas companinhas, até então eu não via motivos para algumas pessoas começaram com ameaças. Ou tinha?
- O que está fazendo parado aqui? – escutei sua voz suave e alta atrás de mim, sorri levemente e girei nos meus calcanhares, encontrando com os olhos de .
- ! – falei surpreso. – Eu estava tirando umas fotos com umas fãs.
riu para o chão e voltou os olhos para mim.
- É nessas horas que eu não acredito na minha sorte. – falou sorrindo, enquanto se aproximava de mim, e tocava levemente meu rosto. – Às vezes preciso ter certeza de que isso é real. Quero dizer, há uma semana atrás tudo isso só parecia uma possibilidade.
Levei minha mão até a sua, e a segurei fortemente, tirando sua mão quente do meu rosto e segurando abaixo do meu queixo, a trazendo para mais perto de mim. Meu rosto formigava no local onde sua mão estava repousada há minutos antes. Encarei seus olhos e sorri da forma mais serena que podia.
- Esses dois meses serão ótimos.
Ela franziu o cenho, encarando a multidão ao redor e voltou os olhos para mim.
- Os quais passarão rápido. – murmurou com pesar.
- Por isso vamos aproveitar cada segundo, o que acha? – perguntei, a fazendo sorrir em seguida. – Fazer esses dois meses de vocês aqui em Londres valer a pena.
- Só de conhecê-los, faz tudo valer a pena. – seus olhos estavam marejados, e antes que eu pudesse dizer algo ela se aproximou de mim e me abraçou com força.
Senti uma corrente elétrica descer por minha espinha com aquele contato. Foi exatamente como na primeira vez na qual ela me abraçou. Todo meu mundo parou, meu único foco era ela. Seus cabelos e irresistivelmente cheirosos abaixo do meu queixo, suas mãos pequenas e finas segurando fortemente minha blusa, seu cheiro inebriante invadindo as minhas narinas, cada parte do seu corpo encaixada no meu, feitas sob medida para estarem ali, sempre ali.
Ela se afastou levemente, e me encarou sorrindo.
- Vamos dançar? – perguntei me animado e esfregando as mãos umas nas outras.
- Eu não...
- Sem desculpas. – eu a interrompi.
Sem me importar capturei sua mão quente e pequena, e a puxei em direção à pista de dança.

Louis’s POV

Apoiei meu queixo sobre as mãos, e analisei com cautela. Ela não havia dado nenhum sinal de movimento durante aqueles longos e angustiantes minutos que estávamos naquela pequena ala. A enfermeira já estava em seus pequenos aposentos, após injetar uma pequena quantidade de soro no qual disse que iria fazer com que a glicose no seu sangue se normalizasse e logo ela acordaria, não disposta, mas bem.
Suspirei entre os lábios, ouvindo a respiração calma e serena de . Não era possível ouvir o som que vinha da boate, o que deixava o ambiente mais triste e melancólico do que já era. Analisei seu rosto atentamente, segurando o ímpeto de tocar em sua face corada. Seus lábios rosados estavam entreabertos e seus olhos escondidos pelas pálpebras perfeitamente maquiadas, seus cabelos estavam espalhados pela maca, fazendo um emaranhado entre si.
Deitei minha cabeça ao seu lado, sentindo sua respiração suave tocar em meu rosto, e o leve odor de álcool sendo expulso pela sua respiração. Sem notar percebi que me aproximava de seu rosto com cautela, não sabia o que estava fazendo, eu agia por impulso, e pelo desespero. Eu queria sentir. Sentir seus lábios de encontro ao meu novamente. E foi nesse momento que meu celular vibrou em um dos meus bolsos.
Fechei meus olhos com força não acreditando na minha sorte. Eu podia sentir o calor que seus lábios me transmitiam, mesmo não tendo contato, e o quanto seu cheiro inebriante me envolvia, e foi com esses pensamentos na cabeça, que eu me afastei, e me sentei de forma ereta na poltrona, procurando pelo bolso meu celular. Toquei em sua estrutura fria e o retirei.
Era uma mensagem de Eleanor, e ela dizia apenas, “Louis?”. Não demorou muito e outra chegou, “Onde você está? Saiu com os meninos? Tentei ligar na sua casa, mas ninguém atendia. Quando chegar pode me ligar?”. Bloqueie a tela e voltei a coloca-lo no meu bolso. Não estava com vontade de responder, mesmo sabendo que deveria.
Suspirei pesado, apoiei minhas costas no encosto, e minha cabeça sobre as mãos e fiquei a encarar a figura inerte de . Por mais que eu soubesse que era o que eu deveria fazer, eu não conseguia. E talvez, eu nunca iria conseguir me manter longe daquela brasileira, que naquele momento estava desacordada e na qual, eu não sabia se ao acordar ela lembraria de tudo que havia acontecido.

’s POV

Respirei mais uma vez, tentando controlar minha respiração que já se tornava mais uma vez descompassada. Desviei meus olhos mais uma vez da sua figura pálida tentando em vão parecer não me importar. Mas na verdade eu me importava. Eu me importava com ele, ou mas verdadeiramente, eu me importava sobre o que ela achava de mim. Eu não era um pessoa com atrativos, eu não era bonita ao ponto de chamar atenção quando eu aparecia em algum lugar, eu era calada, fria, e parecia sempre meticulosa na forma de agir ou falar. Porque então Liam insistia em ficar perto de mim?
Afinal, ele era o Liam. Era simplesmente perfeito, tinha os olhos mais brilhantes que eu me lembro de ter visto, os cabelos sempre bem arrumados, os lábios num tom natural rosado, suas manchas de nascença ali em forma de charme, sua voz profunda e suave despertando minhas melhores emoções, seu sorriso tranquilo e sereno, seu perfume, seus gestos, suas manias. Cada coisa, juntas para formar um ser perfeito, um ser no qual era sempre gentil o máximo que conseguia, sempre disposto a conversar e ajudar, eu não falo sobre Liam Payne da One Direction, eu falo sobre Liam, apenas o Liam. O Liam no qual eu não sabia o que sentir a cada vez que meus pensamentos eram direcionados a ele.
Ajeitei minha pulseira em um ato impensado e voltei meus olhos para Liam, que sorria gentilmente para mim, enquanto petiscava algo daquelas mesas altas que estavam espalhadas pela boate. Ao lado da minha carteira, estava um pratinho no qual Liam comia algo.
- Eu não tinha visto isso. – falei abismada ao olhar com mais atenção para a mesa.
Ele riu pelo nariz, pegando com um palito seja lá o que fosse.
- O garçom acabou de deixar. – disse estendendo o palitinho. – Quer?
Aproximei-me lentamente da mesa e analisei o petisco, sem conseguir ver muita coisa, já que as luzes não permitiam tal analise.
- O que é? – perguntei sem me conter.
- É um tipo de doce. É para manter a taxa de glicose no sangue alta. – disse enquanto comia outra coisa daquela. – Você que está bebendo, seu corpo agradeceria por isso.
Olhei para o copo que segurava em uma das mãos e voltei meus olhos para Liam que sorria gentilmente.
- Mas...
- Ah, qual é ? – falou alto, rindo depois. – Coma isso comigo, não quero parecer um daqueles beberrões que não aguentam beber por muito tempo. – sussurrou se aproximando de um dos meus ouvidos, causando arrepios em toda a extensão da minha espinha.
Ri baixo tentando disfarçar meu espanto ao sentir os pelos da minha nuca se eriçar.
- Ok. – falei me rendendo ao seu sorriso e abandonando o copo sobre a mesa. – Só porque você insistiu muito.
- Eu? – ele falou em falso espanto. – Aposto que não resistiu aos meus charmes.
Peguei um daqueles petiscos e levei até a boca, tentando disfarçar minha expressão de vergonha que surgiu após sua fala.
Uma explosão de sabor surgiu em minha boca ao dar a primeira mordida naquilo. Era diferente de tudo que eu me lembro de ter provado, era um doce perfeito. Não sei se estava tão bom porque a taxa de álcool no meu sangue já estava em alta, ou porque aquilo era realmente bom. Voltei meus olhos para Liam, sorrindo.
- É realmente muito...
- Bom. – completou rindo depois.
Levei minha mão até outro daquele doce, e antes que eu pudesse pegar, Liam capturou meu pulso e o analisou com cautela. Senti meu corpo se retrair a aquele toque gentil, e aquelas mãos quentes. Mantive meus olhos em sua mão, sem acreditar que aquele toque era real.
- Você está com a pulseira. – comentou enquanto alisava o couro grosso com um dos dedos.
Voltei meus olhos rapidamente para ele, e o vi encarando a pulseira com intensidade.
- Ela é muito importante para mim. – respondi sendo sincera.
Ele levantou os olhos até mim, e sorriu, soltando minha mão em seguida, encostando levemente na mesa, me encarou de modo zombeteiro.
- E quanto a mim? – perguntou enquanto um sorriso brincava em seus lábios vermelhos.
Senti meu coração dando um solavanco, e minha respiração se tornando descompassada. Rezei mentalmente para ter entendido errado.
- Do que está falando Liam?
Ele riu para o chão e voltou os olhos para mim.
- O quanto sou importante para você?
Senti meu coração parar, assim como tudo que acontecia a minha volta. Eu queria correr e sumir para sempre. Que tipo de pergunta era aquela? Qual era seu fundamento? “O quanto sou importante para você?” Era uma pergunta que nem eu mesma faria a mim. Qual seria a resposta afinal? Quanto Liam era importante para mim?
Tentei sugar o ar para meus pulmões, mas parecia uma tarefa difícil, já que todo meu corpo conspirava contra mim. Tentei mover um dos meus pés, mas meu corpo estava congelado naquela posição. E eu não conseguia desviar meus olhos dele, de seu sorriso zombeteiro e de seus olhos que procuravam nos meus uma resposta sincera.
- E-eu... – gaguejei em meio ao desespero.
- Liam Payne! – ouvi alguém atrás de mim gritar com fervor, e senti todo meu corpo relaxando em seu próprio alivio.
Liam ainda me encarava enquanto aquela voz masculina estava sendo processada em meus ouvidos. Suspirei com alivio, e ele voltou os olhos para a figura atrás de mim.
- Ed Sheeran! – ele disse com a mesma animação.
Voltei meus olhos para trás, assustada de mais para fazer um movimento diferente daquele. Era Ed Sheeran ali. Na minha frente como se não houvesse nada mais normal do que encontrar o ruivo mais bonito que eu me lembrava de ter visto. Seus olhos verdes divagaram até mim, e eu tive que retrair um suspiro. Ele era... surreal. Parecia feito de cera. Sua pela clara, e suas feições finas, faziam um conjunto tão belo, que se levar em conta os cabelos ruivos, ele parecia uma obra de arte. Tudo bem, eu estou exagerando. Mas cara, tente ter a experiência de conhecer a One Direction e o Ed Sheeran em menos de duas semanas, aí sim você começa a julgar sua sorte.
- Essa é . – Liam disse me despertando dos meus pensamentos, me fazendo perceber que a conversa já havia rendido boas linhas, enquanto eu descrevia Ed.
- Ah. – arfei em meio a vergonha, sentindo meu rosto queimando. – Olá! – falei com simplicidade me sentindo uma idiota por isso. Era obvio que ele devia estar me achando uma imbecil.
- Oi . – falou rindo e estendendo uma das mãos. – Eu sou o Ed.
Olhei para sua mão, e não demorei muito para estender a minha, para darmos um aperto de mão. Sua mão era quente e macia, assim como eu imaginava que seria. Soltei sua mão com cautela, lembrando só então que Liam estava ali. Voltei meus olhos para ele, que analisava minhas atitudes com calma. Sorri levemente para ele, e dei um passo para o lado, fazendo uma roda.
- Então, quando acabou a turnê? – Ed perguntou enquanto bagunçava os cabelos.
- Sexta passada. – Liam respondeu, enquanto mordiscava um pedaço do petisco. – O ultimo show foi em Londres.
- Estou meio desinformado, com a gravação do novo CD, estou sem tempo de mexer no twitter. – disse rindo.
Liam gargalho e apontou o dedo para ele de modo despreocupado.
- Percebemos. Harry mandou para você uma DM para você ontem, para podermos nos encontrar aqui, mas você nem respondeu. – falou rindo depois. – Ele ficou chateado.
- É um gay mesmo. – brincou.
Ri baixinho, enquanto pensava em que provavelmente adoraria um comentário como aquele. Ed voltou os olhos para mim e sorriu levemente.
- Mas eu vim de qualquer maneira, mesmo não tendo visto a DM do Harry.
Liam concordou com a cabeça e voltou os olhos para mim, assim como o Ed fazia. Encolhi-me levemente, me sentindo desconfortável com aqueles olhares, franzi o cenho.
- Você não me parece estranha. – Ed comentou passando uma das mãos na nuca.
- Eu? – perguntei confusa divagando meus olhos entre Liam e Ed.
- É. Você é atriz ou alguma coisa assim?
Ri baixo, e passei uma das mãos no cabelo, ajeitando minha franja em seguida.
- Não. – falei rindo de lado.
Ele me olhou mais atentamente, soltando um muxoxo.
- Eu já te vi em algum lugar.
- Mas...
- Ela não é famosa. – Liam interrompeu, me fazendo desviar os olhos até ele. – Ela e as amigas estão aqui em viagem.
Ed voltou os olhos para mim e sorriu.
- Intercambio?
Desviei meus olhos até ele, e sorri serenamente.
- É, ganhamos do colégio. – falei com simplicidade.
- Puxa, meu colégio não me dava nada na época em que estudava. A única coisa que ganhei foi uma bala da diretora no dia do meu aniversario e só. – falou rindo depois. Ed era um cara engraçado. Falava rápido e tinha o sotaque forte. – Alias, você é de onde? Você é muito bonita.
Senti meu rosto queimar em vergonha.
- Eu sou...
- ED! – Liam gritou, e voltamos nossos olhos com rapidez para ele. – Porque não vai procurar Harry? – perguntou como quem não quer nada.
Voltei meus olhos para Ed, totalmente confusa naquela situação.
- Ahñ?
- É, Ed, porque não vai procurar Harry? – repetiu mais convicto dessa vez, me fazendo desviar os olhos até ele, que rapidamente me encarou. Percebi naquele momento que eu havia perdido alguma mensagem subliminar naquela conversa.
- Ah sim! – Ed falou como se fosse obvio. – Vou procura-lo.
Franzi meu cenho para Liam e encarei Ed.
- Ed será que podia me fazer um favor? – perguntei inocentemente.
- O quê?
- Se encontrar uma amiga minha, diga para vir até mim.
- Quem é? – Liam perguntou.
- É a . – falei sem desviar meus olhos dele. – Eu a deixei sozinha, e deixa-la sozinha com um copo de bebida na mão, não é uma boa ideia.
- E como eu vou achar ela? – perguntou meio desesperado. – Eu nunca a vi.
- Provavelmente ela está com Harry. – Liam disse antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa.
Vi Ed se afastar e voltei meus olhos para Liam de modo confuso. Não por ele deduzir que Harry estava com , mas por ter agido tão estranhamente de uma hora para outra. Eu sabia que Liam desconfiava porque eu o encarava daquela forma. Ele voltou os olhos para o chão e passou uma das mãos na nuca. Voltou os olhos para mim, e mordeu o lábio. Ignorei aquele fato e perguntei o que me incomodava:
- Porque tratou Ed daquela forma? – perguntei serenamente, por mais que o fato me incomodasse eu não tinha o direito de ficar brava com ele por causa disso.
- Que forma?
- Porque dispensou ele? – tentei ser direta.
- H-harry queria falar com ele hoje mais cedo. – gaguejou – Eu sei que ao ver Ed ele se animaria.
O encarei com mais intensidade, e ele desviou os olhos até os petiscos sobre a mesa e pegou um. Eu não tinha exata certeza, mas eu desconfia. Desconfiava com todas as minhas forças de que Liam Payne estava com ciúme.

Harry’s POV

Acenei levemente com uma das mãos já me cansando daquele ato. Bufei de lado e parei em meio à multidão, enquanto analisava a redondeza. Vi alguns conhecidos passarem e acenei mais uma vez com uma das mãos. Virei o resto da bebida, sentindo a bebida queimando minha garganta e coloquei sobre a bandeja de um garçom que passava. Joguei a cabeça para trás, balançando meus cabelos de modo despreocupado, fechei os olhos e me deixei levar pela musica que tocava. Balancei minha cabeça de um lado para o outro no ritmo da musica, sentindo cada extensão do meu corpo se movendo com leveza. Respirei fundo e senti como se meu corpo tivesse sido levado daquele lugar.
Mexi-me de maneira desconfortável ao perceber os primeiros sinais do meu pensamento. Tentei me livrar daquelas imagens, mas a cada momento aquilo se tornava mais vívido. Balancei a cabeça em desespero e me vi mais uma vez em meu quarto. Então eu a vi, ali na minha frente. Todos meus pensamentos voltados a ela, todos meus atos dirigidos a ela. Nos beijávamos fervorosamente minutos depois, necessitados daquilo como se dependêssemos daquele contato para viver. Na era um sonho, era um retorno. Um retorno ao passado. Ao nosso primeiro beijo.
Cada toque. Cada palavra não dita, suspensa no ar. Cada movimento parecia acontecer em câmera lenta em minha cabeça, tornando aquele momento mais angustiante para mim. Nos afastamos, olhamo-nos de modo confuso. Todo meu corpo se agitava em nervoso, eu necessitava daquilo. Não de um beijo, mas sim dela.
Abri os olhos de modo repentino. Não era a primeira vez que me pegava pensando naquilo, e revivendo a todo o momento. Sentindo exatamente o que eu havia sentindo ao tocar nossos lábios na primeira vez, e eu me perguntava, será que seria tudo igual se nos beijássemos de novo?
Girei meu corpo de modo rápido e sem que eu passasse tempo de mais a procurando, eu a vi. Encostada no bar enquanto bebia uma bebida qualquer. Seus olhos foram direcionado a mim, no verde. Senti cada poro do meu corpo se abrindo e fechando lentamente, uma corrente elétrica descendo pela minha espinha, o nó na garganta. Fechei as mãos lentamente. Gelada. Respiração acelerada. Então seus olhos foram desviados de mim. Vi sua figura se virando lentamente em direção ao bar. Cada movimento de seu corpo captado em alguns poucos segundos.
As luzes daquela boate se agitavam conforme a musica, mas mesmo assim consegui ver quando ela voltou na sua posição inicial, com outro copo de bebida. Suspirei pesado. Eu não conseguia enganar nem a mim mesmo. Afinal, há quanto tempo eu podia continuar escondendo a atração que sentia por ela? Eu não era o tipo de cara que escondia algum tipo de atração, não importa qual ela seja. Eu geralmente agia por impulso, sem me preocupar ao que isso me levaria. Mas com ela... com ela eu não conseguia agir certo. Eu não conseguia ser eu mesmo. Eu não queria parecer bobo perto dela, por isso eu sempre tinha uma resposta na ponta da língua. Na verdade, eu não gostava do quanto ela se equiparava comigo, como sabia dar respostar rápidas, do quanto era sedutora mesmo inocentemente...
Sem notar, percebi que eu me aproximava dela lentamente, sem me importar com quantas pessoas eu havia que me desviar no caminho. Vi ela tornar os olhos para a bebida e sorrir levemente, e sem meu consentimento eu sorri com aquele gesto singelo dela. E antes que eu pudesse dar mais um passo em sua direção, mesmo sem saber o que faria ao chegar lá, eu fui distraído por um toque rude em um dos meus braços.
Virei-me com rapidez na direção do pequeno soco e encontrei um par de olhos verdes, que como ele sempre dizia “no inverno eles se tornam cinzas”. Sorri na direção dele, e ele fez o mesmo, se aproximando e me abraçando rápida e rudemente.
- E aí? – perguntou sorrindo e bagunçando os cabelos.
Coloquei as mãos no bolso da frente da calça e balancei sobre meus pés.
- Você sumiu cara. – falei rindo depois
- Ah claro, sou eu que faço uma turnê de não sei quantos meses e nem procura saber como está o amigo aqui.
- Isso soou meio gay, Ed. – falei rindo da expressão séria que ele fez.
- É você e Louis que agem como se fossem namorados, não eu.
- Falando assim parece que você tem ciúme.
- Ha Ha Ha. – riu irônico, depois sorriu zombeteiro. – Somos amigos cara, pensei que pelo menos tinha um pouco de consideração, sabe?
- Como um amigo meu dizia: “You need me, man, I don't need you”.
Ed gargalhou me dando um soco no ombro logo depois.
- Idiota.
Desviei meus olhos dele por alguns segundos, voltando a encarar que ainda estava encostada no bar bebericando sua bebida, mas eu podia ver seu desconforto, enquanto levantava levemente a cabeça em minha direção. Sorri levemente e voltei meus olhos para Ed.
- Enfim, estou procurando alguém, e eu acho que você conhece. – disse olhando ao redor.
- Quem? – perguntei inocentemente.
- Uma tal de , amiga da que está com Liam.
Meu coração disparou como um avião pegando velocidade para decolar. O que ele queria com ? E pior, como ele sabia dela? Respirei pesado e o encarei.
- O quê? – perguntei confuso, sem saber na verdade o que eu falava.
- É cara. . Conhece?
- S-sim. – gaguejei levemente e voltei meus olhos para o lugar onde ela estava. – Ela está logo ali no bar.
Ed desviou os olhos até o bar, e ficou a encarar por um tempo. Aquele ato me deixou nos nervos. Cada parte do meu corpo agia desconfortavelmente a aquele ato. Suspirei pesado, tentando fazer alto suficiente para que ele ouvisse. Ed desviou olhos até mim sorrindo.
- Ela é muito bonita cara.
- O quê? – perguntei desesperado.
Ed riu baixo.
- É, ela é bonita. – disse voltando os olhos rapidamente para ela.
- Você acha? – perguntei fazendo pouco caso.
- Sim, porque? – ele voltou os olhos até mim, com uma das sobrancelhas erguida. - Você não?
Desviei meus olhos até ela, e a analisei atentamente. Seu vestido vermelho que resaltando cada curva de seu corpo corado, seus olhos resaltados pela maquiagem escura que usava, os lábios vermelhos levemente abertos, seus cabelos soltos, presos somente na franja onde formava uma topete bem arrumado. Seu jeito nervoso de agir, a simplicidade que tinha ao dizer algo, o modo no qual cantava e parecia se desligar do mundo, a maneira que agia ao estar próxima a mim, o modo como franzia a testa ao pensar em algo, o jeito como arqueava uma das sobrancelhas em modo de deboche. Engoli seco, constatando assim a verdade. Ela era simplesmente linda. Suspirei pesado e voltei meus olhos para Ed.
- Não, eu não a acho bonita. – falei tentando parecer o mais convicto que conseguia.
Ed abriu um pouco os olhos me encarando assustado. Sorri levemente tentando fazer aquilo soar verdadeiramente, e passei uma das mãos no cabelo. Respirei fundo e voltei meus olhos para Ed, que se virava levemente e fazia sinal para que eu o seguisse até ela, sem saber na verdade porque ele a procurava. Levantei meus olhos em sua direção, e a vi bebericar a sua bebida e sorrir levemente para o copo.
- Você é realmente louco. – Ed disse alto enquanto andava na minha frente.
Abaixei meus olhos para o chão e mordi levemente o lábio. É eu era louco, porque nem eu mesmo sabia dizer o que se passava comigo quando se dizia em relação a .

’s POV

Escorei no bar, enquanto bebericava uma bebida qualquer e escutava a musica que gostava muito. Tiranium, Tifanium, Timtinum... sei lá, eu estava distraída de mais para me lembrar o nome daquela musica. Eu estava atenta de mais, vigilante de mais. Eu estava ali, simplesmente bebendo e observando Harry cumprimentando algumas garotas ao longe. Uma loira, outra morena, outra ruiva... Todas bonitas. Não que ligasse. Não que eu tivesse motivos para ligar. Mas... mas... Ele dava moral de mais, ele era chamativo de mais.
Afinal ele era apenas o Harry Styles. Minha mãe como sempre diria: Grandes bostas. Mas cara, era o Harry Styles. Não que ele fosse um Deus Grego da beleza, ou o Deus Grego da musica, ou qualquer Deus Grego por aí, mas ele sabia ser chamativo, ele é bonito, tem um sorriso maravilhoso, com lindas covinhas para completar, tinha aquele cabelo cacheado de corte esquisito, aqueles olhos que ora pareciam verdes, ora azul-esverdeado, aquela mania de passar um das mãos nos cabelos, como se aquilo fosse ajudar muito ‘naquele ninho de pássaros’ - como Louis disse, certa vez. -, Harry era aquele tipo de menino que você vê na rua e já se imagina namorando, casando e tendo filhos. Faz a lista completa na cabeça, de como deve ser carinhoso, como deve ser romântico, como deve ser bom de cama e etc. Harry era esse tipo de garoto. Resumindo: Harry é viciante, ele tinha o dom de fazê-la cair sobre seus pés e não dar a mínima para isso.
Bufei de lado colocando o copo sobre o balcão. Não culpava por ter dito que ia procurar Liam, ou qualquer uma das garotas, já que desde quando chegamos ali eu não conseguia desviar meus olhos de Harry, não conseguia nem ao menos dizer algo que fizesse o mínimo de sentido.
Desviei meus olhos de Harry em uma tentativa fula de tentar não parecer obcecada e procurei por e Louis naquele amontoado de pessoas. Logo encontrei os dois dançando em meio a galera, enquanto Louis segurava fortemente sua cintura. Sorri ao vê-la animada, e tornei meus olhos procurando por meus outros amigos. Encontrei Zayn e sentados em uma daquelas áreas VIPs conversando a animadamente e bebendo seus drinques em um ato social. Não demorou muito para identificar e Niall dançando animados em um outro canto. Ri pelo nariz vendo Niall improvisando uma dança qualquer, junto com que logo pegou o jeito. E por ultimo procurei por e Liam, mas foi uma missão impossível, levando em conta que a boate estava lotada, e eu havia visto ela se afastar para o lado contrario.
Desviei meus olhos mais uma vez para Harry, e fiquei a observar seus movimentos com cautela, quando que como por ironia do destino eu o vi me encarando. Por mais distante que ele pudesse estar, eu sentia todo meu corpo se aquecendo ao receber aqueles olhos verdes sobre mim, e podia sentir também toda a bebida que eu havia ingerido, pedindo para voltar. Respirei fundo, e contei até três antes de desviar meus olhos. Encarei o barman e pedi por outra bebida, não demorou muito e ele a colocou sobre o balcão. Balancei o copo com leveza e beberiquei, me virando em seguida para a minha posição inicial. Assustei-me ao constatar que Harry ainda me encarava, e ele não parecia querer disfarçar aquilo. Abaixei meus olhos para o copo, me sentindo uma idiota ao sentir o pequeno sorriso que se formava em meus lábios.
Levantei meus olhos para Harry e vi que ele se aproximava lentamente e vacilante, batendo os ombros no aglomerado de pessoas que se formava entre nós. Pareciam aquelas cenas de filme, onde havia milhares de pessoas e o único foco era ele. Como se houvesse um holofote sobre ele, o guiando até mim. Senti minhas mãos tremendo levemente, uma atitude que não combinava comigo, levando em conta que o assunto fosse garotos. Harry não sorria, mas eu podia ver em seus olhos um brilho diferente. Sorri para o chão ao imaginar que talvez Harry tivesse mudado, que ele não se culpava mais por aquele beijo imprevisto, que talvez ele quisesse mais, e pedisse desculpas pelas coisas que havia me dito. Mas toda minha esperança de esvaiu quando o vi parando de súbito e virando o rosto em direção a uma pessoa que conversava com ele.
Estiquei meu pescoço para tentar identificar a pessoa que havia interrompido o percurso de Harry até mim, mas nada consegui ver. Irritei-me com aquilo, com aquela pessoa. Talvez, finalmente, Harry viria dizer algo como uma pessoa civilizada, conversaríamos normalmente, sem nenhuma alfinetada ou algo do tipo. Apertei os olhos em uma tentativa fula de tentar ver com quem ele conversava, quando vi Harry apontando para mim descaradamente. Sorri levemente com aquilo. Talvez ele estivesse mostrando para alguém com quem ele estava vindo conversar ou talvez, quem era aquela garota legal e bonita – sou humilde – que ele havia sido flagrado conversando em Richmond.
Sorri levemente e bebi mais um gole da bebida, quando percebi que Harry se aproximava de mim novamente, mas dessa vez alguém o seguia. Tentei ver quem era, mas eu não conseguia tirar meus olhos dos dele, que pareciam tão fixados em mim, assim como eu fazia com ele. Seus cabelos castanhos cacheados balançavam levemente a cada pequeno movimento que ele fazia. O vi tornar os olhos para trás mantendo uma conversa calorosa com a pessoa que insistia em segui-lo.
Balancei a cabeça levemente, sentindo todo meu corpo sair de um transe e um cansaço anormal invadir meu interior. De repente eu fiquei com preguiça. Preguiça de conversar com Harry e ouvir mais uma de suas muitas provocações sobre mim, meu jeito, nosso beijo, como eu sou isso e aquilo. Bufei de lado e voltei meu corpo para o balcão, apoiando os cotovelos sobre a bancada fria, e abandonando a bebida que já me enjoava junto com muitos outros copos vazios. Abaixei meus olhos e apoiei a cabeça sobre as mãos, era um ato inútil, e muito tolo de minha parte, mas ao imaginar qual seria o assunto no qual Harry queria tratar comigo me trazia ânsias. Engoli seco, sentindo o nó que começava a se formar em minha garganta.
- . – sua voz soava alta e clara para mim. Mesmo em meio aquele barulho, eu podia escutar perfeitamente seu acento britânico e sua voz rouca.
Girei meu corpo em sua direção sem entusiasmo, quando que na verdade meu coração disparava na velocidade em que um arqueiro atirava suas flechas ao mirar um alvo em movimento.
- Harry. – respondi com a voz falha, percebendo só então a sua proximidade.
Vi seus olhos divagarem por meu rosto cuidadosamente. Tentei desviar, mas algo me impedia, algo que falava mais alto que meu racional naquele momento. Eu desejava intensamente descobrir. Descobri o que me fazia tornar tão vulnerável em sua presença, o que fazia com que minhas mãos suassem, e minhas pernas bambearem. O que fazia minha garganta se tornar seca e palavras serem difíceis de serem pronunciadas.
- Então... – ouvi alguem dizer atrás de Harry, e só então notei quem o estava seguindo durante esse tempo.
- E-ed Sheeran? – gaguejei sem conter minha emoção.
- Exatamente – respondeu sorrindo, imitando meu tom de voz assustado -, e você é a .
Ed deu um passo a frente se revelando por completo, mostrando, afinal, que seu cabelo era tão ruivo quanto aparentava em fotos e vídeos. Ele sorria timidamente, estendendo uma de suas mãos em minha direção. Sorri em resposta, inconscientemente, talvez. Era o Ed. E só isso que se passava em minha mente naquele momento estranho e emocionante. Ele só era o cara que eu desejava conhecer tanto quanto eu desejava conhecer a One Direction quando eu viesse para Londres, e eu ainda não acreditava na minha sorte. Se já não bastava os meninos, agora tem o Ed.
O vi estender a mão em minha direção esperando para que eu a segurasse e o cumprimentasse. Sorri pela sua atitude gentil, e antes que ele pudesse piscar mais uma vez, eu empurrei sua mão levemente e o abracei da melhor forma que eu consegui naquele momento. Senti seus músculos enrijecerem em meus braços, provavelmente ele havia se assustado com minha atitude imprevista. Logo ele relaxou e retribuiu o abraço com a mesma intensidade. Ri baixinho, e escutei logo depois sua gargalhada animada em minhas costas. Seus braços desprenderam de minha cintura, e me afastei lentamente, sentindo meu rosto queimar em timidez.
- Desculpe, eu-
- Não se preocupe – disse, fazendo um gesto de desprezo com as mãos. –, estou acostumado com o assédio de fãs.
Ri baixo.
- Mesmo assim, desculpe.
- Tudo bem.
Ele sorriu para mim e eu fiz o mesmo. O analisei atentamente enquanto agradecia pela minha incrível sorte. Ed mantinha as mãos no bolso da frente da calça, e balançava levemente o corpo no ritmo da musica. Subi meus olhos até seu rosto e me mantive por ali. Ed tinha traços delicados, que combinavam perfeitamente com seus cabelos ruivos e seus olhos claros. Sua pele era tão pálida que quase não havia notas de cor, fazendo com que seus lábios avermelhados se destacassem até mais que seus cabelos alaranjados.
- Caramba. – murmurei.
- O que? – perguntou.
- Não acredito na minha sorte.
Ele riu para o chão e voltou os olhos para mim.
- Você não é daqui é?
- Não, sou brasileira. – respondi rapidamente.
Seus olhos se arregalaram um pouco, logo depois ele os estreitou e me analisou zombeteiro.
- Você...
- E aí? – Harry se pronunciou, interrompendo a fala de Ed. Voltei meus olhos para ele, me sentindo repentinamente irritada. – Vão ficar de blá, blá, blá, ou vão chegar no assunto que interessa?
- Que assunto? – perguntei rudemente.
Harry revirou os olhos, puxando a manga do casaco até o cotovelo.
- Será que eu tenho que explicar tudo? – murmurou, enquanto olhava para cima.
- Se eu tivesse uma bola de cristal talvez não fosse necessário.
Ed gargalhou ao meu lado, me fazendo voltar meus olhos para ele. Ele ria incontrolavelmente enquanto divagava os olhos entre mim e Harry. Ri baixo me divertindo com sua risada escandalosa, e ao mesmo tempo contagiante.
- Qual é o seu problema? – Harry perguntou rindo levemente.
- É sempre assim? – perguntou apontando para mim e Harry, normalizando aos poucos sua risada.
Harry me encarou sério, e eu logo tratei de desviar os olhos dele, voltando em seguida a encarar Ed.
- Pior – respondi. -, mas hoje Harry parece estar até de bom humor, porque normalmente ele...
- Nem começa. – rebateu.
- Começar com o que garoto? – me voltei rapidamente para ele, aproximando levemente de sua figura pálida.
- Com essa historia de cara de poucos amigos e sei lá mais o que.
- Mas essa é a cara que você normalmente carrega no semblante. – rebati raivosa.
- Ah é mesmo? – perguntou irônico.
- É sim.
- Então não vou nem dizer sobre sua cara de choro.
Voltei alguns passos para trás, me sentindo atingida por algo. Senti meu sangue esquentar aos poucos, e meu corpo tremer em nervosismo. Harry era tão... tão... idiota.
- Ahn. – Ed se pronunciou em meio a discussão.
- Se sentiu ofendida, Srt. Tenho-Resposta-Para-Tudo? – perguntou rindo.
Ri debochada, passando uma das mãos nos cabelos. Harry sorria divinamente, se sentindo provavelmente o máximo, por ter achado que havia me desarmado.
- Não mesmo, Sr. Pego-Todas-E-Depois-Meto-O-Pé.
O fato era, Harry era muito mais esperto do que eu imaginava, em meio de uma discussão ele sabia tocar exatamente naquela ferida. Fechei os olhos levemente tentando fazer com que aquela raiva se dissipasse, mas foi tudo em vão, quando escutei sua voz chegando aos meus ouvidos de forma ameaçadora.
- Você não...
- CHEGA! – Ed gritou, se colocando entre nós. – Nossa! – murmurou enquanto passava uma das mãos na testa. – Vocês são terríveis.
Abri os olhos vagarosamente percebendo então que Harry se mantinha mais próximo de mim, mesmo com Ed posto entre nós de forma defensiva. Revirei os olhos, e encarei Harry da forma mais ameaçadora que consegui naquele momento.
- Por Deus, pensei que um ia cair matando em cima do outro. – continuou. – Parece até que já namoraram, e agora se odeiam.
Engoli seco, sentindo um nó se formar em minha garganta. Será que Harry já tinha dado com a língua nos dentes sobre o nosso beijo? Voltamos nossos olhos com rapidez para Ed.
- O que quer dizer com isso? – Harry perguntou com rapidez.
- Eu não sei do que está falando. – comentei assustada.
- Eu e ela não temos nada, e nunca tivemos.
- Exatamente. Nunca. Não temos. – concordei com Harry, enquanto trocávamos olhares sigilosos.
- O que deu em vocês? – Ed perguntou rindo animado. – Vocês se parecem mais do que imaginava.
- Não, não diga algo tão absurdo. – Harry respondeu colocando as mãos no peito.
- Não me compare com um trambolho desse. – apontei com nojo para a figura pálida de Harry.
- Parem. – Ed pediu. – Parem. Cruzes, acabei de conhecer a e já tenho de separá-la de brigas. – ri baixo, ele fez o mesmo para mim. – E quanto a você Harry – continuou voltando os olhos para um irritado Harry. -, eu te conheço a anos, e conheço seu temperamento explosivo. Então relaxa um pouco, não estou em idade pra cuidar de crianças.
Cruzei os braços debaixo dos seios e desviei meus olhos para as pessoas ao nosso redor. Ninguem parecia notar o que acontecia ali. Afinal, nem mesmo eu sabia explicar o que acontecia ali. O que acontecia entre eu e Harry. Ao mesmo tempo que estávamos conversando normalmente, logo depois estávamos brigando.
Voltei meus olhos para Harry, e vi que ele me encarava. Ed afastou alguns passos para trás, saindo do meio de nós, me dando uma melhor visão do jovem astro. Seus olhos verdes brilhavam intensamente, talvez fosse a luz, ou o nervosismo recente. Suspirei entre os lábios, voltando meus olhos para o chão entre meus pés.
- Eu...
Levantei meus olhos em sua direção em um ato reflexo, esperando a continuação de sua frase. Mas foi quando eu levantei meus olhos eu vi porque ele não havia terminado de dizer.
- Harry. – sua voz soou mais alta do que deveria. Senti todo meu sangue congelar, e minha respiração se perder. Era ela ali. Caroline estava ali, puxando Harry pela cintura dando um abraço sensual em seu ‘namorado’.
- Caroline. – murmurou, mas foi o suficiente para eu poder escutar.
- Senti sua falta. – ela disse, enquanto apoiava a cabeça entre a curva do seu pescoço.
- Eu também. – ele respondeu, afagando seus cabelos.
- Fiquei sem saber que dia que havia acabado a turnê. – disse levantando a cabeça e o encarando. – Obrigada por ter ligado avisando que estaria aqui.
- Eu queria te ver. – ele sussurrou, sorrindo levemente.
Senti meu estômago revirar, e um gosto acido subir em minha boca.
- Vamos conversar mais pra lá. - Caroline sussurrou nos ouvidos de Harry, o puxando sem seguida por uma das mãos.
Harry sorriu para ela, e voltou os olhos para nós, seguindo caminho com Caroline que havia ignorado totalmente a minha presença e a de Ed.
Ficamos em um curto silencio. Voltei meus olhos para Ed que mexia em algo no celular, suspirei entre os lábios e tornei meus olhos na direção em que Harry havia ido com Caroline. Vi seus cabelos castanhos cacheados sumindo entre a multidão de pessoas dançantes.
- Então... – Ed disse zombeteiro, me tirando de meus devaneios.
- Então, qual era o assunto que importa? – perguntei sorrindo.
- Ah, sim. Bem, a aquele sua amiga... Esqueci o nome dela já. – ele disse passando uma das mãos nos cabelos. – Depois dessa confusão sua com Harry, eu esqueci tudo.
Ri pelo nariz.
- Essa amiga, ela está com quem? – perguntei.
- Liam.
- Ah, deve ser a . – falei sorrindo.
- Exatamente. – respondeu. – Ela está chamando você.
Ri baixo, imaginando há quanto tempo eu fiz esperar por mim. Ela não devia estar nada contente com isso... mas pensando por outro lado, ela estava com Liam. Talvez esperar, não fosse uma tarefa tão difícil.
- Vamos lá. – Ed me chamou, seguindo até um dos cantos daquela boate lotada.
- Um minuto eu quero uma bebida. – eu disse sorrindo meigamente.
Ed riu, e apontou até o bar. Eu sorri em resposta e fiz um gesto para que ele esperasse.
Segui até o bar, e escorei no balcão.
- Me prepare uma bebida – eu disse para o barman, ele me olhou estranhamente, e balançou a cabeça positivamente.
Suspirei entre os lábios e desviei meus olhos até o caminho em que Harry havia seguido, encontrando com os olhos ele abraçado com Caroline.
- Bem forte – pedi ao barman, que voltou os olhos para mim. - A noite vai ser longa.
Não demorou muito para ele me entregar a bebida. Bebi um gole sentindo o álcool queimando minha garganta. Respirei fundo antes de dar o primeiro passo na direção do Ed. Segui cuidadosamente atrás dele, e antes que eu pudesse perder de vista, voltei meus olhos mais uma vez para Harry, que dessa vez beijava fervorosamente sua ‘namorada’.

’s POV
Virei o resto da bebida que tinha no copo, não sentindo mais nada ao completar aquele ato. Ri sem entender por que fazia, deixei o copo sobre o balcão e me aproximei vacilante de Zayn, que também ria sem motivo algum aparente. Sentei-me ao seu lado, e apoiei minha cabeça em seu ombro.
- Nu, as horas passaram voando. – comentei enquanto tentava ver as horas em meu relógio de pulso.
- Há quanto tempo estamos aqui? – perguntou, juntando sua cabeça a minha para analisar o relógio junto comigo.
- Há uma hora e alguns minutos. – eu disse, levantando minha cabeça com rapidez e me chocando com a cabeça de Zayn.
Ela não emitiu som nenhum, apenas pegou impulso e deitou o corpo sobre meu colo, enquanto colocava uma das mãos no local onde eu havia batido minha cabeça. Sua expressão era de pura dor.
- Desculpa. Desculpa. Desculpa. Desculpa. – me apressei em dizer, abaixando meu rosto em sua direção. – Me desculpe? – perguntei baixinho.
Ele riu zombeteiro e virou o rosto em direção a minha barriga a mordendo levemente em seguida. Paralisei com seu ato, e fiquei a encarar sua expressão maliciosa com o cenho franzido. Porque ele havia feito aquilo? Não era um ato comum, e alias era algo muito, como se diz... intimo. Eu não podia dizer que odiei aquele ato, porque eu havia gostado alias. Gostado da sensação que me foi transmitida, eu apenas achei estranho ele fazer algo daquele tipo.
- Porque fez isso? – indaguei indignada.
- Fiz o quê? – ele ainda se levantado do meu colo.
- Mordeu minha barriga. – respondi pausadamente.
- Estava com vontade.
- E por isso você acha que é certo sair por aí, mordendo a barriga das pessoas?
- Não. – respondeu baixo, fazendo uma expressão triste.
Ele manteve aquela expressão por um tempo. Fiquei o encarando, e sem que eu pudesse evitar eu sorri. Zayn era simplesmente perfeito, não tinha como dizer o contrario. Ele tinha olhos maravilhosos, um sorriso infalível, um charme irresistível, uma voz suave. Zayn sabia como atrair uma mulher, e ele não precisava fazer muito esforço para isso. Ri baixo e me aproximei de seu rosto, mordendo em seguida seu nariz.
- Ei, porque fez isso? – perguntou, coçando o nariz.
- Estava com vontade. – rebati.
- Tuchê.
Ele saiu do meu colo e voltou a ficar sentado na sua posição inicial. Ficamos ali parados apenas ouvindo a musica que tocava sem falar nada durante um tempo, o nosso único contato era o atrito entre nossos braços, que deixava aquela região, diferente do resto do meu corpo, com um calor deliciosamente confortável.
Logo percebi que ele se mexia agitadamente, voltei meus olhos para ele, e o vi levando um cigarro até os lábios. Procurei por uma placa que dizia que era proibido fumar, mas pelo contrario achei uma que dizia que aquele era o único local na boate na qual era permitido esse ato. Apertei minhas mãos sobre o colo, e voltei meus olhos para Zayn, que já acendia o cigarro com um isqueiro. Eu sabia o que fazer.
- Eu quero experimentar. – falei convicta.
Zayn voltou os olhos para mim com rapidez, os arregalando levemente.
- O quê? – perguntou.
- Eu quero experimentar o cigarro. – repeti dessa vez pausadamente para que ele entendesse.
- Por quê?
- Porque eu quero, oras.
- Não. – respondeu sério, voltando os olhos para frente e continuando seu ato grotesco de fumar.
Fiquei o encarando sentindo a raiva aumentar em meu animo.
- Por que você pode e eu não?
Ele voltou os olhos para mim e ficou a me encarar. Ele não tinha respostas. Eu havia escolhido as palavras certas. Eu não gostava de ver ninguém fumando, e ver Zayn fazer aquilo me incomodava profundamente, me dava vontade de bater nele até não poder mais.
- Porque... – pensou por alguns segundos – fumar não faz bem.
Balancei a cabeça positivamente.
- Então por que faz?
- Porque eu sou idiota. – admitiu sem pensar por demais, olhando para o cigarro e voltando os olhos para mim.
Eu puxei aquilo de sua mão com leveza, evitando queimar minha mão. Desviei meus olhos do seu rosto, eu não queria ver sua expressão. Levantei-me com rapidez e segui até o lixo onde jogava os cigarros, o apaguei e joguei fora. Esfreguei uma mão na outra e voltei para onde Zayn estava, ainda me encarando assustado demais para dizer algo. Peguei em sua mão e o puxei para cima, que não se hesitou em fazê-lo.
- Você é idiota porquê quer Zayn. – eu disse o olhando nos olhos. – Você é maravilhoso em todas as formas, e ver você fazendo algo tão grotesco quanto isso me incomoda. Não quero ve-lo fazendo algo assim, você pode até fazer, mas não me deixe ver.
Ele ainda me encarava sem acreditar nas minhas palavras. Eu sorri para ele, e o puxei em direção a saída daquela área VIP.
- Vamos dançar. – gritei, me virando para trás e vendo o sorri bobo que ele carregava nos lábios.
- Obrigado. – ele sussurrou se aproximando dos meus ouvidos e passando os braços pela minha cintura.
Girei em sua direção, nossos corpos colados, nossas respirações cruzadas, os olhares interligados.
- Obrigado. – repetiu sorrindo mais abertamente.
Nada respondi, apenas saí do conforto do seu abraço e segui até a pista lotada. Ele não tinha que agradecer, porque era o certo. E eu desejava o melhor para ele.

’s POV

Revirei meus olhos mais uma vez ao ouvir a conversa entediante entre e Ed. Quem em sã consciência vinha para uma boate para falar de livros? Não que eu achasse o ato de ler ridículo, muito pelo contrario, eu achava muito lindo e educativo. Mas boates não era local para isso. Boates era local para dançar, beber e esquecer tudo. Muito me admira que Liam tenha arrumado um jeito de sair, seja lá pra onde precisava ir.
Bufei de lado, e vi Ed gesticular rapidamente com uma das mãos. Virei o resto da bebida no copo, sentindo a tontura me invadir. Eu já estava fora do mim, o que justificava o fato de não estar reclamando com por estar ali. Afinal, porque ela me chamara? Era tão obvio quanto um mais um. Se ela não tivesse me chamado, o Ed não ia procurar por mim, e ele não atrapalharia Harry na sua trajetória de vir falar comigo, era simples, obvio, fato consumado.
- Sabe aquele livro...? – escutei a voz do Ed e logo me desliguei daquela conversa de novo.
Desviei meus olhos até um canto daquela boate e vi uma cena muito engraçada por sinal. Zayn e conversavam com Harry e Caroline de modo agitado. Ri com aquilo, imaginando que talvez, também estava fora de si, assim como eu. Dei uma leve conferida no meu cabelo e desviei meus olhos daquela cena.
Harry e Caroline. Afinal, o que era aquilo? Ele não havia dito que eles não estavam mais juntos? Não havia mais nada? Boatos, Boatos, e Boatos? Então porque ao vê-la, ele veio com aquela de ‘estava com saudades’ e sei lá mais o que?
Afinal, de que isso me importava? Nós não tínhamos nada, e nem nunca tivemos, como ele mesmo disse ao Ed. Eu não devia ligar pra nada disso. Quem ele beijava, comia, ou seja lá o que fazia era problema dele.
Voltei meus olhos para Ed e .
- Preciso ir ao banheiro. – me pronunciei fazendo os dois desviarem os olhos para mim.
- Precisa mesmo...?
- Preciso. – interrompi , sabendo o quanto era protetora.
- Cuidado. – disse enquanto eu me afastava lentamente.
- Eu sei me cuidar. – gritei em resposta fazendo um gesto de desprezo com as mãos, enquanto eu me infiltrava em meio a multidão.

’s POV

Balancei minha cabeça para trás sentindo todo meu corpo mover conforme a musica. Meus ouvidos não conseguiam identifica-la, mas eu me movia no seu ritmo mesmo assim. Vi Zayn dançar desajeitadamente na minha frente, comprovando que toda aquela história de não saber dançar era verdade. Ri baixo e girei meu corpo, ficando de costas para ele.
- Pare de dançar assim. – escutei sua voz próxima aos meus ouvidos, me causando arrepios distintos.
- Assim como? – perguntei ainda sem me virar.
- Sensualmente. – sua voz se tornou baixa e calorosa.
Virei-me o encarando séria, e bati em seu peito com força. Ele se afastou de mim rindo. Estreitei os olhos e continuei batendo em seu peitoral forte, sem medir a minha força, ele ria alto e não consegui evitar, comecei a rir junto a ele. Quando me preparei para dar um soco mais forte ele segurou minhas mãos e colocou ao redor da sua cintura. Seus olhos castanhos me analisavam atentamente.
- Eu gosto – falou por fim, me abraçando. -, mas eu fico com ciúme.
Ri de sua fala e apoiei meu queixo em seus ombros. Então ele começo um movimento calmo e lente me puxando levemente junto ao seu corpo, me fazendo seguir seu passos d euma dança clássica. Diferente da sua dança individual, Zayn era excelente quando se diz em relação à dança lenta. Eu não sabia porquê nos mantínhamos naquela dança, quando a musica que tocava era agitada. Apertei uma de minhas mãos em suas costas segurando o tecido de couro em uma das mãos. Seus dedos serpenteavam minhas costas com delicadeza, me trazendo sensações indescritíveis. Com Zayn ali em me sentia protegida de tudo.
Sua respiração era calma e quente em meu pescoço, e seus passos lentos e tranquilos. Movíamo-nos naquela dança sem nos importar com nada, nem mesmo ao fato de que a musica que tocava era agitada e estávamos em meio de uma boate badalada em Londres. Eu não conseguia lembrar nem ao menos meu nome, ou quem era Zayn Malik. Para mim aquele era apenas o Zayn. O Zayn no qual eu estava começando a me apaixonar.
- Olhe para aquilo. – Zayn disse baixo em um dos meus ouvidos, parando de súbito a nossa dança.
Afastei-me de seus braços acolhedores olhando na direção na qual ele analisava algo.
Vi-me olhando para Harry e Caroline trocando um amasso nada decente em um dos cantos da boate. Voltei meus olhos para Zayn e notei sua expressão de nojo ao analisar a cena.
- O que é? – perguntei inocentemente.
- Eu odeio essa mulher. – disse convicto voltando os olhos até mim.
Ele agora sorria zombeteiro, olhando de volta para Harry e sua ‘namorada’.
- Você está com cara de que tem um plano. – falei rindo. – Me conte.
Ele se afastou rapidamente de mim, seguindo por um caminho que levava até a Harry.
- Vem. - ele me gritou por cima do ombro.
Acelerei meus passos e parei ao seu lado, que se mantinha um pouco afastado dos dois, apenas analisando a cena.
- O que está querendo fazer? – perguntei baixo, sabendo que Harry nunca escutaria mesmo se eu estivesse com um megafone. A boate estava lotada, e a musica alta. Mas eu queria fazer um ar de suspense, já que o álcool era alto no meu corpo.
- Assusta-lo. – falou baixo assim como eu fazia.
- Assusta-lo? Porque?
- Porque ele sabe que odiamos essa mulher, e... – ele riu, provavelmente estava imaginando a cena. – Esqueça, me siga e veja.
- Mas...
Ele pegou em meu pulso e me puxou com força até sua direção, me fazendo segui-lo até os dois. Paramos próximos a eles, e antes que eu pudesse fazer alguma coisa, Zayn colocou seu plano de: “Assustar o Harry Styles” em pratica.
- PEGUEI VOCÊS. – gritou no ouvido de Harry, que como uma pessoa normal se afastou de Caroline.
O problema não foi ter assustado ele, o problema em si foi quanto ele a empurrou, fazendo com que ela caisse no chão. Sem me conter eu ri descaradamente ao vê-la caída, assim como Zayn que parecia não omitir sua risada, que por sinal era extremamente escandalosa quando ele estava bêbado.
- Não tem nada acontecendo aqui. – Harry gritou, levantando as mãos pro alto, sem nem ao menos ajudar uma Caroline que já se levantava irritada.
- Não precisa mentir Harry. – falei entrando na brincadeira. – Vimos tudo.
- Vocês estão participando do programa de TV: “Peguei vocês” com seus apresentadores Zayn e . – Zayn disse fingindo estar falando em um microfone.
Ri com entusiasmos e acabei entrando na brincadeira de cabeça.
- Mandem um tchauzinho pra câmera escondida ali. – eu disse apontando para a parede próxima, puxando Harry pela mão, o fazendo ficar de frente para o nada.
- Eu mereço. – ele murmurou, rindo baixo logo depois.
- Ridículos. - Caroline disse alto o suficiente para que ouvíssemos.
Zayn ficou sério de repente, e voltou os olhos para Caroline. Ele se aproximou dela e apontou o dedo em riste para o seu rosto.
- Você.... – gritou.
- ZAYN. – Harry disse se aproximando e capturando o dedo dele, e o abaixando. – Vamos acalmar, depois eu te explico.
- Você me deve muitas explicações mesmo. – Zayn gritou, ficando sério, mas logo sua expressão mudou e ele começou a rir sem parar.
- O que beberam? – Harry perguntou rindo.
- E eu sei? – respondeu, rindo mais ainda. – Enfim, eu vim com um propósito.
Olhei para ele assustada sem me dar conta que ele havia mais coisa em mente. Harry olhou para ele em desconfiança.
- O quê? – perguntou.
- disse que tinha um amigo da Caroline procurando por ela. – respondeu convicto, concordando com a cabeça logo depois.
- ? – perguntamos em uníssono.
- É, a . – respondeu entre os dentes olhando para mim e piscando despistadamente.
- Ah é, aquela hora né? Naquele lugar...
- Exatamente. – Zayn disse rindo baixo e voltando os olhos para Caroline. – Enfim, Josh a está procurando.
Caroline abriu os olhos em espanto e olhou com rapidez para Harry, que do mesmo modo olhou para ela. Eles ficaram com aquele contato energético por um tempo, até que Caroline se afastou sem dizer nada. Voltei meus olhos para Zayn, me lembrando naquele momento quem era Josh. Ele era simplesmente o ex namorado de Caroline, eu só não me lembrava de tê-lo visto por aqui.
- Josh estava procurando por ela mesmo? – Harry perguntou desconfiado.
- Estava, e confirmou com todas as palavras. - Zayn insistiu na mentira.
Harry passou as mãos nos cabelos de modo nervoso e olhou para os lados, meio desesperado.
- E como ela sabe disso?
- Ué, porque não vai perguntar pra ela? – Zayn disse sorrindo zombeteiro logo depois.
Harry concordou com a cabeça.
- É exatamente isso que eu vou fazer.
E dizendo isso ele se afastou, sumindo entre a multidão.
Olhei para Zayn e percebi que ele me encarava também, ficamos em um silencio estranho até que sem dizer mais nada, caímos na gargalhada ao lembrar-se do que havia acontecido. Apoiei uma de minhas mãos em seus ombros.
- Niall e estão logo ali. – ele disse, me fazendo olha em direção ao seu dedo em riste. – Vamos lá.
Gritou animado correndo desesperadamente em direção aos dois, e sem pensar duas vezes eu fiz o mesmo. Londres estava se tornando cada vez mais divertido.

’s POV

Ri mais uma vez de Niall, enquanto ele dançava feito um louco. Ele puxou um dos meus braços e me trouxe para mais perto de seu corpo, me soltando em seguida.
- Porque não se solta mais? – perguntou aproximando seu rosto do meu.
- Não sei dançar.
- Todo mundo sabe dançar, e se não sabe aprende. – ele disse rindo consigo mesmo. – Zayn era um péssimo dançarino, hoje o que ele faz no palco pode até ser considerado um tipo de dança. Uma dança ruim, mas mesmo assim uma dança.
Gargalhei animada, junto com Niall, e comecei uma dança improvisada. Ele sorriu para mim. Vi seus olhos azuis se estreitarem.
- Sabe, ouvi dizer que brasileiras tinham ritmo. – continuou. – E eu sabia que eu não estava enganado.
- O que quer dizer? – perguntei sorrindo.
- Que você sabe dançar, como uma brasileira nata. – tornei meus olhos para um ponto distante, tentando evitar aqueles olhos azuis que me encaravam tão profundamente.
Respirei fundo e continuei seguindo no ritmo da musica sem me importar agora se Niall acharia ridículo ou não. Balancei minha cabeça de um lado para outro, em uma tentativa vã de me livrar daquelas sensações que Niall estava me causado.
Só a sua presença ali naquela boate, já me deixava em um estado deplorável. Eu não sabia se agia por impulso ou com consciência, eu tinha medo. Medo de fazer algo errado e decepcionar Niall. Tudo bem que eu só havia encontrado com ele há uma semana atrás, mas mesmo assim eu me sentia perdida. Perdida naquele emaranhado de emoções. Eu já misturava todos os meus sentimentos de fã com aquele de carinho que adquiri ao conhecê-lo.
Perdi o fio dos pensamentos quando senti uma mão passando por minha cintura e me fazendo chocar contra seu corpo quente e acolhedor.
- O que está fazendo? – perguntei inconscientemente, sentindo o ar escapar de meus pulmões.
Ele me virou entre seus braços, me fazendo ficar de frente para ele. Encarei seus olhos azuis com perplexidade.
- Aqueles caras ali. – disse baixo, olhando adiante.
Não tive a preocupação de ver que estava me olhando, já que eu estava acolhida de mais naqueles olhos.
- Niall? – chamei perdida de mais para poder pensar em algo mais elaborado para dizer.
Ele voltou os olhos para mim.
- Eles estão olhando. – disse franzindo o cenho. – Eu me sinto estranho. Como se eu...
- Estivesse com ciúmes. – o interrompi.
- Exatamente.
Ri pelo nariz e ele fez o mesmo, me apertando mais em seus braços. Continuamos a dançar, mas dessa vez, abraçados como um casal.
Palavra estranha: casal. Não combinava comigo e com Niall. Eu não imaginava a gente como um casal. Eu não fazia o tipo dele, ele merecia alguém melhor, alguém mais animada e divertida do que eu. Mas eu não conseguia evitar todas aquelas emoções que ele me transmitia, e de uma maneira estranha eu queria transmitir o mesmo para ele.
- Estou com sede, vamos lá pegar algumas bebidas. – ele murmurou ao pé do meu ouvido.
Concordei com a cabeça. Senti uma de suas mãos se apoiarem em meu ombro e descendo em seguida para minhas mãos. Senti todo meu corpo se aquecer com aquele toque, o toque macio de sua mão ao encontro da minha. Balancei a cabeça, tentando sair daquele transe em que meu consciente foi colocado e segui Niall. Senti com pesar uma de suas mãos se desprendendo da minha, assim como todo aquele surto de loucura em que meu corpo passava.
Segui caminho em direção a Niall que já estava parado em um dos cantos daquela boate cheia. Suspirei entre os lábios, sentindo meu coração se apertar a cada minuto em que eu me aproximava de Niall. Abaixei os olhos para o chão me sentindo provavelmente a garota mais pateta de todo o Reino Unido.
Não entendia porque eu me desesperava ao vê-lo, ou a cada vez que escutava seu sotaque irlandês sendo proferido a mim. Seus olhos azuis, tão azuis quanto o mais azul céu, direcionados para mim. Levantei meus olhos, ao perceber o quão perto eu já estava de sua figura pálida.
- Parece distraída. – comentou, sem deixar de lado seu ar brincalhão.
Ri pelo nariz e desviei meus olhos de seu rosto.
- Nossa, nunca vi esse lugar tão cheio. – Zayn surgiu ao meu lado enquanto puxava pelo pulso uma risonha .
- Vocês perderam o que Zayn fez. - comentou em voz alta, rindo descontroladamente depois.
Olhei para ela achando aquela situação toda muito engraçada, quando a vi trocar um olhar significativo com Zayn.
- Niall – ele chamou pelo amigo -, conhecendo Harry como conhecemos, você acha que ele ficará bravo?
Niall gargalhou animado.
- Ficará bravo com o quê? – perguntou risonho.
- Com o que eu fiz.
Niall olhou para mim de relance e arqueou as sobrancelhas de modo divertido. Zayn parecia desligado e fora de si, assim como que não parava de rir um minuto se quer.
- Então me conte, o que você fez?
Então Zayn começou a rir, e se juntou a . Os dois riam tanto que quase caiam um sobre o outro. Olhei para Niall, e assim como eu, ele ria daquilo por não entender a situação.
- Será que alguém podia me explicar? – pedi entre uma risada e outra.
- Ok. – Zayn disse por fim, respirando fundo e ficando sério de repente. – Estava eu e a digníssima dançando, quando nos deparamos com uma cena chocante. Harry e Caroline aos amassos em um dos cantos ai. - Niall colocou a mão na testa e murmurou algo como: “Idiota, vai ter que escutar a semana inteira.” – O que disse Nini?
- Nada, continue. – pediu, fazendo um gesto displicente com as mãos.
- Então Zayn parou atrás deles e gritou. – foi quem deu continuidade na historia. – Harry se assustou e afastou Caroline com um empurrão. – ela parou de falar e se afastou de nós rindo.
- Harry ficou tão desesperado em mostrar para nos que não havia nada acontecendo ali, que esqueceu totalmente que havia empurrado Caroline no chão. – Zayn sorriu zombeteiro. – Então é aqui que a historia fica engraçada, eu disse para eles que disse que um dos amigos de Caroline, estava a chamando. Harry obviamente procurou saber porquÊ estava no meio da confusão.
- O que? – eu gritei exaltada. – Vocês colocaram a no meio dessa confusão toda?
- Exatamente. - disse sorrindo.
- Vocês estão loucos. – murmurei. – Porque fizeram isso?
- Ora, eles tem que parar com essa rixa boba. – Zayn disse colocando as mãos dentro do casaco. – E se meus cálculos estiverem corretos, Harry deve estar nesse minuto procurando pela parar saber o porque ela estava procurando Caroline.
- E o que vocês fizeram com Caroline? – Niall perguntou entre os risos.
- Digamos que demos um fim nela. - disse rindo.
- UM FIM? – perguntei exaltada. – Vocês não-
- Não matamos ela. – Zayn disse como se fosse obvio. – Apenas a levamos até aquele nosso amigo.
- Amigo? – Nial perguntou.
- O Josh, lembra dele?
- Você só pode estar de brincadeira. – Niall falou sorrindo.
- Quem é esse? – perguntei meio perdida naquela conversa.
- Josh é o ex da Caroline, e ela é apaixonada por ele. Harry o odeia. – Zayn disse rindo, enquanto batia as mãos repetidas vezes na perna. – Ele vai mantê-la ocupada.
- Ocupada para quê? – Niall perguntou.
- Ocupada para que Harry possa ir conversar. - comentou como se fosse obvio.
- Conversar com quem? – perguntei me sentindo mais uma vez naquela conversa.
- Já disse, com a .
Balancei, encarando o chão entre meus pés. Deixei uma curta risada sair por entre meus lábios. Imaginei qual seria a reação de ao descobri todo o plano de e Zayn. Ela piraria. Voltei meus olhos para os meninos e sorri de canto.
- Preparados? - perguntou olhando para um ponto atrás de mim.
- Para o quê? – Niall perguntou, olhando na mesma direção que e Zayn olhava.
Girei meu corpo, e encarei um ponto mais distante, demorou um pouco para minha visão se acostumar com aquelas luzes de diversas cores e as tantas pessoas que circulavam aquele lugar. Assim que minha vista se ajeitou vi entrar no banheiro com rapidez, e alguns segundos depois vi um Harry Styles, que tentava ser discreto, entrar no banheiro. No banheiro femino.
- Para a Terceira Guerra Mundial. – falei baixo, tornando meus olhos para Niall, que parecia ter finalmente entendido a situação por completo.

’s POV
Entrei no banheiro, e me dirigi até espelho. Parei em frente ele e analisei meus cabelos, estava tudo certo. Nada atrapalhado, nenhuma maquiagem precisando retocar, vestido no lugar certo.
- Para uma bêbada, eu estou bem. – falei para a minha imagem no espelho, enquanto sorria sedutoramente.
Uma mulher que estava no banheiro me olhou de modo entranho, e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela se afastou e saiu, e me deixando completamente sozinha no banheiro. Mostrei língua para a porta que havia acabado de fechar, e voltei a me admirar na imagem que eu via no espelho. Mandei um beijo para mim mesma no espelho e me afastei até uma das inúmeras cabines vazias.
Caminhei tranquilamente até a porta, escuto o som da porta do banheiro abrindo, e antes que eu pudesse conferir quem era, meu corpo foi lançado para dentro da cabine com violência e a porta fechada logo em seguida. Respirei pesado, colocando a mão no peito, e me virando pronta para gritar com a bêbada que havia me empurrado.
Voltei alguns passos ao ver a figura masculina na minha frente. Era Harry Styles ali. Como se não houvesse nada de estranho estar ali. Em uma cabine de banheiro comigo. Como ele entrou ali afinal? ERA UM BANHEIRO FEMININO.
Encarou-me com seus olhos verdes, repletos de algo que eu desconfiava até aquele momento. Passou uma das mãos no cabelo castanho, enquanto a outra navegava até a tranca da cabine. Ouvi o “Click” ao escutar a porta ao ser trancada, e minha respiração se tornou mais descompassada. O QUE ESSE MENINO QUERIA EM NOME DE DEUS TODO PODEROSO?
- Precisamos conversar. – disse sério, lançando um halito de algo que eu desconhecia até aquele momento.
- E porque acha que um banheiro feminino é o melhor lugar?
Ele riu baixo, e olhou para o teto.
- É o único lugar provável, e possível.
- Porque? – perguntei. – Seria vergonhoso demais conversar comigo em um lugar cheio... cheio de testemunhas quando você me fuzilasse com mais uma de suas palavras arrogantes?
Ele se afastou alguns passos e ficou a me encarar. Sua respiração era calma, mas seu halito de álcool era forte, me peguei pensando se não podia morrer sufocada com aquilo. Talvez, fosse melhor do que ouvir mais uma de suas alfinetadas.
- Por que sempre que quero conversar com você, você acha que é parar brigar? – perguntou inocentemente.
- Porque é isso que geralmente acontece, Harry.
Ele desviou os olhos, encarando a privada. Analisei seus movimentos com cautela, ele parecia desarmado, parecia querer apenas conversar, por isso sem pensar duas vezes eu abaixei a guarda para Harry Styles pela primeira vez na minha vida.
- O que quer falar Harry?
Seus olhos verdes foram direcionados para mim, e eu senti cada terminação nervosa do meu corpo se agitar.
- Porque Josh estava procurando por Caroline?
Franzi meu cenho em confusão e o encarei.
- E eu lá vou saber? – perguntei confusa. – Já perguntou pra ela?
Harry mexeu no cabelo de modo nervoso e me encarou sério.
- Se eu já não tivesse perguntou você acha que eu estaria aqui? – falou sério.
O encarei da melhor forma que podia, tentando demonstrar todo meu desconforto por estar ali com ele. Dentro de um banheiro feminino.
- E porque eu teria alguma coisa a ver com Caroline? – pergunto me aborrecendo.
- Eu quem lhe pergunto. – rebateu serio. – Zayn e chegaram contando uma historia de que você disse sobre alguém procurar por ela.
Revirei os olhos. Harry era tão tapado as vezes. Será que não estava mais que obvio que era um planinho dos dois?
- E você acreditou?
- Acreditei, ué. Eu... – ele levantou os olhos para mim, e ficou em silencio por alguns minutos. – Eles não seriam capaz seriam?
Bufei, indignada com a inocência dele.
- Você é mais imbecil do que eu pensava. – falei, abaixando a tampa do vaso e me sentando.
- Agora é questão de eu ser imbecil ou não?
- Ninguém te deu essa escolha, você é imbecil e pronto.
Ele virou de lado encostando a testa na divisória do banheiro, e ficou naquela posição por um tempo. Harry era imprevisível, eu nunca sabia qual seria o próximo passo dele. Eu nunca em toda a minha vida acharia que me veria numa situação como aquele: dentro de uma cabine do banheiro com Harry Styles.
Tornou os olhos para mim, e ficou a me encarar enquanto encostava levemente na porta. Fechou os olhos e suspirou entre os lábios. Seus cabelos castanhos estava até que arrumados, levando em conta que eles nunca estavam. Trajava uma roupa esporte e super estilosa o que o deixava mais charmoso do que já era normalmente. Respirei fundo, e o vi voltando os olhos para mim.
- Já falou o que tinha que falar? – perguntei.
- Já.
- Então, o que ainda faz aqui?
Ele olhou para mim com mais intensidade, mas mesmo assim não disse mais nada. Bufei de lado e bati o pé em nervosismo no chão.
- Acho muito loucura de Zayn e armar isso só para nos conversamos. – ele disse por fim. – Não tenho nada pra dizer a você.
- Maravilha.
- Você as vezes age como se tivesse cinco anos, sabia?
- Ótimo, seu dialogo me entorpece. – falei em deboche.
- Não comece com brigas. – rebateu rapidamente, passando uma das mãos nos cabelos cacheados.
- Então não invente moda.
- Não estou inventando.
- Então me fala porque ainda não saiu desse banheiro, sendo que só está aqui dizendo bulhufas?
- Bulhufas? – perguntou confuso.
- É, não explica nada. – revirei os olhos. – Você sabe o que significa a palavra “nada”, ou vai consultar o dicionário do celular?
- Não dá para manter uma conversa civilizada com você.
- Muito me admira você vim com esse papinho de conversa, quando minutos atrás eu era a chata com cara de choro.
- E nunca deixou de ser.
- Vá à merda. – falei fazendo gesto com as mãos, e levantando da privada. – E saí do banheiro, quero usa-lo.
- À vontade.
- Haha, muito engraçado Sr. Styles, mas agora SAIA.
- E se eu não quiser? – perguntou rindo zombeteiro, enquanto se aproximava de mim, me empurrando com agressividade para a divisória.
Minha respiração se tornou descompassada. Olhei para seus olhos, estavam verdes, muito verdes, seus lábios estavam rosados e sua respiração calma e quente.
- Você está agindo como uma criança de cinco anos agora. – minha voz saiu baixa, eu não queria que aquilo acontecesse.
Ele sorriu levemente e prensou meu corpo contra a divisória da cabine. Arfei entre os lábios sentindo cada parte do seu corpo em contato com o meu, cada parte encaixada perfeitamente como se fosse feitas sob medida. Minha respiração estava pesada e meu coração estava a mil por hora, voltei a encarar seus olhos que mostrava algo que eu nunca havia visto em todo o nosso tempo de convivência. Por mais que suas atitudes fossem hostis, seus olhos demonstravam exatamente o contrario, havia um toque de carinho e algo que eu não conseguia identificar.
- Find me here, and speak to me - ele sussurrou enquanto aproximava seus lábios do meu pescoço e deixava um beijo leve ali. - I want to feel you - seus lábios se moverão até os meus ouvidos, e ele deu uma leve mordida no lóbulo da minha orelha, e sussurrou: - I need to hear you - e mais uma vez seus lábios voltaram ao meu pescoço, me fazendo arfar inconscientemente, vi ele sorrir levemente e continuar trabalhando os lábios ali. - You are the light - sua respiração era pesada e rápida em meu pescoço, uma de suas mãos foram até a minha nuca, fazendo meus pelos eriçar. - That's leading me to the place - seus curtos beijos foram subindo até meu queixo onde ele parou, seu rosto se afastou do meu, e ficamos a nos encarar, tão próximos, nossas respirações cruzadas, nossos olhares fixos.
Respirei fundo, tentando capturar o máximo de ar que meu pulmão permitia, e antes que eu pudesse fazer aquilo de novo, ele puxou meu corpo da divisória e passou um dos seus braços na minha cintura.
- Where I'll find peace... Again - e antes que eu pudesse raciocinar ele colou seus lábios no meu.
Momentaneamente meu corpo travou, e meu cérebro bloqueou qualquer tentativa de processar algo. Eu só conseguia pensar no contato de nossos corpos e lábios, a textura macia do seus lábios sobre os meus, tão docemente. Seu cheiro inebriante, me invadindo como uma droga de efeito rápido, seus movimentos cautelosos. Assim como naquele dia, no qual nossos lábios se tocaram a primeira vez.
E sem que precisasse de permissão, ele puxou mais meu corpo contra o seu, começando um beijo calmo e doce. Seus lábios eram gentis mas sua língua era ágil. Assim como naquela vez, senti todo meu corpo flutuando, era como se eu fosse levada daquele mundo. Como se não houvesse nada que pudesse me impedir. Harry me segurava fortemente, e a cada momento o beijo ia se tornando mais intenso, mais cheio de volúpia. Ele não se atrevia nas caricias, era penas nuca e cintura, o que era diferente de mim, que explorava cada extensão de suas costas, e vez outra atrapalhava mais seus cabelos cacheados.
Foi nesse momento que senti algo vibrar sobre a minha perna, mesmo assim o beijo não foi interrompido, mas ao perceber a segunda vibração, Harry se afastou gentilmente, ainda segurando minha cintura e procurou pelo celular em um dos bolsos. O analisei com cautela, enquanto tentava ajeitar o cabelo, e controlar minha respiração que estava descompassada.
Ele leu algo no celular e sua expressão foi do descontentamento à preocupação.
- O que aconteceu?
Ele não precisou dizer nada, passou o celular para mim, e assim que eu comecei a ler a mensagem, meu coração disparou.
“Harry, onde está? Tentei falar com os meninos, mas não consegui. Venha até a enfermaria. havia desmaiado, e acabou de acordar... bem, se achar alguma das meninas peça para ela vir junto.”
- Responda. – eu pedi para Harry, desesperada. – Responda o Louis Harry. – implorei.
Ele me olhou com os olhos cheios de preocupação.
“Certo. Mas, ela está bem?”
Ficamos nos encarando esperando a resposta de Louis chegar. Meu coração estava disparado. Eu havia acabado de beijar Harry, e agora eu recebia uma noticia como aquela. Procurei conforto nos olhos de Harry, que parecia tão preocupado quanto eu. Ele não dizia nada, assim como eu. Alem do que, nós dois procurávamos uma explicação para o que havia acabado de acontecer. O álcool não pode ser um fator, pode?
Escutei o bipe alto do celular dele tocar, e olhei para uma de suas mãos. Ele me olhou nos olhos, e como se contasse até três, colocou o telefone numa altura na qual poderíamos ver. Respirei fundo e li a mensagem,
“Está sim, o problema é que ela não lembra de nada desde que chegou aqui em Londres.”

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